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O Grêmio Maringá (GEM) formalizará na próxima semana, junto à Federação Paranaense de Futebol (FPF), um pedido de licenciamento das competições organizadas pela entidade em 2026. A equipe está classificada para a disputa do Campeonato Estadual da 3ª Divisão, previsto para o segundo semestre, mas não entrará em campo.
A informação foi confirmada pelo atual presidente do clube, Joniel Piassa, em entrevista ao Maringá Post nesta sexta-feira (20). De acordo com ele, um desacordo com o investidor que custeou as despesas do time em 2025 e a falta de pagamento de licenças da FPF e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foram os principais entraves para que o GEM conseguisse disputar competições profissionais neste ano.
Atualmente, a equipe maringaense não tem nenhum atleta registrado de forma profissional e nenhum time constituído nas categorias de base. Uma das exigências para a disputa dos estaduais no Paraná e ter, pelo menos, um time de base, em qualquer categoria, disputando competições organizadas pela Federação Paranaense, outro requisito que o Grêmio Maringá não foi capaz de cumprir em 2026.
Conforme Piassa, a falta de dinheiro é o principal problema do time, que até os dias atuais é o único da cidade a ter conquistado um Campeonato Estadual, em 1977. O investidor que estava no projeto até 2025 teria tido uma proposta de investimento recusada pelo atual conselho do clube. A promessa era de R$ 10 milhões injetados no Grêmio em troca de 100% do controle do time, que se tornaria uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Os conselheiros, por sua vez, teriam rejeitado o negócio, solicitando ficarem com o controle de 10% do clube. Sem o acordo, o investidor decidiu deixar o futebol.
“O investidor queria continuar no clube, mas sendo dono 100% do clube. Como o clube tem mais associados, tem vários conselheiros, esse investidor fez uma proposta de R$ 300 mil para que todos os conselheiros saíssem e ele assumisse o clube 100%, que ele pretendia transformar em SAF, ia fazer um investimento de R$ 10 milhões no clube, porém, esses conselheiros não aceitaram, eles queriam ficar com 10%. Eu tentei intermediar essa negociação, o investidor queria 100% e os conselheiros queriam passar somente 90%, ou seja, não houve acordo, nenhuma das partes abriram mão e o investidor foi embora”, disse o presidente.
Para disputar competições profissionais em 2026, o Grêmio Maringá também teria que pagar taxas para a CBF e FPF que, somadas, chegariam a cerca de R$ 65 mil. Os valores não foram pagos até o momento e, de acordo com Piassa, nem serão.
“Todos os anos o clube tem que renovar o alvará para ter condições de disputar uma competição no outro ano. Então, para o Grêmio disputar as competições agora em 2026, ele tem que pagar todas as dívidas que ele tem passadas e pagar uma taxa na CBF e outra para a Federação Paranaense. Estamos falando de mais ou menos R$ 65 mil, mas ninguém tem o dinheiro para pagar lá para renovar esse alvará, então não adianta. Não, as taxas não foram pagas e não vão ser pagas”, explicou.
Conforme o dirigente, o pedido de afastamento visa dar ao clube tempo para “colocar a casa em ordem” e buscar novos investidores. Atualmente, segundo o mandatário, as dívidas do GEM chegam na casa dos R$ 4 milhões.
“Eu penso o seguinte, no meu pensamento, um clube de futebol tem que ter investidores, patrocinadores, o clube tem que ter um CT, tem que ter uma categoria de base, tem que ter investimento, pessoas que tenham poder aquisitivo para investir no clube, fora isso é sonhar, não adianta você querer montar um time profissional sem ter um investidor forte. […] Não adianta nada renovar o alvará para 2026 se não tem um investidor para bancar. Não adianta ter três times em Maringá. É difícil ter três times profissionais em Maringá, é muito difícil. Caso apareça um novo investidor, ver se esse investidor tem credibilidade, tem dinheiro, se vai montar um CT, se ele tem caixa para tocar o time de verdade, porque o Grêmio tem um nome muito forte. O Grêmio tem história no Brasil inteiro e o Grêmio não merece ficar passando por situações vexatórias de não pagar jogador, não pagar hotel, coisas que não queremos que aconteçam mais”, finalizou.







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