Selva de Pedra: Um Convite ao Desespero

A expressão “Selva de Pedra” é pouco utilizada. De maneira geral podemos entender como referência a cidades, metrópoles e as grandes concentrações organizadas de população que formam esse intenso e agitado mundo contemporâneo. Quando falamos em selva logo imaginamos uma série de animais, árvores, pássaros, uivos, perseguições, montanhas e muito mais. Na selva de pedra tudo isso citado é convertido de forma figurativa em construções, pontes, prédios, passarelas, túneis, trânsito, buzinas, luz e correria sem fim. A grande questão é: estamos correndo com qual objetivo e em busca de que?

No interior da nossa Selva encontramos humanos selvagens. Os animais são ditos “racionais”. Ele não tem garras, mandíbulas afiadas, veneno em presas ou chifres pontiagudos. A mente humana é capaz de elaborar as coisas mais magníficas ou destrutivas, tudo depende do uso e emoções que implodem ou explodem dentro desse ser chamado Humano.

Observe agora a seguinte frase do destacado autor inglês Charles Dickens (1812-1870): “Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos. Foi a idade da sabedoria, foi a idade da tolice. Foi a época da fé, foi a época da incredulidade. Foi a estação da luz, foi a estação das trevas. Foi a primavera da esperança, foi o inverno do desespero. Tínhamos tudo diante de nós, não havia nada antes de nós. Todos íamos direto para o céu, todos íamos direto para o outro lado”. Esse é um trecho inicial do Livro “Um Conto de duas cidades” onde o autor narra os bastidores, retratos e consequências da Revolução Francesa no Sec. XIX.

A reflexão de Charles Dickens é tão profunda, sensível e realista que pode ser aplicada em qualquer momento da história da humanidade, principalmente aos últimos séculos em que as grandes descobertas, mudanças, impactos e choques tornaram-se marcantes e inesquecíveis. Esse jogo de pontos e contrapontos, positividade e negatividade, sinônimos e antônimos, dualidades e ambivalências é o núcleo da nossa vida atual, o extrato de nossa existência nas selvas de pedra.

A bela citação não se refere no momento atual a uma Revolução histórica como a Francesa, Industrial e as Guerras Mundiais que marcaram a história com sangue, destruição, evolução, poder, disputas e conquistas. Agora são Revoluções do pensamento, politicas, econômicas, religiosas, da informação, dos estilos de vida, das opções, do capitalismo e da vida virtual e paralela.

 

Principais destaques da Selva:

Sensibilidade: um ser humano se materializa como um robô. Uma rotina programada e um tédio imenso acumulado o que leva a questionar a própria existência e significado perante a sociedade. A sensibilidade diminui e a dor do outro passa a não ser a minha e cada um que cuide dos seus problemas…

Choque de realidade: as redes sociais vieram para ficar e isso é fato. O benefício é enorme em nível comercial, relações humanas, informação, lazer e diversidade do comportamento humano. Quem levantar qualquer hipótese de extinção das mesmas vai ser encarado como louco. A tendência é surgir ainda mais redes, aplicativos, sites, canais etc. O grande problema é a realidade projetada que é gerada nos habitantes da selva. As frases, vídeos, postagens, elevação de status e abastecimento do próprio ego geram consequências reais e duradouras em uma sociedade em que o “parecer” supera a realidade. Somos protótipos da imaginação? Sou o que falo ou o que mostro e apresento na vida real?

Violência: na selva o predador e a presa estão sempre em contato. Atração, perseguição e repulsão. Competição, confusões, pânico, estresse, choques de ideias e diferenças sociais, econômicas e de grau de instrução geram um efeito de tensão e elevação dos ânimos no cotidiano conturbado e necessário a nossa existência. Estamos correndo entre manadas, alcateias e grupos diversos, atropelando um ao outro e sem ao menos perceber que apesar das inúmeras diferenças ainda somos da mesma matéria frágil e banal: carne e ossos.

Vida passageira: a selva nos veda os olhos e consome uma parte da existência humana devido ao enfado de ciclos repetitivos que são vivenciados durante essa trajetória sem fim (na nossa cabeça). Os carros, títulos, dinheiro, bens, glórias e vanglórias se encerram e o que sobrará são memórias boas ou ruins atreladas ao nosso nome e imagem.

Esse texto teve como objetivo rápido trazer a lembrança de vários pontos que vivenciamos e sem perceber o benefício ou dano continuamos de moto automático e rotineiro seguindo sem decifrar e observar as entrelinhas. A vida merece equilíbrio e diversificação. Não deixaremos de estudar, trabalhar, seguir uma religião, viajar, brincar, descansar e lutar por objetivos intrínsecos coletivos e individuais. A questão é muito mais elevada do que isso: como faremos tudo isso e muito mais sem perder a essência e equilíbrio ao longo do tempo? Pense nisso.

“UM DIA SEREMOS APENAS UM RETRATO NA ESTANTE DE ALGUÉM, DEPOIS, NEM ISSO. COM MUITO ESMERO TALVEZ O NOME FIQUE NUMA ESTÁTUA, NOME DE RUA OU PRAÇA… POR ISSO O TEMPO É AGORA, O DIA É HOJE”.

 

Referências

https://www.dicionarioinformal.com.br/selva+de+pedra/

https://etacanadavisa.com.br/post/vida-selvagem-nas-cidades-do-canada-saiba-quais-animais-sao-mais-encontrados/

https://www.todamateria.com.br/violencia-urbana/

https://administradores.com.br/artigos/a-sociedade-contemporanea-e-seu-estado-liquido

Graduado em Administração. Pós-Graduado em Gestão de Pessoas e Mba em Marketing Estratégico. Aprecio diversos tipos de leituras e temáticas atuais. Vejo que o mundo está cada vez mais complexo e dinâmico e o conhecimento é ilimitado. Nesse universo sem limites a alternativa é fazer articulação, confronto e reflexão constante de ideias para viver melhor. Sou curioso por natureza e um eterno aprendiz.
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