Reflexões sobre a Interdisciplinaridade, Parte I -“O que isso tem a ver?”

Em três breves textos, convido você a refletir comigo sobre a importância da Interdisciplinaridade, no aspecto pessoal, social e organizacional. Este é o primeiro dos três Posts seguidos sobre o tema, onde abordaremos algo a respeito de Neurociência, Pedagogia, Filosofia e relações interpessoais.

O que isso tem a ver?

Essa é a pergunta, ou o questionamento, que fazemos durante quase toda nossa vida conscientes ou não disso. O cérebro trabalha com esta mesma lógica de funcionamento ao estruturar o conhecimento. Os neurônios possuem ‘portas de entrada e saída’ de informação, estas portas de entrada recebem estímulos, associam a nova informação com todas as informações possíveis que se encaixam com aquilo, e geram uma nova informação, que a partir de agora fará arte do repertório cerebral.

Esquema/ desenho de um neurônio. embora haja diferença entre formas e tamanhos, os dentritos, funcionan como as ‘portas de entrada’ de informação, e as Terminações do axônio, são as ‘portas de saída”. Milhões de células

Estas redes complexas de conexões neurais, são chamados de conectomas, perceptíveis através ressonâncias magnéticas com a aplicação de contrastes específicos. Na medida em que estas conexões e conectomas se entrelaçam, sempre buscando associar novas informações e estruturas de conhecimentos ao que já se tem guardado sobre aquilo, ocorre um aumento dessa rede neural, a capacidade que o cérebro tem de fazer isso é chamada de plasticidade neural.

“Devido a sua plasticidade, nosso cérebro irá constituir-se durante toda a vida, numa obra de arte inacabada pois, a cada novo estimulo, a cada nova necessidade de interação e, principalmente, a cada nova aprendizagem, novos circuitos neuronais são ativados, novas sinapses são formadas” (Neto, Molinari, Santana, 2002 p.10)

Trato neuronal, sob contraste em uma imagem emitida através de ressonância magnética.

A grosso modo, pode se dizer que a mecânica de funcionamento do cérebro é semelhante a isso, o neurônio conecta apenas dados ou informações que mais se aproximam do novo estimulo recebido. Como se ele estivesse fazendo aquilo que toda criança faz quando se depara com uma nova informação; O que isso tem a ver?

Um exercício epistemológico.

Isso é bastante filosófico sabia? Uma das grandes áreas que hoje ainda pertencem à filosofia é a Epistemologia, entendida no stricto sensu como a teoria do conhecimento, ou que objetiva saber o que é conhecer, ou que características se pode ter sobre algo, para dizer que se conhece.

Mas a Epistemologia envolve muito comparar o possível “novo conhecimento” ao que já se tem, isso é feito para saber se aquilo de fato é novo. Mais do que isso, Epistemologia também envolve ter em mente que nada surge absolutamente do nada, então, é necessário saber quais estruturas foram responsáveis por sustentar o que se construiu, ou seja, de onde vem determinada forma de pensar. Um cientista há, não muitos anos atrás, conseguiu unir esses conceitos filosóficos e biológicos, e fez isso de uma maneira que impactou muito a psicologia e a pedagogia. Seu nome era Jean Piaget, falaremos mais sobre ele e o que isso tem a ver, no próximo post.

Observação: As referências estarão todas no último texto desta série.

Vanderson Souza
Graduado em Letras, acadêmico de história e professor nas horas vagas, escrevo porquê não tenho dinheiro pra análise. Vamos refletir e relembrar um pouco sobre Literatura, Música, Antropologia e História? Aqui no "Inter Ditos" você irá encontrar a articulação desses saberes, com os temas comuns à vida cotidiana e as últimas notícias.
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