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Sayonara Doraci da Silva, não pode estar presente em sua cerimônia de formatura na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), no campus de Apucarana. A aluna do curso de Administração, sobreviveu a uma tentativa de feminicídio, realizada pelo ex-companheiro, Ademar Augusto Crepe, no início de fevereiro.
Ademar segue foragido desde a data do ocorrido. Para manter a segurança, Sayonara está escondida e não esteve presente de forma presencial na cerimônia de colação de grau. A formanda enviou uma carta, onde lamenta a ausência e reitera que, mesmo sob o terror causado pela violência sobrevivida, ela venceu a faculdade.
Não estou aí porque o homem que tentou apagar a minha luz e a vida de meu filho, caminha livre
A carta foi lida pela docente, Carine Maria Senger, que recebeu a missão de representar Sayonara na cerimônia. A professora conviveu com Saynara em projetos de pesquisa e extensão, e descreveu o momento como “contraditório”. Triste pelo ocorrido e ausência da aluna e honrada por “falar” por ela em um momento tão especial. “Foi um momento de muita emoção”, disse em entrevista à imprensa.
A Unespar prestou apoio a aluna por meio de uma nota oficial. A instituição destacou a força e a coragem de Sayonara em romper o ciclo de violência e ter buscado, por meio da educação, a construção de um projeto de vida autônomo.
Confira a carta escrita por Sayonara:
“Gostaria muito que estas palavras fossem ditas por mim, olhando nos olhos de cada colega, professor e familiar. Mas hoje, minha voz chega até vocês através deste papel, porque a minha presença física me foi roubada.
Formo-me hoje, mas não posso subir ao palco. Enquanto celebramos o fim de um ciclo acadêmico, eu enfrento o auge de um ciclo de injustiça. Não estou aí porque o homem que tentou apagar a minha luz e a vida do meu filho caminha Iivre. Minha ausência nesta festa não é uma escolha, é reflexo da falha de um sistema que ainda obriga a vítima a se esconder enquanto o agressor desfruta da liberdade.
Mas quero que saibam: ele não venceu.
Este diploma que carrega o meu nome é a prova de que, mesmo sob a sombra do medo e da violência, eu não parei. Estudei entre medos e traumas. Escrevi trabalhos enquanto protegia meus filhos. Persisti quando o mundo me dizia que bastava apenas sobreviver.
Aos meus colegas, peço que celebrem também por mim. Que o meu lugar vazio hoje – representado pela professora Carine – sirva de lembrança de que a nossa profissão deve ajudar a construir um mundo onde nenhuma mulher precise faltar à própria vitória para garantir o direito de continuar viva.
Eu venci a faculdade.
Eu venci a silêncio.
E, junto com meus filhos, continuarei vencendo todos os dias.
O meu corpo não está aí, mas a minha conquista é gigante – e ninguém pode tirá-la de mim.
Estudar não é rebeldia.
Estudar é um ato de resistência.
Viva a universidade pública.
Viva a UNESPAR.”








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