Baseado nas obras literárias de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, projeto realiza oficinas teatrais gratuitas e mostra de filme na Casa da Cultura no Jardim Alvorada

Por: - 16 de outubro de 2018
Oficina de maquiagem artística e caracterização está com as inscrições abertas (Imagem/ Divulgação)

A Casa da Cultura Alcidio Regini, no Jardim Alvorada, será palco de cinco oficinas gratuitas de formação teatral em outubro e de um ciclo de exibição de filmes em novembro. As atividades fazem parte do projeto cultural “Do Alto do Outeiro, Caeiro Vê Dois Mundos”,  contemplado pelo Prêmio Aniceto Matti de incentivo à cultura.

O projeto, baseado no universo literário de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, prevê no final a montagem e apresentação de uma peça de teatro de pesquisa. Para montar a peça, é necessário a realização das oficinas previstas dentro do seminário “Teatro Entre Dois Mundos”, que serão abertas à comunidade.

“A gente traz esse conceito de teatro de pesquisa, onde o próprio ator se responsabiliza pela sua formação, tanto técnica quanto ética. O seminário vem para formar e criar esse lugar de aprendizagem, não só para minha equipe, mas para outros artistas”, disse o coordenador do projeto, Lucas Fiorindo.

Nesta semana, o projeto cultural organiza o terceiro seminário do mês. Ainda há vagas para as oficinas de recitação de poesias e de maquiagem artística e caracterização, que ocorrem nas próximas semanas. As inscrições são gratuitas e os interessados devem solicitar o formulário pelo e-mail: [email protected] .

O termo “dois mundos”, utilizado no projeto, é uma referência às diferenças estéticas entre o ocidente e o oriente. A ideia é mostrar como o universo poético e a obra de Alberto Caeiro passeia sobre esses dois mundos.

“Alberto Caeiro escreve na perspectiva de alguém que não gosta de pensar e, a partir disso, ele consegue criar uma estética pura, desprendida do sentimentalismo e muito próximo da poesia japonesa. Mas, ao mesmo tempo, ele também traz uma carga simbólica do cristianismo”, afirmou Fiorindo.

A peça de teatro de pesquisa, montada ao final do projeto cultural, será um monólogo da obra “O Guardador de Rebanhos”, de Alberto Caeiro. A ideia do coordenador do projeto é que a apresentação tenha início em fevereiro e não fique restrita apenas à Casa da Cultura do Jardim Alvorada e seja apresentada em outros teatros e espaços culturais da cidade.

Casa da Cultura do Jardim Alvorada exibe filmes

Apesar das oficinas exigirem um maior nível técnico dos participantes, a exibição de filmes em novembro será mais acessível à comunidade. A mostra intitulada “Cinema Entre Dois Mundos” também pretende discutir as diferenças cinematográficas entre o ocidente e o oriente. As datas de exibição dos longas ainda não foram definidas, mas a ideia é exibir um filme por semana na Casa da Cultura do bairro.

Para Lucas Fiorindo, que é morador do Jardim Alvorada, o projeto é importante porque ocupa espaços culturais, que muitas vezes ficam vazios, com atividades de formação. ”A gente tem espaços municipais que não têm uma vida criativa. Estão lá, às vezes recebem um espetáculo, oficina, mas são desabitados. Não é um lugar que está em diálogo com a comunidade e formando público”.

Confira os filmes que serão exibidos em novembro

“O Vento Lá Fora” – Márcio Debellian

Documentário – Brasil, 2014.

“O Filme do Desassossego” – João Botelho

Drama – Portugal, 2010.

“Camelos Também Choram” – Byambasuren Davaa, Luigi Falorni

Documentário – Mongólia, 2003.

“Irmão Sol e Irmã Lua” – Franco Zeffirelli

Drama/Biográfico – Itália, 1972.

“Silêncio” – Martin Scorsese

Drama – EUA/Japão, 2016.

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