Flash tattoo é atração em festas e bares de Maringá. Tatuadores e tatuados precisam cuidar para evitar arrependimentos

Por: - 1 de dezembro de 2017
Jovem aproveita a balada para fazer mais uma tatuagem / Bruno Donato

A flash tattoo tem ganhado cada vez mais espaço em eventos e bares nas noites maringaenses. A ideia do negócio é que pessoas aproveitem os momentos de diversão com os amigos e voltem para casa com a pele tatuada, sem precisar ir a um estúdio.

Raul Ricardo Moura Basaglia, mais conhecido como Raul Tattoo, do Lann Tattoo Studio, começou a tatuar em festas há dois anos. Ele revela que a maior dificuldade é selecionar clientes.

“É um pouco chato, mas nas festas é preciso selecionar o pessoal que está mais tranquilo, menos alcoolizado, para não gerar arrependimento e problemas futuros”, conta.

Na flash tattoo os desenhos são autorais. Geralmente, os tatuadores disponibilizam um “catalogo de tatuagens” para os clientes escolherem.

A tatuadora do estúdio Hausenback Tattoo, Ana Carolina Gimenes, que trabalha na baladas diz que a preferencia é por tatuagens menores, que demandam no máximo uma hora para serem gravadas na pele.

Em relação ao público, Ana revela que, nas festas “as mulheres são a maioria dos clientes. Elas buscam traços delicados, no estilo blackwork, que é minha especialidade”.

O blackwork é um estilo de tatuagem considerado como um dos mais difíceis. É feito com  traços simples em preto, mas exige um conjunto de técnicas de sombreamento, geometria e pontilhismo.

Flash tattoo feita pela tatuadora Ana Carolina Gimenes / Foto: Divulgação

Flavia Rodrigues Garcia, 26 anos, tatuou a palavra “freedom” em uma festa no Kubitschek Bar, em outubro. Ela conta que, se não fosse na festa, não teria feito a tatuagem até hoje.

“Eu já tinha vontade de fazer uma tatuagem na costela, mas meus amigos me colocavam medo. Diziam que iria doer muito”, revela. Ela diz que uma vez chegou a agendar um horário no estúdio, mas cancelou por medo.

Flavia descobriu a atração quando chegou ao bar. Na hora, tomou a decisão de tatuar. “Na balada, parece que o medo some, você cria coragem”, conta.

Ela diz que gostou da experiência e recomenda para os amigos. “No fim das contas nem doeu tudo aquilo que o pessoal me disse. Foi bem rápido.”

Resultado para tatuadores é positivo

A Retroink Estúdio tem três tatuadores que tatuam em festas. O gerente do estúdio, Pedro Bonfatti, diz que os eventos ajudam a “divulgar os desenhos dos tatuadores e trazer clientes que querem fazer tatuagens maiores e mais demoradas para o estúdio”.

No geral, as artes têm preços entre R$ 50 e R$ 150. Ana diz que as casas noturnas e organizadores das festas a convidam para ser mais um atrativo.

Todo o material de trabalho e rendimento é de responsabilidade da tatuadora. Ela afirma que vale a pena.

“Na primeira festa não valeu a pena. Se tivesse trabalhado de dia no estúdio lucraria mais. Na última vez, deu um rendimento bacana. Foi melhor que um dia de semana no estúdio”, contabiliza.

Raul Tattoo diz que as festas têm um movimento maior na comparação com o estúdio. “Mas o tatuador tem que ter consciência. Não pode pegar mais trabalhos do que dá conta. Se não, corre o risco de perder na qualidade das tatuagens”, explica.

Procedimento de higienização é o mesmo dos estúdios

Quando a questão é higienização, os tatuadores dizem que seguem o mesmo processo do estúdio. A diferença é que eles precisam transportar todo equipamento, o que inclui maca, agulhas descartáveis, entre outros materiais para o procedimento e esterilização.

Para evitar que o público chegue próximo dos tatuadores, Bonfatti e Raul Tattoo dizem que as macas ficam cercadas por correntes. O objetivo é delimitar o espaço e impedir o risco de alguém bater neles por acidente ou derrubar bebida.

A gerente de vigilância sanitária de Maringá, Rosa Maria Cripa Moreno, diz que as regras para esse tipo de tatuagem devem seguir a legislação estadual e o código sanitário do Paraná.

Para eventos, é necessário fazer o requerimento para emissão de autorização. Rosa diz que esses requerimentos não são registrados no sistema e, que este ano, não recorda de ter emitido nenhum. Por coincidência, ela teria recebido a solicitação de um requerimento na quinta (30/11) – dia da entrevista.

Ana e Raul Tattoo dizem que não tinha conhecimento da exigência de autorização. Bonfatti diz que a autorização é de responsabilidade das casas noturnas e organizadores das festas.

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