Os desafios atuais da Medicina Veterinária no diagnóstico dos animais domésticos

Cada vez mais, a presença dos pets em pequenos ambientes domiciliares, (apartamentos por exemplo), se tornam mais evidentes. Concomitante à diminuição de espaço das residências, reduziu-se também o porte do animal. Além disso, o estilo de vida contemporâneo e acelerado das grandes cidades tem contribuído para novos hábitos de vida de grande parcela dos animais.

Essas mudanças drásticas reverberam em várias alterações tanto da saúde física como comportamental dos mesmos. Diante desse novo panorama, incumbiu-se à Medicina Veterinária um novo desafio: compreender essas mudanças avaliando o contexto sócio-geográfico em que o paciente está inserido e, a partir disso, visualizar e traçar novas alternativas de diagnóstico e tratamento, corroborando para a integridade física e comportamental do pet.

Fatores que podem interferir no bem estar físico e emocional do animal:

⦁ Falta de tempo dos tutores;
⦁ Sedentarismo e obesidade;
⦁ Falta de atividade física regular;
⦁ Falta dos banhos de sol;
⦁ Exposição prolongada ao ar condicionado;
⦁ Dietas inadequadas;
⦁ Privação da socialização;
⦁ Falta de acompanhamento profissional;
⦁ “Humanização” do animal.

Todos esses fatores apontados, isolados ou associados são deletérios. Alguns exemplos: a vida agitada dos proprietários, muitas vezes os impedem de oferecer a atenção necessária ao animal, que sendo um ser senciente (que sente), muitas vezes acaba tendo suas necessidades fisiológicas negligenciadas.

Atrelado à essa ausência do tutor, observa-se muitas vezes a falta de atividade física regular onde os passeios são raros ou inexistentes, a carência de socialização (animais que são sozinhos e permanecem o dia todo longe dos tutores) onde o animal pode desenvolver alterações psicológicas como a ansiedade, dentre outros distúrbios.

Apartamentos com pouca luz solar, onde o animal possui possibilidades limitadas em tomar os banhos de sol diários, também configura uma realidade igualmente importante de se destacar.

É válido citar em contrapartida, a “humanização” do pet que também é prejudicial, gerando extrema dependência emocional do animal para com seu tutor, podendo inclusive levar à obesidade, hipertensão arterial, alterações renais, gastroenterites, dentre outras enfermidades correlacionadas à dietas inadequadas (a ingestão do famoso pedacinho de pão de todas as manhãs, mortadelas, salsicha, outros embutidos, queijos, biscoitos, que podem parecer inofensivos, no entanto são repletos de sódio dentre outros aditivos químicos nocivos à saúde).

Nesse cenário, nota-se cada vez maior a incidência de pacientes que chegam aos consultórios dentro desses perfis e diante disso, a Medicina Veterinária necessita compreender e se ajustar a tal realidade para atuar, na ênfase às orientações e conscientização dos tutores, busca de diagnósticos e adequação dos tratamentos, onde se prevaleça primordialmente a saúde física e psicológica do animal a fim de que o mesmo manifeste os padrões comportamentais característicos e naturais de sua espécie.

Por Paulo Stein Kojo e Viviane Danas Farias.

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