Exibicionismo: O Mal do Século XXI

Segundo a definição do dicionário Aurélio , Exibicionismo é Ostentação; hábito da pessoa que exibe e ostenta suas próprias qualidades e/ou bens. É notório que todos nós possuímos a necessidade de ser notado, seja em menor ou maior grau, de acordo com princípios, valores e motivos diversos. O sociólogo e escritor Zygmunt Bauman reforça em seus textos que “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”.

É aceitável que queiramos contar boas novas, mostrar as conquistas, bons momentos junto a familiares, viagens e outros. Porém, esse processo de exposição e comunicação necessita de certa dose de racionalidade, pois caso contrário estaremos somente fazendo parte de um “Efeito manada”, onde todos seguem o que a maioria está fazendo em determinado momento.

Sigmund Freud num estudo sobre o exibicionismo constatou que cada um de nós começou a vida como um bebê exibicionista. A maioria das pessoas, na fase adulta, tem êxito em conter esse impulso, mas o exibicionista patológico não consegue superar tal aspecto.

Para a psicanálise o exibicionismo é um modo de excitação erótica, que pode transformar-se em um ato de dimensão patológica, onde se busca uma satisfação exclusivamente egocêntrica. Assim, alguns indivíduos sentem o desejo de evidenciar sua potência sexual: os homens precisam mostrar a sua virilidade e as mulheres o seu erotismo.

Com a ascençao e diversidade de aplicativos e redes sociais, as janelas e portas para essa prática de exibição se escancararam. Surgiu um ambiente favorável e eficaz para notar e ser notado, ou seja, a necessidade de supervalorização seja por terceiros ou por nós mesmos. Essas coisas estão ligadas ao sentimento de inferioridade, uma necessidade de chamar a atenção alheia a fim de mostrar que se tem sucesso, fama, dinheiro, carros, títulos, felicidade e liberdade.

As redes sociais mais especificamente tornaram-se o principal termômetro do exibicionismo, alimentando-se constantemente de carências afetivas e emocionais. Nota-se a busca desenfreada de “likes”, elogios e comentários que servem para aumentar a autoestima por alguns minutos. É o conflito da realidade artificial x realidade vivida.

Um dado interessante: Pesquisadores da Universidade Humboldt, em Berlim, entrevistaram 357 universitários e descobriram que o principal sentimento despertado pela vida virtual é a inveja. Quase 30% relataram nutrir esse sentimento ao ver, no Facebook, posts sobre atividades de lazer dos amigos e indícios de sucesso de qualquer espécie (acadêmico, profissional, sexual). Mesmo os exibidos sentem inveja. Cerca de 20% afirmaram chatear-se por sentir que sua própria ostentação não é notada suficientemente pelos amigos.

O que devemos atentar em relação ao tema é a perda de valor próprio e identidade que o exibicionismo exagerado e virtualizado causam nas pessoas. As características de personalidade, físicas, emocionais, inteligência, preferencias, pensamentos, admirações, estilos de vida e opiniões não podem ser massacrados pelos “protótipos de vida” muitas vezes criados pela mídia, celebridades ou ídolos. Cada ser humano é individual em sua existência e tem que usufruir dessa liberdade.

A partir do momento em que uma pessoa começa a moldar desde seus comportamentos até seu visual físico para enquadrar-se nos protótipos de uma sociedade doentia, torna-se também mais um integrante da “massa”. Ao perder a própria identidade o que nos resta? Talvez seja exibir coisas que não temos e aquilo que não somos, para agradar quem não conhecemos…

DESTAQUES

As redes sociais funcionam hoje como uma espécie de “diário virtual”. Os usuários expõem sua vida e rotina sem se preocupar com o alcance de fato do post. Privacidade? O que é isso?

Ser popular talvez seja um dos principais objetivos do usuário da rede social. Quanto mais curtidas e compartilhamentos, mais popularidade, e o jovem topa exibir-se das mais diversas formas em troca de ter seguidores.

A perda de identidade em detrimento da identificação – a identidade própria, autônoma, não é tão importante quanto ser identificado com o modelo padrão imposto pela mídia e involuntariamente acatado pela sociedade.

Uma das principais consequências do exibicionismo nas redes sociais é o cyberbullying. O jovem, principalmente, esquece ou não dá valor às dimensões que um post pode alcançar na internet.

“Os infinitamente pequenos têm um orgulho infinitamente grande” (Voltaire)

 

Referencias

 

http://saberemdebate.blogsdagazetaweb.com/2015/09/27/tema-07-o-exibicionismo-nas-redes-sociais/

 

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/01/09/4-reflex%C3%B5es-de-Zygmunt-Bauman-das-redes-sociais-ao-%E2%80%98medo-l%C3%ADquido%E2%80%99

 

https://osegredo.com.br/exibicionismo-exagerado-nas-redes-sociais-e-seus-efeitos-negativos/

 

Graduado em Administração. Pós-Graduado em Gestão de Pessoas e Mba em Marketing Estratégico. Aprecio diversos tipos de leituras e temáticas atuais. Vejo que o mundo está cada vez mais complexo e dinâmico e o conhecimento é ilimitado. Nesse universo sem limites a alternativa é fazer articulação, confronto e reflexão constante de ideias para viver melhor. Sou curioso por natureza e um eterno aprendiz.
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