‘Ou matamos os velhos ou salvamos a economia’

Diante dessa situação só há uma alternativa; O “Brasil não pode parar”, para “salvar” a economia devemos voltar a trabalhar, e aceitar o fato de que alguns morrerão, certo?

Presidente Jair Bolsonaro em entrevista coletiva com ministros sobre o COVID-19

A afirmação que dá título a este texto é uma ironia. Mas infelizmente, o que eu trago como um exagero discursivo trata-se de uma crença defendida por muitos que desconhecem os fatos, a começar pelo Monarca Eleito do grande país dos Trópicos. Ainda assim, seguirei com meus exageros ao expor o motivo de considerar burra afirmação do título. Explicarei o motivo.

Sobre a economia…

A negação em seguir os protocolos da OMS sobre quarentena, relativos ao COVID-19 é burra, sobretudo quando se vale do argumento de que a ‘economia não pode parar’. Na realidade, o mundo inteiro está passando por um momento de recessão, seja na China, na Europa, ou nos EUA, o capitalismo está em crise.

Aqui no Brasil, não fosse essa gripezinha iríamos crescer 2,2% (só isso mesmo, aliás nem com as reformas trabalhista, e da previdência houve o aumento que venderam). Já antes do COVID-19, os investimentos externos na economia do Brasil não estavam conforme esperado, é como se nos faltasse governança e um plano claro de recuperação econômica, já ia me esquecendo, não temos mesmo.

A Pandemia apenas lança luz ao óbvio: em meio à uma crise mundial nosso crescimento – que, notem, já iria ser ruim– vai descer ladeira abaixo. Então, apertemos os cintos, por que 2020 será violento!

O colapso à vista.

Estamos em um navio no meio de uma forte tormenta em alto mar, a frente se aproxima uma costa rochosa. As ondas batem forte no casco. Alguns colegas da tripulação sentem náuseas e enjoos, e há rumores de que o capitão está louco.

Sua esquizofrenia chega ao ponto de negar a realidade vivida por todos na embarcação, uns tentam tomar o leme aqui, outros viram naquela direção, mas  o fato é que iremos bater no rochedo, e estamos sem direção.

Os municípios e estados da federação sofrerão com os efeitos na falta de leitos em hospitais. Quando isso ocorrer o capitão esquizofrênico irá culpar os seus marinheiros por não tê-lo escutado, afinal tem método nesta loucura toda.

O que fazer então?

Campanha da SECOM, incentivando “volta à normalidade” para “salvar a economia”. Posteriormente retirada das redes por ordem judicial.

Diante dessa situação só há uma alternativa; O “Brasil não pode parar”, para “salvar” a economia devemos voltar a trabalhar, e aceitar o fato de que alguns morrerão, certo? Se você pensa assim, ou é desinformado, ou inescrupuloso, ou cruel, ou…. Burro. (talvez tudo isso, mas o combo não lhe permitiria ter lido sete parágrafos até chegar aqui).

A real “solução para isso” consiste em fazer o Estado cumprir sua função de oferecer segurança diante de guerras e pandemias, afinal nestes momentos é papel do Estado lançar mão de seus recursos, colocando dinheiro na mão do povo, assegurando a renda básica.

A pandemia apenas revelou nossa falta de planejamento, de governança e de presidente. Sobre os termos utilizados neste texto para definir quem defende o indefensável, reconheço que poderia ter argumentado melhor, poderia ter utilizado outra expressão ao invés de dizer que o raciocínio é burro, mas objetivo que este desabafo possa convencer alguém, até por que com gente burra é difícil argumentar.

  • Para combater a desinformação e a opinião infundada, as referências das informações e dados utilizados estão todas lincadas no corpo do texto.
Vanderson Souza
Graduado em Letras, acadêmico de história e professor nas horas vagas, escrevo porquê não tenho dinheiro pra análise. Vamos refletir e relembrar um pouco sobre Literatura, Música, Antropologia e História? Aqui no "Inter Ditos" você irá encontrar a articulação desses saberes, com os temas comuns à vida cotidiana e as últimas notícias.
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