Brasil está despreparado para conflito entre Venezuela e Guiana: faltam até munições

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A crise emergente entre a Venezuela e a Guiana sobre a região de Essequibo traz à tona um cenário preocupante para o Brasil: a evidente falta de preparo militar para enfrentar um possível conflito na fronteira norte. Esta situação, apurada pelo jornal O Estado de São Paulo, coloca em cheque a capacidade defensiva do país diante de desafios geopolíticos crescentes.

O Exército Brasileiro, buscando responder a essa crise, acelerou a transformação do esquadrão de cavalaria mecanizado de Boa Vista no 18.º Regimento de Cavalaria Mecanizado. Embora essa medida busque fortalecer a presença militar na região, a realidade é que o Brasil carece de recursos militares críticos. 

A unidade, mesmo com o reforço de veículos blindados como os Guaicurus e os Guaranis, permanece insuficiente para um enfrentamento robusto, especialmente contra veículos de combate avançados como o tanque T-72.

A situação se agrava com a falta de munições. A guerra na Ucrânia impactou diretamente nos estoques globais, deixando o Brasil em uma posição vulnerável. Falta munição para armamentos chave, como o canhão 120 mm do blindado caça-tanque Centauro II e calibres importantes para os tanques Leopard 1 e a artilharia de 155 mm.

Além disso, a Marinha do Brasil enfrenta seus próprios desafios, tendo recentemente aposentado embarcações significativas, incluindo o Navio de Desembarque de Carro de Combate Mattoso Maia e três submarinos. A escassez de recursos financeiros agrava a situação, com a Marinha recebendo apenas uma fração dos fundos necessários para recompor suas munições.

A crise de Essequibo surge em um momento crucial, servindo como um despertar para a realidade da defesa nacional brasileira. A proposta de destinar 2% do PIB para a Defesa, apoiada por políticos de diversos espectros, reflete a urgência em fortalecer as Forças Armadas. No entanto, há um longo caminho até que um consenso seja alcançado e ações efetivas sejam implementadas.

O Brasil, tradicionalmente visto como um país pacífico e distante de conflitos armados, encontra-se em um momento de reflexão crítica sobre sua capacidade de garantir a soberania nacional. 

A crise na fronteira norte evidencia não apenas as limitações do país em termos de defesa, mas também a necessidade imperativa de repensar e reestruturar as Forças Armadas, para que estejam aptas a responder adequadamente a desafios geopolíticos emergentes.

Esta situação ressalta a importância de uma defesa nacional robusta em um mundo onde as relações entre Estados continuam marcadas pelo equilíbrio de poder e pela potencialidade do uso da força. 

O problema em Essequibo, portanto, representa mais do que um conflito territorial: é um lembrete da necessidade constante de um Estado forte e preparado em um cenário internacional cada vez mais complexo e imprevisível.

Foto: Agência Brasil


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