Vereador defende decisão sobre aumento de quase 30% do IPTU e diz que medida evitou risco de falta de serviços em Maringá

Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, Luiz Neto explica por que votou a favor do reajuste aprovado no início da gestão e afirma que alternativa poderia comprometer serviços básicos.

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    O vereador Luiz Neto afirmou que o aumento do IPTU aprovado pela Câmara Municipal de Maringá no início da atual gestão foi uma decisão difícil, mas necessária para evitar o comprometimento de serviços públicos essenciais. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, na qual o parlamentar revisita e justifica o posicionamento adotado por ele e pela base do prefeito à época da votação.

    Segundo Luiz Neto, a medida gerou desgaste político imediato, mas foi tomada diante de um cenário de restrição orçamentária e perda de arrecadação que já se desenhava para os meses seguintes.

    “O que eu não gosto é de hipocrisia. Foi um remédio amargo, mas a alternativa era correr o risco de faltar serviço lá na frente”, afirmou.

    Decisão já tomada, impacto ainda em debate

    Durante a entrevista, o vereador deixa claro que o reajuste não foi uma iniciativa pontual ou isolada, mas parte de uma decisão tomada em um contexto específico, apresentado à Câmara pela Secretaria da Fazenda. Segundo ele, os dados indicavam risco real de déficit no orçamento municipal, caso nenhuma medida fosse adotada.

    Luiz Neto reforça que o debate ocorreu dentro de um prazo legal limitado e que a decisão precisou ser tomada com base nas informações disponíveis naquele momento. Para ele, reabrir a discussão como se o tema fosse novo distorce o contexto em que a votação ocorreu.

    “Não foi uma escolha confortável, mas foi uma escolha necessária diante da realidade que nos foi apresentada”, disse.

    Rejeição à revisão da planta genérica

    Um dos pontos centrais da defesa feita pelo vereador é a oposição à revisão da planta genérica de valores, alternativa defendida por parte da oposição na época. Segundo Luiz Neto, esse caminho poderia gerar aumentos muito mais elevados, especialmente em bairros periféricos.

    “Em alguns bairros, o aumento poderia chegar a 300%. Isso sangra quem mais precisa”, afirmou.

    Na avaliação do parlamentar, o reajuste aplicado foi menos agressivo do que uma reavaliação completa da planta, que não vinha sendo atualizada há anos e refletiria a valorização imobiliária de regiões que antes eram áreas rurais.

    Orçamento engessado e pressão sobre serviços

    Ao contextualizar a decisão, Luiz Neto cita exemplos de demandas acumuladas no município que dependem diretamente de recursos financeiros, como pedidos de poda e retirada de árvores, recapeamento asfáltico e ampliação de cirurgias eletivas na rede pública de saúde.

    “Estamos falando de milhares de pedidos represados e de pessoas esperando cirurgias desde a pandemia. Isso é o que mais me pega: a população não ter acesso a serviços”, afirmou.

    Segundo ele, a combinação de perda de arrecadação com aumento de demandas criou um cenário no qual a omissão poderia resultar em paralisação ou redução de serviços básicos.

    O episódio completo do podcast Ponto a Ponto, com a entrevista na íntegra, está disponível no canal do Maringá Post no YouTube.

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