Na Ceasa de Maringá batata está 50% mais cara e o estoque de banana não foi regularizado. Veja outros aumentos registrados nesta sexta-feira

Por: - 1 de junho de 2018
Vista aérea da Ceasa de Maringá/ Agência Estadual de Notícias)

Os reflexos dos dez dias em que os caminhoneiros ficaram parados são sentidos agora no bolso do consumidor. Os produtos na Ceasa de Maringá estão bem mais caros nesta sexta-feira (1/6) se comprados a sexta-feira (18/5), último dia útil antes da paralisação.

O saco de batatas com 50 kg subiu 50%. Antes da greve dos caminhoneiros, o saco custava R$ 50 e agora é comercializado a R$ 75.

Outro vilão dos preços na Ceasa de Maringá é o limão Tahiti, com um aumento de 51%. A caixa de 25 kg subiu de R$ 72,50 para R$ 110.

Nesta sexta-feira (1/6), a caixa de 22 kg do tomate Longa Vida, estava com preço médio de R$ 65 e em alguns boxes podia chegar a R$ 70. Na sexta-feira (18/5), a mesma caixa podia ser comprada por R$ 45. Um aumento de 44%.

O saco de 20 kg da Cebola Pera nacional, que custava em média R$ 65, agora só pode ser comprado por R$ 80, o que representa um aumento de 23%.

No setor das hortaliças, a alface crespa registrou aumento de 33%. Se antes da greve uma caixa com 18 unidades custava em média R$ 18, agora não sai por menos de R$ 24. O engradado de 24 kg de repolho manteiga também subiu, foi de R$ 24 para R$ 28.

No setor de granjeiros, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos que custava R$ 80 subiu  12,5% e passou a ser vendida por R$ 90.

Nesta sexta-feira, uma caixa de 18 kg de maçã gala tinha preço médio de R$ 90 e podia ser encontrada até por R$ 100. Um aumento de 44% em relação ao período anterior a greve dos caminhoneiros, quando a caixa da fruta custava em média R$ 62,50.

As cotações são divulgadas diariamente no site da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado. Na quarta-feira (30/5), por causa da greve, não houve movimento na Ceasa e a cotação diária não foi divulgada.

Preços devem ser normalizados em uma semana

O vice-presidente da Associação Representativa dos Usuários da Ceasa de Maringá, Edvaldo Roberto Menegassi, acredita que os preços devem normalizar dentro de uma semana. Segundo ele, alguns fatores ainda causam insegurança aos produtores e compradores da Ceasa e podem impactar na normalização dos preços.

“O tomate que estava para ser colhido nesse período de greve madurou e não vem para o mercado. Vegetais como cenoura e beterraba, se você não colhe em dez dias, sai do ponto de comercialização e você precisa de um tempo para que esses produtos retornem ao normal”, explica Menegassi.

Outro fator que causa apreensão nos boxistas da Ceasa de Maringá é a informação que circula nas redes sociais sobre uma nova paralisação de caminhoneiros nesse fim de semana. Segundo o site Boatos.org trata-se de uma notícia falsa. “Estamos com 80% da normalidade na entrada de produtos na Ceasa, mas essa questão de variante de preços a gente precisa de mais dias. Com essa problemática do domingo, tudo muda.”

Mas nem todos os produtos tiveram aumento de preço. Enquanto a banana prata está 20% mais cara na Ceasa de Maringá, a banana maçã registrou uma redução de 14%. Antes da greve dos caminhoneiros, a fruta custava R$ 70 e agora pode ser encontrada por R$ 60.

Para Menegassi, é normal que os preços abaixem por causa das questões climáticas e pela demanda. “A paralisação [dos caminhoneiros] não é a única culpada disso. Existe uma normalidade dos produtos subirem e baixarem de acordo com a entrada no mercado. Se entra muito, cai o preço e se entra pouco, o preço sobe.”

Edvaldo Mengassi comercializa hortaliças e diz que é difícil afirmar o prejuízo que teve durante a paralisação dos caminhoneiros. “Te garanto que eu perdi 33% do faturamento do mês. Tivemos dez dias praticamente parados. Mas são números muito relativos. Depende de época e período, é difícil apresentar essa conta”, afirma.

Banana que está em falta teve que ser jogada fora

De acordo com Evaldo Menegassi, alguns produtos ainda estão em falta na Ceasa de Maringá, como melão, mamão e manga, pois são trazidos da região nordeste do país.

Outro produto em pouca quantidade é a banana, comercializada no box do Eleandro Ferreira da Silva, que na semana passada foi obrigado a jogar fora metade do estoque que tinha da fruta. Segundo ele, o prejuízo de toda a mercadoria jogada fora durante a greve foi de aproximadamente R$ 70 mil.

“A banana é uma mercadoria que você trabalha com estoque. Com a paralisação não veio cliente e essa banana ficou estocada. Como não veio ninguém de fora, os supermercados de Maringá não deram conta de consumir esse volume e tivemos que jogar mercadoria”, conta.

Em períodos normais, Eleandro da Silva vende metade do estoque para Maringá e outra metade para clientes de cidades próximas. Durante a paralisação, com grande volume de estoque, ele chegou a comercializar o quilo da banana por R$ 0,79. “Melhor pouco do que nada”, diz.

Nesta sexta-feira, o vendedor afirma que só conseguiu comercializar a banana porque comprou cargas climatizadas da fruta que vieram de Santa Catarina. O estoque que ele tem ainda não está pronto para consumo. “Na verdade, se fosse vender minha banana climatizada não conseguiria.”

Comparado aos outros dias, Eleandro da Silva considera que o movimento “bombou” nesta sexta-feira. Antes das 11h ele já tinha conseguido zerar o estoque. “Acredito que semana que vem normalize. Mas se parar de novo, aí acredito que vai ser pior do que essa vez.”

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