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A comunicadora e influenciadora maringaense Andréia Silva é a convidada do episódio desta semana do Ponto a Ponto, podcast do Maringá Post. Em conversa conduzida pelo jornalista Ronaldo Nezo, Andréia percorre sua trajetória profissional, analisa as mudanças no mercado da comunicação e compartilha aprendizados sobre reinvenção, empreendedorismo e presença digital. O programa é produzido em parceria com o VMark Estúdio e está disponível na íntegra no YouTube.
Da venda no varejo ao estúdio de televisão
Antes de se tornar um rosto conhecido da televisão maringaense, Andréia construiu sua vida profissional no varejo. “Eu sempre fui uma boa vendedora. E um bom vendedor é aquele que se comunica bem”, afirma. A familiaridade com o público e a desenvoltura diante das câmeras surgiram ainda quando fazia merchandising de uma loja onde trabalhava, participando pontualmente de programas locais.
A entrada efetiva na televisão, segundo ela, não foi fruto de um plano estruturado, mas de um processo orgânico. Em 2013, ao assumir o comando de um programa diário, Andréia descreve aquele período como uma verdadeira “faculdade da televisão”. “Ali eu aprendi o que podia falar, como falar, estúdio, pauta, redação, texto. Aprendi fazendo”, relembra.
A boa fase na TV local
Durante mais de uma década à frente de um programa diário, Andréia viveu o que define como uma excelente fase da TV local, na Rede Massa. Equipes completas, estrutura de produção e liberdade criativa permitiram projetos fora de Maringá e até do país. “Era um programa local, mas que conseguia manter um pé fora daqui”, diz, ao citar gravações realizadas em cidades brasileiras e em Buenos Aires.
Ela destaca que o sucesso daquele período não estava apenas nos números de audiência, mas na conexão com o público. “Ser vice-líder naquele horário, disputando com um programa nacional, sempre foi uma honra. Aquilo mostrava a força do conteúdo local”, avalia.
Mudanças, custos e encolhimento da televisão
Ao abordar as mudanças de formato e horário do programa dela ao longo dos anos, Andréia é direta ao afirmar que as decisões não foram motivadas por queda de audiência. “Nunca foi audiência. Sempre foi financeiro”, afirma. Para ela, o modelo de televisão local passou a enfrentar limitações severas de orçamento, estrutura e mão de obra.
A comunicadora contextualiza a realidade das emissoras do interior. “Nós somos afiliada da afiliada. Isso impacta custo, equipe, equipamento. A televisão hoje luta para se manter”, explica. O resultado, segundo Andréia, é um cenário em que produções se tornam mais enxutas e profissionais acumulam funções, enquanto o mercado busca alternativas para continuar operando.
A virada para o digital e a lógica das redes
Mesmo antes de deixar a televisão, Andréia afirma que já observava o avanço da internet e a mudança no comportamento do público. “Eu vivo da minha imagem. Se eu sentasse nisso [o sucesso na TV], isso [a carreira] acabaria”, diz. A transição para o digital, no entanto, exigiu reorganização. O Instagram, que antes funcionava como extensão da TV, passou a ser tratado como um canal com estratégia própria.
“É como um programa de televisão. Precisa de conteúdo, constância, audiência e anunciante”, resume. Andréia relata que passou a testar formatos, ouvir o público e explorar temas sociais e comportamentais, transformando comentários e interações em parte do conteúdo. Hoje, ela afirma viver exclusivamente de publicidade nas redes e de apresentações de cerimoniais.
“Mulheres que Brilham”: da pandemia à rede de apoio
Um dos momentos mais significativos da conversa é quando Andréia fala sobre o projeto Mulheres que Brilham, criado durante a pandemia. A iniciativa surgiu a partir das dificuldades enfrentadas por mulheres empreendedoras que dependiam de feiras e do contato presencial para vender seus produtos. “Elas não sabiam tirar foto, postar, usar as redes”, conta.
A solução começou simples, com um grupo de WhatsApp para troca de informações, e evoluiu para encontros presenciais, eventos e rodadas de negócios. “A ideia sempre foi conectar, ensinar e fazer circular oportunidade”, explica. Hoje, o projeto reúne centenas de mulheres e se consolidou como um espaço de apoio ao empreendedorismo feminino em Maringá.
Incerteza, humildade e mentalidade empreendedora
No encerramento do episódio, Andréia reflete sobre instabilidade e escolhas profissionais. Para ela, trabalhar com comunicação é aceitar a incerteza como parte do caminho. “A vida é uma roda-gigante. Quando você está lá em cima, aproveita. Quando cai, precisa estar preparado para subir de novo”, afirma.
A comunicadora destaca a importância da humildade, da construção diária e da disposição para pedir ajuda. “Eu vivo exclusivamente do meu trabalho. O mercado acolhe quem é bom, mas também quem tem humildade para fazer”, conclui.
O episódio completo do Ponto a Ponto com Andréia Silva está disponível no YouTube do Maringá Post. A entrevista é apresentada por Ronaldo Nezo e produzida em parceria com o VMark Estúdio. Para conferir a conversa na íntegra e todos os detalhes da trajetória da comunicadora, basta acessar o canal do portal.






