Os garis podem ou não ficar com as latinhas do lixo comum? O tema foi o principal debate na sessão da Câmara desta quinta-feira

Por: - 15 de fevereiro de 2018
Sessão da Câmara de Maringá: polêmica motivada por uma postagem do vereador Homero Marchese no Facebook

Um vídeo postado na quarta-feira de cinzas pelo vereador Homero Marchese (PV) no Facebook incendiou os debates na tribuna da Câmara de Maringá na manhã desta quinta-feira (15/2). Falando sobre os problemas na coleta de lixo, o vereador acabou criticando garis que recolhem as latinhas de alumínio do lixo convencional para vender.

Um grupo de garis, acompanhados por dirigentes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Maringá (Sismmar), esteve na sessão para protestar contra Marchese. A presença dos servidores levou vários vereadores a ocupar a tribuna para prestar solidariedade à categoria e criticar o vereador.

No decorrer dos pronunciamentos dos edis, expressões como “covardia”, “manobra de coxinhas”, “criancice” e “irresponsabilidade” foram dirigidas de forma direta e indireta ao vereador. Marchese, por sua vez, se dirigindo aos dirigentes do Sismmar, retrucou “vão trabalhar” e se referiu às últimas eleições da entidade como “uma baixaria”.

Todos contra um ou um contra todos

O debate que pode ser classificado como sendo de todos contra um começou com o vereador Belino Bravin (PP), dizendo que não via nada de errado no fato dos coletores de lixo juntar as latinhas descartadas junto com o lixo convencional. “Faz 26 anos que estou aqui e toda vida isso existiu. Se não está atrapalhando o serviço, tudo bem”.

A partir daí, a tribuna foi ocupada por Sidney Telles (PSD), Mário Verri (PT), Alex Chaves (PHS), Willian Gentil (PTB) e Jean Marques (PV). O tom comum a todos os discursos foi o de apoio e valorização aos trabalhos dos garis, afirmar que não há crime em recolher as latinhas do lixo comum e criticar a atitude de Marchese.

Verri, por exemplo, disse que denúncias devem ser feitas na polícia e no Ministério Público, não nas redes sociais: “Isso é fazer os coxinhas, que se vestem de amarelinho, de massa de manobra”. Acrescentou que “é uma criancice e uma irresponsabilidade usar os servidores para atacar o prefeito”. Por sua vez, Marchese teve dificuldades para falar, diante das vaias dos presentes.

Primeiro disse que os dirigentes do Sismmar não trabalham e tentam usar, por meio de inverdades, alguns servidores como massa de manobrada. Mostrando sua Carteira de Trabalho, disse para os dirigentes sindicais: “Vão trabalhar”. Depois, para os garis, disse que havia bons argumentos para defender o recolhimento das latinhas, mas que achava errado.

Diante das vaias e gritos de “fora, fora”, o presidente da Câmara Mário Hossokawa (PP) pediu silêncio ao público e chamou a atenção de Marchese: “Por favor vereador, não entre em confronto com a plateia e pare de xingamentos”. A sessão teve que ser suspensa para os ânimos se acalmarem.

Argumentos legais e ambientais do PV

Ao ser retomada, o embate continuou. Marques recorreu à argumentos jurídicos, utilizando expressões em latim, para dizer que lixo não é produto de ninguém e que não há crime em pegar as latinhas. “Não há enriquecimento ilícito, já que não há prejudicado. Também usou elementos ambientais: “Aterrada, uma latinha leva 500 anos para decompor”.

Marchese reconheceu que antes de postar o vídeo deveria ter conversado com os garis e que havia bons argumentos para justificar que ficassem com as latinhas, mas insistiu que um servidor público “não pode ficar com materiais inservíveis”. E estranhou a reação dos colegas: “Venho falando aqui sobre os gastos absurdos do Natal e da dívida de R$ 700 mil do vice-prefeito com o município e ninguém defendeu o indefensável”.

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