Emplacamento de veículos novos em Maringá cai 20% em um ano, enquanto o Paraná registra aumento. A queda teria sido causada pela mudança de uma locadora

Por: - 4 de setembro de 2018
Segundo gerente de concessionária, retração se deve a saída de uma locadora de veículos da cidade (Imagem/Agência Brasil)

Enquanto a frota de veículos aumentou em mais de 3 mil unidades de junho do ano passado até junho deste ano, o número de emplacamentos de veículos novos em Maringá caiu 20%. Até agosto deste ano foram 8.933 veículos zeros emplacados, ante 11.257 no mesmo período do ano passado.

No Paraná, houve um tímido crescimento de 1%. O número de emplacamentos subiu de 152.113 em 2017 para 153.719 neste ano. As informações do Detran mostram que a redução na quantidade de veículos novos que receberam placa em Maringá também vai na contramão do cenário nacional.

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De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), até julho deste ano foram comercializados 1,38 milhão de veículos no Brasil, 14,9% a mais comparado com as 1,20 milhão de unidades vendidas em 2017. Segundo a Anfavea, os dados são positivos mês a mês. Em junho deste ano foram 202 mil veículos zero km comercializados e em julho foram 217,5 mil.

O gerente de vendas de veículos novos de uma concessionária de Maringá, Marco Antônio Pogioli, explicou que a retração no mercado de novos na cidade se deve a saída de uma grande locadora que tinha sede em Maringá e agora está em Minas Gerais. No mesmo período do ano passado, a concessionária tinha vendido 1,8 mil veículos, contra 1,2 mil neste ano.

De acordo com Pogioli, as operações da locadora corresponderam entre 35% e 40% dos veículos vendidos pela concessionária em 2017. Mesmo com a redução, o gerente afirmou que as vendas cresceram no varejo: “Quando falamos de pessoa física, o mercado cresceu 32%, mas em 2017 nós tínhamos a influência de uma grande locadora, que concentrava muito o mercado e emplacava em Maringá.”

Marco Pogioli disse acreditar que os cenários político e econômico incertos não têm impacto na decisão de compra do consumidor. “Agosto foi o melhor mês do ano em relação as vendas de varejo e foi quando começaram as campanhas políticas, mas não vimos aqui nenhum tipo de retração. Para setembro, estamos projetando um mês melhor ainda.”

Só em agosto deste ano, a concessionária vendeu 216 veículos e a expectativa é que as vendas cresçam 40% neste segundo semestre. Para o gerente, com a crise econômica que afetou o setor automobilístico nos últimos anos, o consumidor “aprendeu a comprar e tomar melhores decisões”.

Em outra concessionária vendas aumentaram

Na concessionária que Rubei de Souza Modesto é gerente, as vendas de veículos novos cresceram 10%. Até agosto deste ano foram 439 veículos comercializados ante 398 no mesmo período do ano passado. A concessionária não foi impactada pela saída da locadora porque vende apenas no varejo.

Segundo o gerente, agosto também foi o melhor mês para concessionária, que vendeu 70 veículos, contra 56 no mesmo mês do ano passado. Agora que o mercado está conseguindo se recuperar, a expectativa de Modesto é que as vendas permaneçam estáveis até o final do ano.

“Depois da greve dos caminhoneiros, o mercado teve uma redução de consumo de automóveis e foi retomando aos poucos. Agora, em agosto, a gente percebeu um crescimento significativo e as montadoras também fizeram campanhas para atrair os consumidores de volta para o mercado e isso ajudou bastante”, disse.

Segundo Rubei Modesto, o perfil dos consumidores também mudou e “gastar dinheiro hoje se tornou algo pensado”. Para ele, o cenário político e econômico influencia no momento de fechar negócio. “Tudo, quando se trata de valores, é um pouco mais sensível. Temos um planejamento anual de negócios, que tivemos que refazer duas vezes em função das mudanças de mercado”, afirmou.

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