Retatrutida: nova injeção promete superar Mounjaro, mas é proibida pela Anvisa no Brasil

Em fase de estudos, retatrutida ainda não tem aprovação regulatória; agência determinou apreensão de canetas comercializadas irregularmente.

  • A promessa de uma nova geração de medicamentos injetáveis para emagrecimento ganhou força com a retatrutida, substância que vem sendo apontada como potencialmente mais eficaz do que a tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly. No entanto, apesar dos resultados preliminares considerados expressivos, a retatrutida ainda não possui autorização para comercialização no Brasil e teve sua venda proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Na última semana, a Anvisa determinou a apreensão e a proibição imediata de produtos contendo tirzepatida das marcas Synedica e TG, além de retatrutida de todas as marcas e lotes. A medida abrange fabricação, importação, distribuição, comercialização, divulgação e uso desses produtos em território nacional. Segundo a agência, os itens estavam sendo anunciados e vendidos por meio de perfis em redes sociais, sem qualquer registro, notificação ou cadastro junto ao órgão regulador.

    Enquanto a tirzepatida já é conhecida e aprovada em medicamentos como o Mounjaro, indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 e utilizado também no controle da obesidade, a retatrutida ainda é considerada experimental. A substância é classificada como um “triplo agonista” hormonal: atua de forma semelhante ao GLP-1 e ao GIP (hormônios envolvidos na regulação da saciedade e do metabolismo) e também ao glucagon. Essa ação combinada é apontada como diferencial em relação à tirzepatida, que é agonista duplo (GLP-1 e GIP), e à semaglutida e à liraglutida, que atuam apenas sobre o GLP-1.

    Resultados preliminares

    A retatrutida ganhou destaque após a divulgação de resultados preliminares de estudos clínicos. O primeiro estudo de Fase 3 indicou perda de peso média de até 28%.

    Apesar do potencial, os estudos ainda estão em andamento. Isso significa que a segurança a longo prazo e a eficácia em larga escala não foram plenamente confirmadas.

    Medicamentos só podem ser aprovados após a conclusão de todas as etapas de pesquisa clínica, que incluem avaliação rigorosa de segurança, definição de dosagem ideal e monitoramento contínuo de efeitos adversos.

    Técnicos da Anvisa alertam que produtos irregulares e de procedência desconhecida não devem ser utilizados em nenhuma hipótese, devido ao potencial de efeitos adversos graves e imprevisíveis.

    Os médicos especialistas orientam que qualquer medicamento injetável para emagrecimento deve ser utilizado apenas com prescrição médica e registro nos órgãos reguladores competentes.

    Comentários estão fechados.