Filho de lavadeira e pipoqueiro, ex-operário é uma das grandes atrações da Flim. Saiba mais sobre quem vem

Por: - 20 de outubro de 2017
Luiz Ruffato se apresenta na noite de abertura da Flim, dia 26

Entre os dias 26 e 29 de outubro será realizada a 4ª Festa Literária Internacional de Maringá (Flim), na Praça Renato Celidônio. A Flim é um espaço de ações que promovem a inclusão por meio da experiência da literatura e outras manifestações artísticas.

Durante os quatro dias do evento, visitantes irão acompanhar lançamentos de livros, sessões de autógrafos, debates, oficinas, mesas-redondas, exibição de filme, apresentações de teatro e também musicais. Além disso, editoras terão estandes com livros para venda.

A Flim, mesmo recente, já é um evento de sucesso em Maringá desde a sua primeira edição e, no ano passado, recebeu cerca de 8 mil visitantes. A expectativa é de um público ainda maior, com a programação diversa, mais dinâmica e completa.

A programação divulgada, você confere nesse link: Programação.

Agora, para que você possa se inteirar de forma mais completa e conhecer um pouco mais sobre o Flim, o Maringá Post preparou uma reportagem especial sobre os principais convidados da festa, as atividades e todo o trabalho dos organizadores.

Maringá receberá muitos autores renomados mundialmente, de uma nova geração da literatura e do uso da linguagem. Conheça mais sobre eles:

Gonçalo Tavares

Nascido em Luanda, no ano de 1970, é filho de pai engenheiro e mãe matemática, portugueses, mora em Portugal desde os 3 anos e se formou em Educação Física. Escreve desde os 12 anos, mas só publicou seu primeiro livro em 2001 e, atualmente, tem mais de 30 livros publicados.

Em 2004 publicou sua obra mais conhecida, Jerusalém, muito aclamada pela crítica e incluída na edição europeia de “1001 livros para ler antes de morrer”.

Sobre a mesma obra, José Saramago disse que “Gonçalo Tavares não tem o direito de escrever tão bem com apenas 35 anos: dá vontade de lhe bater!“, num curioso elogio. Para ele, Tavares é um dos melhores da geração e potencial candidato ao Nobel de Literatura.

De vasta e diversa produção, que inclui romance, teatro, poesia, contos, séries e mesmo enciclopédias, Gonçalo Tavares é um entusiasta sobre a modernidade e o poder da linguagem.

Na Flim, além dos autógrafos na tarde da abertura, no Auditório Flim, também participará da oficina “Escrita, Leitura e Imaginação”, abordando temas como o conceito de erro, racionalidade e irracionalidade, a objetividade e a subjetividade.

  • Serão 20 vagas e ocorre das 9h30 às 12h, na quinta dia 26.

Luiz Ruffato

Mineiro de Cataguases, filho de um pipoqueiro e uma lavadeira, trabalhou como operário na indústria têxtil. Mudou para Juiz de Fora, onde formou-se em Comunicação Social ao 21 anos. Mudou para São Paulo em 1990 e trabalhou no Jornal da Tarde.

Lançou o primeiro livro, de contos, em 1998. Contudo, foi em 2001, com Eles Eram Muitos Cavalos foi aclamado pela crítica como um dos livros mais importantes da ficção brasileira, que retrata o dia 9 de maio de 2000, em São Paulo, numa junção de 70 textos de estilos alternados.

A pentalogia Inferno Provisório conta a história do operariado do Brasil entre 1950 e 2002, com o último livro lançado em 2011. Fez o discurso de abertura da Feira do Livro de Frankfurt em 2013, onde fez pesadas críticas às desigualdades sociais do nosso país.

  • Na quinta, dia 26, debate sobre “Literatura e Realidade”, no Auditório Hélio Moreira, às 19h30.

Raphael Montes

Com 27 anos, o carioca é um dos autores mais promissores da atual geração. Também advogado, teve contos publicados em antologias e revistas, incluindo aí a Playboy e a americana Ellery Queen’s Magazine.

Logo aos 20 anos, foi finalista do Prêmio Machado de Assis e São Paulo de Literatura, com a obra Suicidas.

O segundo livro, Dias Perfeitos, foi vendido para 22 países e escolhido o livro do mês pela Amazon estadunidense, recebendo críticas elogiosas em importantes veículos internacionais.

Recentemente, lançou seu terceiro livro, Jantar Secreto. Todos tiveram os direitos cedidos para adaptação para o cinema, enquanto Raphael assina roteiros e uma coluna semanal no jornal O Globo.

  • Já um sucesso do gênero, estará no Auditório Hélio Moreira, sexta às 17h15, no Auditório Hélio Moreira, mediado por Marcos Peres.

José Roberto Walker

Diretor da TV Cultura, é publicitário e formado em História pela Universidade de São Paulo. Também dirigiu a Orquestra Filarmônica Vera Cruz e produziu mais de 100 gravações de espetáculos, de música e dança.

  • No sábado, dia 28, irá conversar sobre o livro Neve sobre a manhã de São Paulo, que reproduz o romance entre Oswald de Andrade e Maria de Lourdes Castro para a história de transformação da cidade paulistana, vista de um apartamento por um grupo de jovens artistas. Todo o trabalho foi baseado em pesquisa documental.

João Carrascoza

Escritor com mais de 30 livros publicados , com 55 anos e experiência de décadas no mercado publicitário, professor da ECA/USP, recebeu o Prêmio Jabuti em 2006 por O Volume do Silêncio. Também tem obras publicadas no exterior, algumas já premiadas.

  • Carrascoza participará de uma mesa, domingo, mediada pelo autor maringaense, Marcos Peres, sobre o livro Diário das coincidências: Crônicas do acaso e histórias reais.

Além de autores de literatura ficcional, a presença de educadores e gestores educacionais é importante para conversar sobre a importância do livro. Os destaques são:

Yvette Pais

A mexicana graduada em Educação nos EUA é professora de ensino fundamental e consultora educacional. Morando em Curitiba, atualmente, tem experiência na área de educação em casa, e incentiva o método.

  • Autora dos livros infantis, que também ilustra, Yvette participa de duas atividades da Flim, palestrando para educadores, na tarde de abertura, dia 26, com o tema “Contar, rimar e criar”, que tem inscrição prévia; e na sexta, dia 27, promove “Contação de Histórias para Crianças”.

Carlos Moore

Cubano, 75 anos, é escritor, pesquisador e cientista social, investe seu trabalho no registro da história e da cultura negra. Viveu em Cuba até os 15 anos, depois para Nova Iorque, onde estudou sobre justiça racional.

Voltou à Cuba para juntar-se ao movimento revolucionário de Fidel Castro, mas por ser contrário às situações de discriminação racial, foi preso algumas vezes e, a partir de 1963, se mudou para a França, onde iniciou a vida acadêmica e como jornalista.

Importante ativista, com doutorado pela Universidade de Paris-7, esteve ao lado de figuras como Malcolm X, o poeta Martinica Aimé Césaire e Alioune Diop. Foi perseguido em Cuba e também pelo FBI, por movimentos de esquerda e direita. Passou por Egito, Nigéria, Senegal e, desde 1998, mora em Salvador, no Brasil.

  • Na sexta, dia 27, participa de uma mesa-redonda com o tema “Panafricanismo e a história do racismo”, mediada por Marivânia Conceição de Souza. Pichón é sua obra autobiográfica que conta sua história de lutas, e também será discutida na Flim.

Cíntia Alves

Bacharel em Direção Teatral pela ECA/USP, pedagoga e pesquisadora de acessibilidade estética. Fundou e coordenou o Laboratório de Dramaturgia do Teatro Safra, além de ser jurada do Prêmio Jabuti.

Autora e diretora de peças para crianças, recebeu vários prêmios em São Paulo e é autora do livro Poema e outros Bichos .

  • Na sexta, dia 27, ministrará “Atividade Formativa para educadores e artistas em geral”, no Auditório Hélio Moreira, entre 9h e 11h30 e depois entre 13h30 e 17h30.

Cláudia Costin

Graduada em Adminstração Pública pela FGV, professora universitária, é mais conhecida pela sua atuação como gestora. Foi ministra da Administração e Reforma no governo Fernando Henrique Cardoso, Secretária de Educação do Rio de Janeiro e Secretária de Cultura do Estado de São Paulo.

Fez parte da Diretoria para Educação do Banco Mundial entre 2014 e 2016 e, atualmente, coordena o Centro de Inovação em Políticas Educacionas (CEIP) na FGV, além de ter uma coluna semanal na Folha.

  • Professora visitante em Harvard, Cláudia vem a Flim para um bate-papo com o tema “Leitura para a Educação”, dirigido para educadores e bibliotecários. Acontece no Auditório Hélio Moreira, sábado, dia 28, às 9h.

Cristiane Costa

Formada em Jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atualmente é coordenadora do curso de Jornalismo da Eco-UFRJ.

Foi editora de diversas publicações, como a revista Nossa História e do Overmundo, também é pesquisadora premiada. Foi responsável pela criação do curso de Publishing Management da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e curadora do XI Seminário Internacional da Crítica, organizado pelo Itaú Cultural.

Na edição de 2017 da Flim, vem para conversar sobre o seu livro Sujeito Oculto, uma narrativa que é montada com citações, colagens, recortes de jornal, sublinhados de outros livros e afins.

A obra é um conjunto experimental de linguagem que brinca com o “plágio” e a originalidade das ideias, a partir da história de um médico que lida com a morte da mulher lendo as anotações que ela deixou.

  • Cristiane Costa participará de uma mesa, no sábado, dia 28, e no domingo, dia 29, participa de um encontro com os Clubes de Leitura de Maringá. Às 15h promove oficina, com inscrição prévia, sobre seu processo criativo.

Música e teatro também é literatura e, por isso, haverá apresentações especiais todas as noites. Confira quem vem por aí:

Gero Camilo

Natural de Fortaleza, Ceará, artista é a palavra que define Gero Camilo. Ator, diretor, cantor, compositor e dramaturgo, sempre elogiado e destacado em seus 47 anos de vida.

Começou no teatro aos 19 anos, e aos 23 se mudou para São Paulo, onde se formou na Escola de Arte Dramática. Sua primeira peça, Procissão, é uma narração da luta pela sobrevivência de romeiros no sertão, dirigida e interpretada por ele.

Começou no cinema em 2000, e fez parte de alguns dos maiores filmes nacionais do começo do século, como Bicho de Sete Cabeças, Carandiru e Cidade de Deus. Na televisão, participou de Hoje é dia de Maria, Som & Fúria e Gabriela.

Enquanto autor, lançou A Macaúba da Terra em 2002, um livro de contos e peças , muito elogiado pela crítica e de grande repercussão até hoje.

  • A obra é base de várias peças encenadas por ele, inclusive de Caminham Nus Empoeirados, peça que apresenta na Flim, na noite de abertura, dia 26.

Antônio Nóbrega

Recifense de 65 anos, também é um artista múltiplo e reconhecido por um dos maiores nomes da literatura nacional enquanto violinista da Orquestra de Câmara da Paraíba e da Orquestra Sinfônica de Recife.

Em 1971, foi convidado por Ariano Suassuna para fazer parte do Quinteto Armorial, grupo que misturava a música de câmara com as raízes da cultura nacional.

A partir de 1976, iniciou a criação de um estilo próprio nas artes cênicas e na música, com fortes laços com a cultura popular brasileira, como o caboclinho. Um talento único capaz de reunir a arte popular e aquela “sofisticada”, o artista gravou 7 CDs e diversos espetáculos.

Conhecido em diversos países e muito premiado, recebeu duas vezes a Comenda do Mérito Cultural. Com a mulher, Rosane Almeida, idealizou e dirige em São Paulo o Instituto Brincante, um espaço de aprendizado e manifestação artística da cultura brasileira.

O filme Brincante, de Walter Carvalho, conta a história de Nóbrega numa mistura de ficção e documentário.

  • Apresenta-se no Auditório Flim, na sexta, dia 27, a partir das 21h.

Ignácio de Loyola Brandão

Aos 81 anos, o romancista, cronista e jornalista continua sua carreira diversificada. Foi repórter do jornal Última Hora e, de lá, viajou a Itália para ser roteirista de cinema, mas acaba sendo lá que lança seu primeiro livro, Zero, em 1974, depois de ser recusado por editoras nacionais. Quando lançado no Brasil, foi censurado.

No fim da década 1970, abandona o jornalismo para se dedicar à literatura. Foi conferencista nos EUA e também morou em Berlim por 16 meses.

Tem mais de 40 obras publicadas e já recebeu o Prêmio Jabuti, em 2008, e o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra, em 2016.

  • Um dos mais importantes nomes da literatura brasileira, apaixonado por cinema e música, fará apresentação musical com sua filha, Rita Gullo, reunindo suas muitas memórias, no sábado, dia 28, às 21h.
  • No dia seguinte, 29, participa de mesa-redonda às 15h45, no Auditório Flim.

Mel Duarte

Aos 28, é poeta e produtora cultural formada em Comunicação Social. Desde 2006, atua com literatura independente, quando conheceu os Saraus em São Paulo, onde nasceu e vive até hoje.

Compõe o coletivo Poetas Ambulantes, que realiza intervenções poéticas em meio ao transporte público paulistano. Já teve poesias publicados em mais de 10 antologias. Também organiza batalha de poesias para o gênero feminino, o Slam de Minas – SP.

Participou da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 2016, na qual apresentou poemas que falavam sobre objetificação sexual, racismo e empoderamento.

  • Na Flim, faz o encerramento com Sarau Néctar – Oralidade e Empoderamento, no domingo, dia 29.

Entre as atrações, há destaque para artistas e autores da própria Maringá, valorizando e mostranda a cara de quem é daqui

Thaís Pimpão

Infância passada em Maringá, ex-aluna do Colégio de Aplicação da UEM, Thais tem 40 anos. Começou a carreira de atriz no Teatro Universitário e participou de projeto no Lar Escola da Criança e do Adolescente.

Foi participando de um festival, em 1997, que foi convidado a trabalhar numa peça em São Paulo. Dali em diante, passou pelo Sesi, se formou na Escola de Arte Dramática da USP em 2002 e participou de diversas peças.

Em 2005, venceu o Prêmio Shell, uma das premiações mais tradicionais do teatro brasileiro. Repetiu a dose em 2010.

  • Hoje em dia trabalha com o dramaturgo Gustavo Kurlat, que é quem a traz de volta a Maringá para a peça Vou Eu, com três apresentações na Flim: sexta, dia 27, às 9h e às 14h.
  • No sábado, dia 28, às 9h15.

Café Filosófico

O evento é organizado numa parceria entre o Departamento de Filosofia da UEM, sob orientação do o do Professor Evandro Luís Gomes, e a Universidade Aberta a Terceira Idade (Unati). O Sesc é parceiro e cede o espaço para as reuniões.

“Os encontros são mensais, na última terça de cada mês”, informa Gomes. Existem temáticas que conduzem a conversa a partir de recortes de filmes, livros e situações do cotidiano. É a primeira participação na Flim e busca mostrar um trabalho contínuo para a cidade, não como uma atividade isolada exclusiva do evento.

  • Na quinta, dia 26, haverá duas atividades para crianças até 12 anos, uma de manhã e outra à tarde, onde haverá provocações de conversa a partir da contação de histórias.
  • Às 17h de sexta, 27, conduzido pela professora Terezinha Oliveira, o evento será aos moldes tradicionais, com o tema Reflexões sobre as virtudes sociais em Tomás de Aquino.

Academia de Letras de Maringá (ALM)

Fundada em 1997, a ALM tem por objetivo a valorização da língua em seus aspectos científicos, históricos, literários e artísticos. Jeanette Monteiro de Cnop foi uma das fundadores e atualmente é a presidente.

Segundo Jeanette, a Academia cumpre importante função de apoio à comunidade, com a promoção de concursos literários para a cidade, indo de alunos da rede pública a autores que buscam se profissionalizar e, hoje, é composta por personalidades importantes de Maringá.

Além disso, haverá espaço para comercialização de produção de membros da ALM e parte da renda será destinada ao Asilo São Vicente de Paulo. Em 2016, o repasse foi de cerca de R$ 3.500,00.

Jeanette destaca que, por mais que a participação da ALM tenha sido menos intensa em 2017 [a secretária de Cultura da gestão anterior, Olga Agulhon, é fundadora da Academia], há importantes ações em breve, como o VIII Concurso Literário Cidade de Maringá. 

“Existem 12 candidatos para ocupar 3 cadeiras da Academia. Os novos membros e a nova diretoria tomarão posse em breve”, informa Jeanette.

  • Na Flim, dividirá estande com a União Brasileira de Trovadores, e promoverão oficina de trovas na sexta, às 15h. Também haverá saraus, na sexta e no sábado, entre 18h15 e 19h15.

Cia Pedras Teatro Circo

Fundada em 1994, por Iara Ribeiro, a ideia da Cia Pedras é ser um grupo de estudos de circo, teatro e dança. Com mais de 10 espetáculos, cursos para professores e oficinas, há um diverso repertório. Tem sede própria, na Zona 7, e atende mais de 80 alunos, com aulas e atividades de valorização da arte local.

A Cia vem de parceria com a Secretaria de Cultura com diversas ações e compõem o planejamento de formação cultural de Maringá.

  • Se apresentam na Flim pela segunda vez, encerrando sua temporada do mês de outubro. Apresentarão o Histórias que vovó contava na quinta, dia 26.

Com a palavra, os organizadores

Mateus Moscheta é diretor da Secretaria de Cultura e conversou sobre o processo de organização da Flim. “É importante entender que é uma festa, não é uma feira, e isso diferencia a estrutura”, explica.

Entre as principais diferenças para a edição deste ano, há uma participação efetiva da Câmara Brasileira do Livro (CBL), que é uma entidade que promove o mercado editorial e a leitura no Brasil, além de organizar o Prêmio Jabuti; e também a figura de um curador para o evento.

Além disso, a estrutura não será no formato de corredores, e sim um pavilhão com um palco ao centro, com o objetivo de garantir maior interação entre os participantes e também a dinâmica do público com as atrações.

A participação das editoras também envolveu contrapartida para a presença de alguns autores, como forma de aliviar os custos do evento.

Moscheta relata que houve algumas dificuldades com pessoal, já que a equipe da Secretaria assumiu recentemente, mas que a preparação vem acontecendo desde fevereiro, mesmo com alguns imprevistos.

“A Flim deve ser uma congregação do que aconteceu no ano, ou um ponto de partida para novas ações, não um evento isolado”, é o que o diretor de Cultura aponta como objetivo contínuo da Flim.

Ações de formação acontecerão durante o evento, mas também foram feitas com educadores, bibliotecários e gestores de Maringá, como a participação na Flip e oficinas de literatura em conjunto a medidas socioeducativas.

Em primeira mão, Moscheta adianta que será lançado, durante a Flim, um edital para artistas locais para as atividades de incentivo cultural, e não mais no formato de contratação de gestões anteriores. A ideia é fomentar a cultura maringaense com reformulações administrativas nas ações já conhecidas.

Antonio Carlos Sartini é o curador da Flim, escolhido a partir de um vasto currículo de mais de 30 anos, que conta atividades como produtor cultural, curador de mostras de teatro, e também como diretor do Museu de Língua Portuguesa e também um dos curadores da Bienal do Livro de São Paulo.

“É uma experiência enriquecedora trabalhar com novas pessoas. Os desafios [como curador da Flim] são em cativar o público, para criar um sentimento de pertencimento ao evento que, mesmo novo, tem potencial para se incluir no circuito nacional e até mesmo internacional”, declara Sartini.

No formato proposto há o objetivo de que sejam realizadas atividades de formação, com as oficinas com autores, educadores e gestores. Além disso, a presença de “artistas multifacetados mostra que a literatura dialoga com a arte como um todo”, segundo o curador, e isso justifica as presenças de artistas como Antônio Nóbrega, Gero Camilo e Cristiane Costa.

“A presença de autores jovens é essencial como incentivo à produção. Num momento de verdades rasas e informações rápidas, a Literatura cria senso crítico e tolerância”, conta Sartini.

Você ainda pode lançar seu livro

Para valorizar os autores independentes da cidade, a Secretaria de Cultura promove uma seleção para lançamento durante a Flim.

Haverá um espaço específico para esse tipo de lançamento, e para poder se inscrever foi divulgado um formulário na página da Secretaria de Cultura de Maringá. Os títulos serão previamente selecionados e a divulgação acontece no dia 23, próxima segunda-feira.

A organização oferecerá um espaço com mesa e cadeiras para o público, além de permitir um banner com, no máximo, 1,5m², durante uma hora, no máximo. Além disso, poderá acontecer a comercialização, sob responsabilidade dos autores.

As datas e horários serão adequados pela Secretaria, de acordo com a disponibilidade. Durante a inscrição, o autor pode sugerir a data que lhe for mais adequada.

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