Crime Organizado: O Poder Paralelo

No mundo atual organizações e grupos estabelecem a prática do crime com tamanho preparo e maestria que, em alguns casos, conseguem se passar por organizações legítimas e confiáveis. Esses são os grupos dedicados a atividades criminosas que integram a categoria de “crime organizado”

Crime organizado ou organização criminosa são termos que caracterizam grupos transnacionais, nacionais ou locais altamente centralizados e geridos por criminosos, que pretendem se envolver em atividades ilegais, geralmente com o objetivo de lucro monetário.

O exemplo clássico de um grupo organizado voltado para a prática de atividades ilegais é a famosa máfia italiana, que esteve ativa entre os anos de 1930 e 1960. O grupo criminoso era formado por famílias de imigrantes italianos que chegavam aos Estados Unidos e que já tinham, anteriormente, a ideia de grupo “familiar” formada. Um dos grupos mais famosos se denominam “Cosa nostra”, que ainda existe e atua no mundo criminoso dos Estados Unidos.

A violência e seus reflexos estão diretamente ligados ao mundo e submundo do crime organizado, sendo uma das ações viáveis para a manutenção de sua existência. A cooperação de pessoas influentes e órgãos institucionais, seja pela omissão ou pela corrupção, também é um fator de destaque.

O crime assombra a humanidade e é um mal presente em todo o planeta, variando somente em proporções. Países subdesenvolvidos como o Brasil apresentam altos índices de criminalidade, consequência também dos baixos índices de educação, qualidade de vida, desigualdades sociais e corrupção em diversos níveis.

As organizações criminosas têm estrutura, níveis de comando, uso de tecnologias, códigos  de comunicação, regras e punições que fazem parte das “regras do jogo”. O crescimento desses tipos de atividades nos últimos vinte anos é assustador. O Estado não consegue combater de frente devido a falta de estrutura, informação e recursos humanos e tecnológicos para o rastreamento e desmanche desses grupos que exercem influência em âmbito econômico, político e social. A seguir alguns dos campos de atuação  desse poder paralelo:

Tráfico de drogas: aqui está praticamente o coração das organizações paralelas. Os diferentes tipos de entorpecentes e substâncias psicoativas enchem os olhos e os bolsos desses grupos. Estima-se que o narcotráfico movimente por ano mais de 300 bilhões de dólares em todo o mundo. O uso e comercialização de drogas desestabiliza a sociedade em diversos aspectos e gera consequências irreversíveis à saúde e à vida. O comércio desses tipos de itens tem circulação internacional e variação de preços, assim como qualquer produto lícito. O dinheiro resultante das movimentações de compra, venda e negociações alimentam outras redes e pessoas através da chamada “lavagem de dinheiro”.

Lavagem de dinheiro: é uma das principais atividades ligadas ao crime organizado. Ela consiste na troca do dinheiro “sujo” obtido por meio do crime, por investimentos em fontes de renda limpa e legais. Por vezes instituições financeiras, empresas e pessoas ligadas  a   política acabam servindo de parceiros ou “laranjas” para acobertar e despistar as atividades ilegais.

Tráfico de armas: como extensão e suporte para as outras áreas do tráfico, as armas significam proteção, poder, força e muito lucro para os “cabeças” das facções do crime. A demanda por armas tanto para uso dos soldados do crime quanto para pessoas comuns que preferem adquirir por meios ilegais é cada vez maior. Isso é um reflexo da falta de segurança ofertada pelo estado, o pânico de uma sociedade fragilizada e a lucratividade desenfreada seja por esporte, uso indevido, proteção pessoal ou abastecimento para suporte ao crime em suas terríveis dimensões. Armas são os instrumentos para facilitar a operação e sucesso às avessas desses tipos de grupos delinquentes.

Tráfico de pessoas e órgãos: é um tipo de tráfico com o objetivo de transferir pessoas de um lugar a outro, dentro do país ou não. Pode acontecer tanto legal, como ilegalmente. Atualmente no Brasil, o tráfico de pessoas é maior fonte de renda com tráficos, superando o tráfico de drogas e do tráfico de armas segundo alguns analistas, proporcionando rentabilidade de  32 bilhões de dólares por ano, segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). O tráfico de órgãos envolve pessoas, organizações, médicos e outros profissionais que trabalham no mundo paralelo facilitando ou intermediando negociações ilícitas. O número de pessoas desaparecidas em vários países cresce exponencialmente a cada ano, certamente isso também é um reflexo da atuação do poder paralelo.

Possíveis fatores para combater o exército do crime:

– Aumento no efetivo de policiais e agentes;

– Aprimoramento do setor de inteligência, principalmente  das polícias civis e federal;

– Investimentos em tecnologias diversas para rastreamento e identificação de pessoas, mercadorias e fraudes;

– Aumento do patrulhamento em fronteiras de estados e entre países, visando um bloqueio na circulação de drogas e armas que são entregues em inúmeros lugares;

– Aumento de penas para esses tipos de crime;

– Investimentos pesados em educação e instrução nas diversas áreas;

– Construção de presídios de segurança máxima, visando a desarticulação dos principais líderes e a não comunicação com o ambiente externo, evitando assim represálias e comandos de ações de dentro das prisões, algo habitual e vergonhoso na atualidade;

– Integração dos poderes e órgãos públicos com campanhas de conscientização acerca de drogas, entorpecentes, saúde, mortalidade e outros fatores negativos proporcionados pela criminalidade;

– Conscientização através de palestras, eventos e similares com profissionais das diversas áreas dentro de escolas, universidades, igrejas, Ongs, sindicatos e outros ambientes que tenham influência sobre a massa da população;

– Áreas de lazer e desporto;

– Reestruturação de bairros e áreas depredadas, iluminação e unidades de guardas municipais e polícias visando marcar presença e proximidade com a população de periferias;

– Melhorias na comunicação com a população através de mídias e redes sociais;

– Integração de combate ao crime em apreensões no trânsito, áreas urbanas e rurais e locais de grande circulação (praças, rodoviárias, aeroportos, centros comerciais entre outros);

– Mapeamento do crime e redistribuição de efetivos policiais em áreas de maior criminalidade

– Políticas públicas para geração de emprego e renda;

– Estudos, pesquisas e análises em parceria com Universidades, Institutos e Órgãos governamentais para redução da criminalidade e possíveis soluções para reincidências criminosas.

Referências:

https://super.abril.com.br/tudo-sobre/crime-organizado/

https://www.estudopratico.com.br/crime-organizado-no-brasil/

https://domtotal.com/direito/pagina/detalhe/27623/crime-organizado-brasileiro

https://www.justica.gov.br/sua-protecao/trafico-de-pessoas

Graduado em Administração. Pós-Graduado em Gestão de Pessoas e Mba em Marketing Estratégico. Aprecio diversos tipos de leituras e temáticas atuais. Vejo que o mundo está cada vez mais complexo e dinâmico e o conhecimento é ilimitado. Nesse universo sem limites a alternativa é fazer articulação, confronto e reflexão constante de ideias para viver melhor. Sou curioso por natureza e um eterno aprendiz.
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