Projeto de criação do 13º salário e adicional de férias é arquivado; vereadores reagem às críticas

Por: - 2 de outubro de 2017
Vereador Carlos Mariucci

As críticas ao projeto de lei proposto por sete vereadores que garantia o pagamento do décimo terceiro salário e o adicional de férias ao prefeito, vice-prefeito e aos próprios edis levaram ao arquivamento da matéria na sexta-feira à noite (29/9) e geraram pronunciamentos na Câmara de Maringá durante a sessão extraordinária de sábado (30/9) de manhã.

O tom dos pronunciamentos foi de uma espécie de auto-elogio ao trabalho e à dedicação dos atuais vereadores, sem, contudo, fazer referências diretas ao projeto de lei que criava mais um salário e assegurava os 33% de adicional de férias aos membros do Legislativo e chefes do Executivo. A matéria foi arquivada pela Mesa, autora da matéria.

A direção da Câmara é composta por Mário Hossokawa (PP), Mário Verri (PT), William Gentil (PTB), Sidnei Telles (PSD), Odair Fogueteiro (PHS) e Belino Bravin (PP). O vereador Alex Chaves ( PHS) também assinou o projeto de lei.

Dedicação aos mandatos e horas-extras

O líder do Executivo na Câmara, Jean Marques (PV), observou que “mais uma vez a Câmara se reúne num sábado, fora de seu horário normal” e lembrou que o trabalho dos vereadores não se resumem às sessões.

“Os projetos de lei são construídos dentro dos gabinetes, dentro das comissões permanentes. Eu costumo sair daqui às vezes à noite e vejo que vários gabinetes estão acesos, e o pessoal trabalhando”, afirmou.

O vereador Odair Fogueteiro lembrou que também em julho não houve recesso, “pelo contrário, trabalhamos mais do que o normal. Por isso posso dizer que estamos realmente nos dedicando ao mandato, atendendo às urgências solicitadas pelo Poder Executivo”.

Odair Fogueteiro
Vereador Odair Fogueteiro

O vereador Carlos Mariucci também ressaltou a dedicação dos atuais vereadores e que as sessões extraordinárias são apenas mais uma parte do trabalho a que eles se dedicam.

Disse que ele e a maioria dos demais vereadores tinham compromissos particulares ou profissionais para a manhã de sábado e que tiveram que mudá-los para poderem comparecer à sessão.

Mariucci citou que “só com essa dedicação é possível para os 15 vereadores atenderem às demandas de uma cidade com mais de 400 mil habitantes”. Ele citou que cidades bem menores que Maringá têm mais cadeiras no Legislativo: “Toledo, de 133 mil habitantes, tem 19 vereadores”.

O vereador Do Carmo (PR) falou de sua “decepção pelos comentários e xingamentos que tem visto em redes sociais, de pessoas que não acompanham o trabalho dos vereadores, e que acham que estes ganham mais do que merecem”.

Lembrou que todos os vereadores têm uma formação profissional e que acabam deixando sua profissão de lado para se dedicar ao trabalho no Legislativo. “O meu escritório de advocacia, por exemplo, está praticamente abandonado”.

Do Carmo, vereador pelo PR, disse que sua dedicação ao mandato o levou a abandonar o escritório de Direito

Disse que o salário liquido de um vereador local é R$ 6, 5 mil e que entre as dez maiores cidades do Paraná, os vereadores de Maringá são os que têm menor salário: “Eu, particularmente acho que é pouco, pelo trabalho que eu presto”.

Para Do Carmo, “esse tipo de crítica generalizada contra os políticos só prejudica a própria política”.

O projeto de lei criando o décimo terceiro salário e instituindo o adicional de férias (um terço sobre o salário) entrou, sem prévia divulgação, na pauta da sessão extraordinária de quinta-feira (28/9) da semana passada, mas o regime de urgência foi retirado. e na sexta-feira à noite, foi arquivado.

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