A Guerra contra a Ciência, Parte I – O Estado

Entre cortes nos investimentos educacionais e entre a negação dos fatos, parecemos viver em um tempo onde se declara guerra à ciência e ao pensamento complexo. Uma série de três textos busca refletir sobre esta "guerra" e qual o nosso papel diante dela.

Frentes de garimpo ilegal de ouro na Terra indígena Kayapó, no Pará, em junho de 2019. Manchas claras indicam aumento de atividade recente. Fotos divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial.

Em setembro de 2018, o incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro levou um grande acervo de antropologia e história natural latino-americana, com mais de 20 miles de itens. Em maio de 2019, o Governo Federal brasileiro anunciou medidas de contenção de gastos no Ministério da Educação, o que gerou revoltas populares por todo o país, os cortes não foram revogados de acordo com a Revista ÉPOCA (2019). Recentemente o Instituto Nacional de pesquisas espaciais (INPE) foi censurado publicamente por divulgar dados colhidos a partir de imagens via satélite, sobre o desmatamento ilegal na Amazônia (BBC, 2019).

 

É perceptível que em anos recentes parece haver uma guerra declarada contra a educação, ciência e tecnologia. Como isso se dá? Esta série de artigos apresenta três itens que compõem a ofensiva contra a ciência.

1. A guerra contra a ciência – O papel do Estado.  

Este conflito contra a ciência é uma particularidade do Brasil? De maneira alguma. Em outubro de 2016 a Revista Super Interessante publicou um artigo sobre o reajuste, abaixo da média anual, feito pelo Governo Americano nas bolsas de pesquisa e desenvolvimento científico. O Artigo também comenta que entre os anos de 2001 e 2006, relatórios emitidos pela NASA teriam sido mascarados para não refletir o perigo das emissões de CO2 causadas pelos EUA. 

Sobre os motivos que teriam levado o Governo Norte Americano a tomar estas medidas, a Revista aponta o conservadorismo americano que se voltava contra a pesquisa envolvendo o uso de células troncoPor outro lado, mascarar dados científicos que mostram o perigo do descuido ambiental em várias áreas, também parece ir ao encontro dos interesses de grandes corporações e demais lobistas que exploram os recursos naturais sem qualquer responsabilidade com o Planeta.

Em 2017 Alan Sokal, professor de física na Universidade de Nova York e de matemática no University College de Londres, em entrevista para o Jornal Mundial El País, evidenciou o ataque sofrido pela ciência no mundo – não apenas no Brasil. Para o professor, os maiores inimigos da ciência já deixaram de ser apenas os fanáticos religiosos, ou “pseudocientistas” que negam a evolução. Na opinião de Sokal, os propagandistas, os políticos e as empresas de grande porte que empregam tais pessoasacabam contribuindo muito para a disseminação de falácias anticientíficas. Segue o Professor: 

Alan Sokal, cientista estadunidense, na Residência Estudantil de Madri. Foto de JAIME VILLANUEVA, para o El país.

“Todas essas pessoas que não se preocupam em saber se uma afirmação que fazem tem provas, e que simplesmente tratam de convencer o público a tomar uma conclusão pré-determinada com qualquer método que funcione – ainda que seja desonesto ou fraudulento.”

 

Dessa forma parece claro concluir que o primeiro grande inimigo na Guerra à ciência são as forças – nacionais e internacionais – que se beneficiam com a exploração indevida de recursos naturais, além de conservadores extremistas e reacionários. Pessoas que representam os interesses agora mencionados chegaram ao poder em algunPaíses eportanto, tem participação nas tomadas de decisão.

Mas há outro inimigo que a ciência enfrenta, mais antigo que a própria ciência, que parece ressurgir como o Madara Uchiha ao final da Guerra Ninja, um oponente antigo e forte, com o qual a ciência – infelizmente – trava discussões, que já deveriam ter sido finalizadas. Para falarmos desse inimigo da ciência, e para entender melhor a referência utilizada a pouco, acompanhe o próximo post.

Nota: Todas as referências serão listadas ao final do ultimo texto desta série. No texto você poderá acessar o link de todas as matérias utilizadas nestes artigos.

Vanderson Souza
Graduado em Letras, acadêmico de história e professor nas horas vagas, escrevo porquê não tenho dinheiro pra análise. Vamos refletir e relembrar um pouco sobre Literatura, Música, Antropologia e História? Aqui no "Inter Ditos" você irá encontrar a articulação desses saberes, com os temas comuns à vida cotidiana e as últimas notícias.
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