Vida Superficial

Segundo definições de dicionários, o termo superficial se refere a pessoa ou situação:

– Que não se estende num assunto; cujos conhecimentos são elementares, primários; básico: análise superficial.

– Que analisa sem refletir sobre o objeto dessa análise: leitura superficial.

– Que se preocupa com a aparência ao invés do conteúdo; supérfluo: pessoa superficial.

– De importância reduzida; sem o mais importante: conserto superficial.

– Relacionado com superfície, sem profundidade; pouco profundo.

Nota-se na atualidade uma espécie de superficialidade relacionada à vida rotineira, costumes, política, economia, religiões, debates e temáticas diversas. O uso da superficialidade pode ser benéfico, trágico, estratégico ou mesmo por falta de tempo. Navegar na superfície sempre é mais fácil e simples, o aprofundamento exige tempo, análise e muita racionalidade.

Viver de forma superficial e simplificada talvez seja uma opção da maioria das pessoas, mas não a melhor. Um navio navega na superfície por necessidade, já um submarino utilizado em pesquisas e observações obriga-se a aprofundar ao máximo nos mares e oceanos, pois a profundidade releva os mistérios, curiosidades e formas de vida impossíveis de checar sendo superficial.

Abaixo algumas reflexões e análises das áreas onde o tema é relevante:

Mídia: a atuação midiática principalmente em países subdesenvolvidos é marcante, estratégica e imponente em alguns momentos. A atuação rasa e o papel desinformativo de alguns canais de TV, jornais e revistas deixa um lapso na mente de ouvintes, leitores e telespectadores. As redes sociais entram nessa mesma onda frenética, onde o descontrole de informações, compartilhamentos e repasse de verdades, mentiras e meias-verdades gera desde manifestações pacíficas até mortes. Atualmente são raros os jornalistas, comentaristas, colunistas e apresentadores de destaque que conseguem unir ponderação, senso crítico e conhecimento para desmistificar e equilibrar um fato, informação ou acontecimento. A imparcialidade, isençao, senso de dever, responsabilidade e credibilidade devem ser levadas e ter grande peso na sociedade atual. Ler somente manchetes e pequenas frases sobre determinado assunto e sentir-se o dono da verdade é uma insanidade marcante nesse presente século.

 

Religiões: outra área que merece destaque devido a importância social, emocional e de tradição na humanidade. As religiões (independente de qual seja) sempre tiveram participação efetiva e louvável em contextos históricos, formação do ser humano e de forma pacífica procuram conciliar valores, doutrinas e pensamentos que proporcionem uma vida melhor e mais digna. Toda religião tem uma história e segue um livro, manual ou texto-base para justificar a sua forma de atuação e liturgias. O grande problema é quando a atuação superficial começa a entrar em cena, tais como: tornar ilusões como realidade, tratar Deus ou deuses como mercado de troca, justificar com textos ou fragmentos ideias irracionais, esconder o humanismo e materialismo dentro de igrejas, politizar membros ou realizar alianças implícitas visando beneficios, etc. Tudo o que foge da função principal pode ser considerado superficial, ou seja, neste caso passa a valer a aparência ao invés do conteúdo.

Política: políticos não tem fama boa já faz décadas, e isso é justificável pelo cenário que já se arrasta ao longo do tempo. A política funciona como uma fonte de estratégias benéficas e maléficas, uma espécie de guerra sem fim entre anjos e demônios se justificando e apelando para as mais vergonhosas ações em prol de objetivos explícitos ou implícitos. Enfim, jogos de poder! O conteúdeo superficial e patético aqui passou a ser uma regra e não a exceção. Os discursos, ideias, projetos e debates geralmente são os mesmos, variando somente nas personagens. As discussões são em torno de ataques pessoais e não de projetos e iniciativas públicas. O marketing político é muito forte e atuante, utilizando-se de todas as técnicas, perfis, divulgações e pesquisas para entender e manipular a massa de pessoas. Ao entrar ou atuar politicamente as pessoas entendem que devem concordar com tudo ou lutar ativamente contra um sistema engessado e desleal. A maioria por consequencia prefere prostrar-se e fazer a vontade do sistema, uma minoria consegue avançar e aprofundar nos problemas e consequências da realidade, buscando assim alternativas para solucionar ou amenizar as mesmas.

O perfil político exige muito “jogo de cintura” o que consequentemente acaba em trocas e negociações criminosas e desvalorização das instituições que deveriam em tese ser democráticas e voltadas ao bem-estar e progresso do povo. Reflita um minuto: por que os políticos investem tão pouco em educação? Por que muitos projetos, notícias e direitos não chegam ao conhecimento da população? Por que projetos para benefício em causa própria tramitam tão rápido e outros de interesse público ficam travados e desidratando até perderem força? Essas e outras questões refletem a coisa rasa e mediocrizada que se tornou a vida política em suas diversas esferas, beneficiando e atrapalhando o mundo com seus jogos e manipulações cotidianas.

Meio ambiente: um tema espinhoso e que sempre mereceu atenção e medidas aplicáveis. A responsabilidade com o meio ambiente é de cada pessoa, instituição, empresa e por fim governos. Respeito e conservação racional deveria ser um dever e reforçado a cada dia através da educação, mídia e política. Quando se fala em sustentabilidade, efeito estufa, aquecimento global, desmatamento e outras questões similares, faz-se necessário reflexão ponderada e nítida sob diversos olhares. O cuidado com essa temática começa na separação do lixo, tratamento de água e esgoto, reflorestamento, plantio de árvores, descarte de eletrônicos, consumo racional, reaproveitamento de alimentos, reciclagem, saneamento básico, uso do solo e muitas outras medidas. Dezenas de convençoes e acordos já foram feitos e o problema é sempre o mesmo: a degradação do meio ambiente. Quando a consciência vai superar a ignorancia e entendermos que todos fazemos parte desse globo terrestre? Responsabilizar instituições e governos por consequências de milhares de seres humanos é algo inaceitável. As nações podem e devem usar seus mecanismos de controle e fiscalização para dar apoio e fixar medidas viáveis para o uso racional e consciente da amplitude de fatores que envolvem esse tema, mas a ação forte da massa é o que vai determinar a reparação ou destruição dos recursos naturais.

Educação: tudo gira em torno dela, mas não é assim na realidade. Quando se fala em educação refere-se a um mundo paralelo e mola propulsora para o desenvolvimento e melhoria da vida e das nações. Educação envolve família, religião, escola, universidade, leitura, inovação, pesquisa, literatura, recursos tecnológicos, referências diversas e olhares profundos na realidade que nos cerca. Projetos educacionais elevam a qualidade de vida, comportamento e crescimento de qualquer nação. O impulso gerado pelos investimentos em educação geram resultados concretos e significativos ao longo do tempo. Modelos falidos, estruturas ruins, plano de carreira de profissionais da educação ineficaz, falta de segurança nas instituiçoes e modelos arcaicos e engessados são a realidade em muitos países. Educação do século XX no século XXI? Isso é insanidade. Travar a educação no tempo é um erro que as grandes nações se preocupam e procuram não cometer, pois sabem que a soberania nacional e evolução da sociedade é o que garante a continuidade do progresso e destaque internacional. Por outro lado, os poíticos são mais cobrados, as pessoas têm senso crítico aguçado e a estrutura econômica e social também é diferenciada e menos desigual. Lutar pela educação é uma questão lógica, mas com planejamento e medição de resultados.

Mensagem final: fuja da superficialidade. O aprofundamento em conhecimento, política, música, literatura e conhecimentos que se agregam não é luxo, mas sim sinal de elevação de nível. Pessoas superficiais podem ser manipuladas com frequencia e usadas como fantoches por aproveitadores e charlatões. Desenvolver o senso crítico e a racionalidade tem que ser um dever e não um esforço repudiante. Pense nisso.

Referências

https://www.dicio.com.br/superficial/

https://www.pensador.com/superficialidade/

https://amenteemaravilhosa.com.br/era-superficialidade/

Graduado em Administração. Pós-Graduado em Gestão de Pessoas e Mba em Marketing Estratégico. Aprecio diversos tipos de leituras e temáticas atuais. Vejo que o mundo está cada vez mais complexo e dinâmico e o conhecimento é ilimitado. Nesse universo sem limites a alternativa é fazer articulação, confronto e reflexão constante de ideias para viver melhor. Sou curioso por natureza e um eterno aprendiz.
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