Técnica narrativa: A ponta do iceberg é o que conhecemos

Olá leitores do Literatura Post! Já pegou sua bebida quente favorita? Aqui estou com um capuccino, para batermos nosso papo de terça-feira.

Como disse em nossa primeira conversa, o estudo e uso de técnicas na literatura é essencial para ter uma narrativa charmosa e que prende o leitor, por isso existem aqueles livros que você não consegue largar, e promete que só lerá mais um capítulo, e quando percebe, já são três da manhã e você não cogitou parar de ler.

Uma dessas técnicas eu vou te contar hoje. Você já ouviu falar da teoria do Iceberg? O escritor superfamoso Brandon Sanderson é adepto dessa técnica.

Brandon Sanderson é conhecido por Mistborn e por escrever os últimos livros da série A Roda do Tempo.

Mas do que se trata essa teoria?

Você já sentiu ao ler um livro que os elementos da história, o mundo e até o universo daquela narrativa são muito mais complexos do que o autor nos conta? É como se só enxergassem aquele pequeno pedaço flutuante de gelo acima do mar, sem ter noção nenhuma da porcentagem do gelo que está abaixo d’água.

E é dessa forma que funciona: o autor sabe muito mais do que nos conta. Mas, por que isso acontece?

Quando escrevemos uma história, selecionamos uma fatia de vida de nossos personagens e os eventos que irão permear a história, em seu começo, meio e fim. Todos os capítulos, diálogos devem cobrar algo do passado, revelar algo do presente ou nos dar um vislumbre do futuro da história, caso contrário, essa parte não precisa estar na linha do tempo da história. Mas isso não significa que não seja importante só que pode ser contada de outra forma ou nas entrelinhas, por exemplo nos diálogos ou ações dos personagens.

Pense em uma fantasia épica, onde há muitos elementos para serem pensados na composição do mundo fantástico, dividimos entre aspectos materiais (relevo, clima, raças, fauna, flora) e imateriais (cultura, castas, usos e costumes, comércio, educação). Porém, são tantos detalhes a serem pensados que escolhemos três destes aspectos que deram destrinchados, pois são os mais importantes e que se conectam a sua história.

Em Crônicas de gelo e fogo, os principais aspectos que distingo são: hierarquia e castas, divisões territoriais e folclore/ criaturas místicas. Ou seja, as informações que são pertinentes para o prosseguir da história são focadas e muito detalhadas. Porém eu tenho certeza que o George R.R. Martin sabe muito mais do que nos conta, caso contrário o livro ganharia muitas outras páginas e não significa que elas seriam necessárias, e não podemos esquecer que dessa forma ele tem material suficiente para criar outras histórias derivados de sua série principal.

No final, o que vale é que você leitor desfrute de todo o seu passeio livro adentro, como em uma pequena canoa vendo o iceberg ao longe, sem distrações, apenas seguindo seu caminho e aproveitando o passeio, sem ruídos, nada que retire sua suspensão de descrença ou balance seu barco para lhe lembrar do mundo real.

Você sabe que o Iceberg está alí, que há muitos metros de gelo abaixo, porém saber o tamanho do gelo não fará diferença nenhuma, pois apenas quer admirar a paisagem. E no final do livro sentir que leu “aquela história” com o coração satisfeito, ou sedento por respostas da continuação. 

Gostaram de conhecer essa nova técnica narrativa? Você conhecia? Não hesite em deixar seu comentário. E não esqueça, toda terça-feira teremos esse papo sobre literatura.

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