Participação nos lucros e resultados é o 2º benefício corporativo mais desejado

Compartilhar

Foi-se o tempo em que apenas o salário bruto era visto como o principal atributo para atrair e reter bons talentos. Nos últimos anos, as organizações têm percebido que, embora a remuneração seja um fator importante, os colaboradores estão cada vez mais atentos ao pacote de benefícios que elas oferecem.

Dentre os diversos auxílios que as empresas podem disponibilizar visando atender às necessidades dos funcionários, o mais desejado pelos funcionários é o plano de saúde, conforme mostra o recente levantamento do Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP.

O estudo, realizado entre 8 e 21 de novembro de 2023, ouviu 438 profissionais de Administração registrados no Conselho (entre administradores, tecnólogos e técnicos) e pediu que eles indicassem, dentre uma lista de 20 benefícios, os dez itens considerados mais relevantes.

O resultado mostrou que o plano de saúde é praticamente uma unanimidade, com 80,4% das indicações; em seguida, vieram a participação nos lucros e resultados (59,1%); o vale-refeição (51,1%); o bônus por performance/14º salário (50,2%); o horário flexível (47,7%); o auxílio educação para colaboradores (47,3%); a cesta básica/vale alimentação (45%); a previdência privada (42,9%); os benefícios flexíveis, ou seja, valores disponibilizados para uso geral (42,7%); e o plano odontológico (38,4%).

Os profissionais menos satisfeitos com os benefícios atuais

No geral, 47,9% dos respondentes disseram estar satisfeitos com o pacote de benefícios oferecido pelas empresas em que trabalham, porém esse percentual muda de acordo com o nível hierárquico dos entrevistados. Entre os donos do próprio negócio, o índice de satisfação chega a 64,8%; seguido dos autônomos, com 56% de aprovação. Entre os que mantêm um cargo de liderança (coordenador, supervisor, gerente, etc.) a satisfação total fica em 46,5%, enquanto apenas 32% dos colaboradores que possuem um cargo operacional (assistente, técnico, analista) afirmaram o mesmo.

O levantamento apurou, ainda, o grau de satisfação de acordo com o modelo de trabalho dos respondentes: 56,3% dos profissionais que atuam no modelo híbrido estão satisfeitos com os benefícios concedidos pelas empresas; entre os que estão 100% home office esse índice chega a 48,2%; já os menos satisfeitos são aqueles que trabalham 100% presencial, com 40,8% de aprovação.

Tendência que não deu certo

Diante das transformações no mercado de trabalho, especialmente no pós-pandemia de covid-19, muitos benefícios corporativos perderam relevância, como é o caso dos espaços de lazer dentro dos escritórios. Nas últimas duas décadas, grandes corporações investiram em ambientes de descontração, como mesa de pingue pongue, salas de videogame e até piscina de bolinhas para proporcionar momentos de descompressão das jornadas intensas, aprimorar as relações organizacionais e, consequentemente, aumentar a produtividade do colaborador.

Tais vantagens, no entanto, deixaram de ser um atrativo para os funcionários, tanto para aqueles que hoje cumprem uma jornada totalmente a distância, quanto para os que estão no modelo híbrido ou 100% presencial. Entre os 20 benefícios listados pelo levantamento do CRA-SP, o menos importante, de acordo com os respondentes, foi justamente o item “espaços de lazer no escritório”, que teve apenas 8% das indicações.

Para o presidente do CRA-SP, Adm. Alberto Whitaker, esse resultado mostra que, apesar das transformações e das novas dinâmicas de trabalho, muitos profissionais, especialmente os de Administração, não aprovam o modelo totalmente descontraído. “Isso não significa que esses colaboradores não estejam antenados às mudanças do mundo corporativo. Prova disso é a indicação do “horário flexível” como quinto benefício mais apontado. Acredito que antes de investir nas tendências que se apresentam, as empresas devem entender quem é o seu público interno, o que esperam os seus colaboradores e o que mais importa para eles. Cada nicho ou segmento do mercado de trabalho possui necessidades específicas e é preciso mapear isso antes de fazer altos investimentos que podem não dar o retorno esperado”, defende o administrador.

O levantamento do CRA-SP, com os resultados gerais e segmentados, está disponível na íntegra no site do Conselho.

Foto: Adobe Stock


Compartilhar