Vinte e nove

Existe uma espécie de lenda astrológica que as vezes dá muito o que falar, é conhecida como O Retorno de Saturno.

O Senhor do Tempo e do Karma.

O Deus Saturno sempre esteve ligado a abundância, riqueza, agricultura, renovação periódica e libertação. É o equivalente grego ao deus Cronos, por isso também se torna senhor do tempo.

O Titã Saturno (ou Cronos), deus da colheita, senhor do Karma e do tempo.

Nos arquétipos apresentados pela astrologia a passagem de saturno é chamado de Senhor do Karma. Sob sua lei, toda colheita reflete a natureza daquilo que foi plantado. E seu movimento lento de quase 30 anos indica um tempo de maturidade para produzir, colher e encerrar ciclos.

Ele é um pai meio ausente que cobra responsabilidade em pequenos momentos da vida. Mas quando retorna a cada 29 anos, a sua energia vem para indagar nossas atitudes, e abençoar o que foi feito. É quando fechamos uma etapa para iniciar outra, onde trabalharemos muito para entregar bons resultados e entrar no terceiro ciclo, ou terceira idade, e descansar.

A parábola dos talentos os arquétipos que se conversam.

Não é necessário gostar ou entender astrologia para compreender o arquétipo representado por Saturno. Nos relatos evangélicos de Mateus 25:14-30 e Lucas 19:12-27, encontramos a parábola dos talentos, que exemplifica algumas lições Saturnianas.

O Amo voltará e lhe perguntará: O que foi feito dos talentos que lhe foram confiados?

Em resumo, a parábola retrata um homem de origem nobre que precisa viajar a uma terra distante a fim de empreender (em algumas traduções se tornar rei) e confia parte de seus bens a escravos seletos, para que possam administra-los em sua ausência. Ele entrega os valores (talentos) aos seus servos, de modo proporcional às habilidades de cada um.

Ao voltar bem-sucedido de sua longa empreitada, o Rei convoca seus servos e, naturalmente, irá verificar como e de que maneira cada talento foi investido. Os que fizeram render dez vezes o valor inicial receberam dez vezes mais responsabilidades e recompensas no reino, os que trabalharam para multiplicar duas vezes também foram elogiados e recompensados proporcionalmente a isso.

Mas houve aquele que, sabendo que o Rei era exigente e com medo de perder o pouco que lhe fora confiado, guardou (em algumas traduções, escondeu) e não investiu o talento dado pelo seu Amo. Seu julgamento foi severo e ele não foi abençoado neste retorno.

O que isso tem a ver?

A grande questão que deve nos interessar não é a literalidade da narrativa, mas o que estes arquétipos têm a nos ensinar. Em ambos os casos há a ideia de que recebemos características, talentos e desafios e é preciso amadurecer com eles. A cada 29 anos e meio, Saturno faz o papel do Amo descrito por Jesus, ao avaliar e abençoar os resultados de cada ciclo.

Quando Saturno passa, as coisas que seus filhos estão fazendo e pelas quais se empenham, tende a durar. Depois da breve reflexão deste lindo arquétipo, você deve ter se perguntado como reagiria, e o que entregaria a Saturno.

Independentemente de ter ou não 29 anos, o exercício mental proposto é valido. Se você pudesse escrever uma carta para Saturno, o que diria? Quando este amo chegasse, qual seria o resultado dos talentos que lhe foram confiados? Eu fiz o exercício mental e, para encerrar esta breve digressão, irei compartilhar com vocês a minha carta a Saturno:

Uma carta a Saturno

Maringá, 10 de outubro de 2019.

Olá Saturno.

Antes de mais nada, muito obrigado! Fiquei sabendo de você quando era adolescente e ouvindo uma música da Legião Urbana, tanto a banda quanto esta letra iriam me acompanhar durante anos. Agora, ao fazer 29 anos eu resolvi escrever esta carta para registrar algumas impressões.

A infância não foi lá estas coisas, com a família dividida eu busquei refúgio na religião – e achei. Depois tive que tomar decisões sérias e me divorciar de um padrão de vida, com isso aprendi a lidar com o incerto, frequentando meios que nunca achei que frequentaria, e aprendendo muito com tudo isso.

No final das contas eu percebi que cada caminho, cada decisão, cada oração, cada abraço e choro em toda essa jornada, foi enriquecedor. Percebi que não perdi minha fé, mas aumentei e ampliei o conceito alcance e o objeto dela. Aprendi que dentro de mim há uma parte da centelha divina que pede para existir, e entendi que tenho uma missão.

Estes são os talentos que eu entrego ao Sr: Sobrinhos nascendo e o desejo de construir um mundo melhor para eles, muito trabalho e a tarefa de entregar produtividade no plano material, mas sobretudo a compreensão de mim mesmo e de meu lugar no cosmos, através do desenvolvimento de minha espiritualidade.

Novamente, muito obrigado! Eu realmente sinto que estou pronto, e estou muito bem acompanhado de amigos a familiares que amo, que me ajudam a crescer cada vez mais. Vou tentar fazer o máximo para que, daqui 29 ou 30 anos, a gente possa ter uma conversa mais profunda ainda. Nos vemos na próxima pai.

Mais uma vez, obrigado e…

… Manda um abraço lá!

Com amor e gratidão, Vanderson Farias da Fonseca de Souza.

 

 

Vanderson Souza
Graduado em Letras, acadêmico de história e professor nas horas vagas, escrevo porquê não tenho dinheiro pra análise. Vamos refletir e relembrar um pouco sobre Literatura, Música, Antropologia e História? Aqui no "Inter Ditos" você irá encontrar a articulação desses saberes, com os temas comuns à vida cotidiana e as últimas notícias.
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