Vinicius Mochizuki, o garoto que trocou Maringá pelo Rio para enquadrar Susana Vieira, Ellen Rocche, Biquini Cavadão, Jim Carrey e quem mais vier

Por: - 20 de abril de 2018
Vinicius Mochizukijá fotografou capas de revistas como Caras, Vogue, Contigo e Corpo a Corpo (Imagem/Arquivo pessoal)

Nomes de personalidades badaladas como Susana Vieira, Carla Dias, Ellen Rocche, Camila Queiroz, Andreia Horta, Tatá Werneck e até o ator canadense Jim Carrey passaram pelas lentes de um ex-garoto tímido e acanhado, hoje com 29 anos, que viveu parte da adolescência na Rua Monsenhor Kimura, em Maringá.

Foi no Edifício Del Torres, Zona 2, onde Vinicius Mochizuki morava e costuma se reunir na calçada do prédio com os amigos para brincar e conversar, que ele também deu os primeiros cliks que o levaram ao mundo da fotografia profissional.

O trabalho de Mochizuki é produzir ensaios para capas de revistas de moda, beleza e books de famosos no Rio de Janeiro. A lista de quem já posou para o rapaz é extensa e de peso, tanto que, ao ser questionado, na manhã desta sexta-feira (20/4), teve dificuldades para lembrar.

Mas enumerou meia dúzia de pessoas e de algumas revistas importantes para as quais já fez fotos e ganhou capa, como Vogue, Caras, Quem, Playboy, Corpo a Corpo e Contigo. Os principais trabalhos dele estão no seu perfil no Instagram.

Apesar de ter nascido em Ubiratã, a quase 200 km de Maringá, Mochizuki mudou para Maringá quando tinha 11 anos. Atualmente ele mora no Rio de Janeiro, mas sempre que pode vem rever a família e os amigos.

Para o fotógrafo, visitar a cidade é recarregar as energias e desligar-se da correria do dia a dia. Também tenta, quando é possível, deixar o trabalho de lado.

Quando saio de férias estou em Maringá. Quando estou aí parece que é minha casa, no Rio parece que estou só trabalhando. Quando estou em Maringá não faço foto e não levo câmera, tenho pavor.

Vinicius preferiu o Rio de Janeiro ao Japão

Vinicius Mochizuki estudou no Instituto de Educação Estadual de Maringá, onde concluiu o Ensino Médio. Com 16 anos, toda a família decidiu ir morar no Japão, mas como ele não queria, resolveu se arriscar e foi para o Rio de Janeiro.

No Rio, ele pensou em estudar música, mas a timidez fez com que optasse pelo curso de Artes Dramáticas, na faculdade Casa das Artes de Laranjeiras (CAL).

Quando estava no último ano da graduação, Mochizuki resolveu fazer um curso de fotografia no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Pronto, se encontrou de vez com as lentes.

Praticamente terminou a graduação e o curso juntos. E o primeiro emprego já foi na área de fotografia, na revista cultural Camarim. Conta que nunca imaginou que a fotografia poderia um dia se tornar profissão.

Foi uma coisa que construí, mesmo sem saber, desde quando sai daí. Gostava muito de fotografia, mas nunca imaginei que iria trabalhar na área.

Mochizuki lembra que o pai, descendente de japonês, sempre o presenteava com equipamentos ligados a tecnologia, como câmeras e filmadoras. Eu era um nerdizinho”, diz, e conta que um importante incentivo à fotografia começou no Edifício Del Torres, ainda na pré-adolescência:

Na época eu fiz um site do prédio, coisa de criança, tinha 12 ou 13 anos. Lembro que tirava fotos e fazia as notícias do prédio.

Hoje, o fotógrafo tem estúdio próprio no Rio e trabalha como freelancer para revistas e na produção de campanhas publicitárias. Nos ensaios, faz questão de participar de todo o processo: monta cenário, faz maquiagem, produz e fotografa.

Com a quantidade de trabalhos crescendo, ele agora tem uma equipe que ajuda na produção, mas no começo fazia tudo sozinho. Para Mochizuki, a vontade de participar de tudo nos ensaios vem da formação artística.

Na faculdade de artes a gente sempre teve que produzir tudo, então acho que me ajudou muito. Como era um cara que vem da pegada artística, não tinha como fugir da produção, precisava criar aquilo para sentir que aquela foto tinha sentido para mim.

A rotina de trabalho é corrida, de domingo a domingo, das seis da manhã até a meia noite. De vez em quando, consegue uma folga entre um trabalho e outro para ler e descansar. Um detalhe: Mochizuki não tira fotos de mais de uma pessoa por dia.

A fotografia, para mim, não é só trabalho. É momento de criação, que depende de um tempo para nascer, trocando energia com a pessoa que está sendo fotografada. Gosto de curtir o processo, então não permito três, quatro pessoas por dia, porque não consigo manter contato.

Relação quase inseparável com a câmera

Para captar o momento exato da ação ou do fato, uma das premissas do fotógrafo é não tirar a câmera da frente do rosto. Mochizuki conta que no começo, era um daqueles fotógrafos que andava com a câmera na mão, independentemente do lugar onde estivesse.

Hoje, garante que continua levando a câmera para qualquer lugar, mas quando pode tenta deixar de lado.

Como vivo com ela, quando tenho um tempinho para dar uma relaxada prefiro ficar quetinho. Se eu estou com a câmera na mão, vou correndo atrás do que quero fotografar, então não levo e tento dar uma relaxada.

Mas não adiana. Onde vai, sempre tem alguém pedindo ‘tira uma foto minha’:

Eu sempre tenho que tirar a foto. Mesmo que tenha um fotógrafo, alguém está com o celular e me dá para tirar foto, brinca.

Admiração por Suzana Vieira e outras histórias

Vinicius Mochizuki fotografa a atriz Carla Dias (Imagem/Reprodução)

Com uma lista extensa de famosos fotografados, Vinicius Mochizuki não esconde a intimidade que criou com alguns deles. A atriz Susana Vieira é um exemplo, a quem rasga elogios durante a entrevista, feita por telefone, depois de três dias e vários ligações, até ele dar o retorno.

A Susana Vieira é maravilhosa, não só pelas fotos, mas pela pessoa que é e a amizade que rolou ali na hora.

Durante a carreira, um dos maiores desafios do fotógrafo foi tirar fotos do canadense Jim Carey, pelo fato de ser novo na profissão.

Me marcou muito ter contato com uma pessoa internacional. Foi muito corrido. A revista me mandou para o hotel e foi uma pressão gigantesca dos seguranças, sempre de olho nele.

Outro trabalho que Mochizuki fez quando estava no início da profissão e que marcou foram as fotos da banda Biquini Cavadão.

– Lembro que o guitarrista da banda, que também é produtor, no final da sessão de fotos falou: ‘Nunca mais desconfio de um menino de 20 anos’.

Queridinho das celebridades, ele não para. Durante a entrevista, às 9 horas da manhã, ele contou que já havia entregado um trabalho publicitário e que, assim que desligasse o telefone, iria produzir um editorial de maquiagem para o jornal Extra.

Um dos últimos trabalhados produzidos por Vinicius Mochizuki foi a capa da revista Nova Canal, com a atriz Ellen Roche.

Fazendo referência à personagem Suzy, que a atriz interpreta na novela “O Outro Lado do Paraíso”, da Rede Globo, Ellen Roche se caracterizou de boneca, no estilo de Susi, da Estrela, concorrente da Barbie no Brasil.

Veja algumas fotos e capas de Vinicius Mochizuki 

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