Bruna Macedo Ribeiro: da Capodarte à Ventri, a empresária homenageada com o Prêmio ACIM Mulher 2026 fala sobre empreendedorismo, marketing e liderança feminina

Homenageada com o Prêmio ACIM Mulher 2026, empresária relembra os desafios da pandemia, explica por que “franquia não é investimento, é operação” e defende que o diferencial do varejo está no relacionamento e na constância.

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    A empresária Bruna Macedo Ribeiro, homenageada com o Prêmio ACIM Mulher 2026, foi a entrevistada do podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, publicado neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher. Na conversa conduzida por Ronaldo Nezo, ela percorre quase duas décadas de trajetória no varejo de moda, relembra os momentos mais desafiadores da carreira e detalha a construção de um modelo de negócio baseado em posicionamento de marca, planejamento e relacionamento com o cliente.

    Sócia e diretora comercial do Grupo Aranega de Macedo, responsável pela multimarcas premium Ventri e pelas franquias Capodarte em Maringá e Londrina, Bruna foi escolhida em novembro por comissão julgadora formada por representantes da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM), Prefeitura, Câmara Municipal, Codem, Secretaria Municipal da Mulher, Sivamar e Instituto ACIM. A votação foi secreta.

    Concedido desde 2004, o Prêmio ACIM Mulher reconhece mulheres que se destacam nas áreas de ciência, cultura, negócios ou trabalho social, com iniciativas relevantes e inspiradoras.

    Ao comentar a homenagem, Bruna destacou o simbolismo do reconhecimento. “Foi uma grande surpresa. Realmente eu não esperava ser homenageada”, afirmou. Segundo ela, o prêmio veio em um momento especial da trajetória. “Depois de 16 anos aí de trajetória e de muitas coisas vividas, eu acho que foi como se fosse um presente de Deus, de reconhecimento pessoal.”

    Ela também ressaltou o carinho recebido após o anúncio. “Acho que mais do que só o prêmio, o carinho das pessoas… eu recebi tantas mensagens falando ‘você merecia’, ‘já tinha demorado’. Estou nas nuvens.”

    A origem empreendedora e o início no varejo

    Bruna conta que cresceu em uma família de mulheres empreendedoras. A avó foi dona da primeira livraria de Maringá, em 1973, e a mãe também atuou com negócios próprios antes de se tornar sua sócia. “Para mim sempre foi natural as mulheres empreenderem na minha família”, disse.

    Após tentar caminhos distintos — como publicidade, medicina e gastronomia —, decidiu cursar Administração na UEM e passou a atuar na empresa da mãe, inicialmente na área de desenvolvimento de produtos. O desejo de lidar diretamente com o cliente final levou à decisão de abrir uma franquia.

    A escolha foi estratégica. “Decidimos que seria calçado, porque o calçado veste qualquer mulher. Se ela engordou, ela compra um calçado. Se ela está magra, ela compra um calçado.”

    Em 2010, abriu a primeira unidade da Capodarte em Maringá. O início foi marcado por dedicação integral. “A gente gestou essa loja. Desde que abriu, a gente passava todos os dias. Uma abria, a outra fechava. De domingo a domingo.”

    “Franquia não é investimento, é operação”

    Um dos pontos centrais da entrevista foi a desmistificação do modelo de franquia. Para Bruna, o sucesso não veio apenas pela força da marca. “Franquia não é investimento, franquia é operação”, afirmou. “Você precisa colocar a mão na massa, você precisa estar ali e entender de negócio para conseguir fazer ela dar dinheiro.”

    Ela explicou que o diferencial foi tratar a franquia como negócio próprio. “Eu nunca tratei ela como franquia. Eu tratei como se fosse meu negócio.”

    Com investimento constante em marketing e posicionamento, a unidade de Maringá se tornou a de maior faturamento da rede no país.

    Marketing criativo e constância

    Ao longo da conversa, Bruna detalhou ações que marcaram a consolidação da marca na cidade. Entre elas, uma campanha de inauguração que enviou apenas um pé de chinelo para 50 mulheres influentes, convidando-as a buscar o par na loja. “Ninguém quer ficar com um pé só do sapato. Não faz sentido”, relembrou.

    Ela também defendeu que marketing não pode ser eventual. “O marketing tem que fazer parte do plano de negócio. Não é ‘se tem eu faço, se não tem eu não faço’.”

    Para a empresária, marketing não se resume à publicidade. “Atendimento é marketing. Pós-venda é marketing. Um ambiente agradável é marketing.”

    A pandemia e o período mais difícil da carreira

    Se o crescimento foi estruturado, a pandemia representou o maior teste da trajetória. Com a recuperação judicial da franqueadora, as lojas passaram a enfrentar falta de mercadoria. “A gente vendia por coleção em torno de 18 mil pares de chinelo. E começamos a receber 300 pares. Não fechava a conta.”

    Foi, segundo ela, o momento mais desafiador da carreira. “Nunca me senti tanto de mãos atadas. Quando você tem produto, você dá um jeito de vender. Agora, quando você não tem produto, o que você faz?”

    A experiência levou à decisão de iniciar um projeto autoral.

    Ventri: a construção de uma marca própria

    Em 2023, nasceu a Ventri, multimarcas premium com foco em atendimento exclusivo e experiência personalizada.

    O nome carrega significado simbólico. “O ventre é a primeira casa de todo mundo. É lugar de aconchego, é lugar de vida. A gente queria ser uma incubadora de conceitos.”

    Hoje, a Ventri trabalha com marcas selecionadas e busca construir autoridade própria. “Está na Ventri? É legal. Essa é a chancela que a gente quer construir.”

    A empresária destacou a importância do planejamento de compras no segmento premium, evitando liquidações agressivas. “Se a minha cliente investiu numa peça, eu não quero que daqui a pouco ela esteja com 70% de desconto.”

    Empreendedorismo feminino: desafios e múltiplos papéis

    Ao falar sobre o Prêmio ACIM Mulher 2026, Bruna ampliou a reflexão para o papel das mulheres no mercado. “Se eu pudesse, eu compartilharia meu prêmio com todas as mulheres empreendedoras.”

    Ela destacou os desafios adicionais enfrentados por mulheres. “A gente não tem só esse papel. A gente tem o papel de mãe, dona de casa. Você divide com muitas coisas o seu trabalho.”

    E completou: “Quantas vezes eu já fui trabalhar com a criança ardendo de febre. A vontade era chorar e ficar dentro de casa, mas eu estava lá.”

    Apesar das dificuldades, afirma que a realização compensa. “Quando a gente faz o que a gente ama é tão bom.”

    Empreender em Maringá

    Bruna também ressaltou as características econômicas da cidade. “Essa cidade é única. Só quem está aqui sabe o tanto que ela é especial.” Ela citou o orgulho do consumidor local como diferencial. “O maringaense faz questão de comprar na cidade, de prestigiar um amigo.”

    Segundo ela, essa cultura contribui para o desenvolvimento de negócios sólidos.

    Planejamento e mentalidade de longo prazo

    Encerrando a entrevista, Bruna reforçou a importância do planejamento financeiro e da gestão. “O empreendedor é o capitão do barco. Ele é o único que não pode pular fora.”

    Para ela, empreender exige visão ampla. “Você precisa entender de venda, de compra, de contabilidade, de marketing. Você é multitarefas total.”

    E deixou um alerta sobre fluxo de caixa e parcelamentos. “Quando você parcela em dez vezes, você está financiando seu cliente por quase um ano. As pessoas não fazem essa conta.”

    A empresária defende que o sucesso está na constância. “Empreender não é uma corrida de 100 metros. É uma maratona.”

    Serviço

    A entrevista completa com Bruna Macedo Ribeiro está disponível no canal do Maringá Post no YouTube.

    Apresentação: Ronaldo Nezo

    Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

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