Boris Johnson renuncia e deixará cargo de primeiro-ministro

Na manhã desta quinta-feira, 7, o primeiro-ministro britânico anunciou que deixará o cargo. Segundo ele, este é o desejo do Partido Conservador, que ficará responsável pela escolha de um novo titular para o cargo.

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson diz que lutou “muito” nos últimos dias porque sentiu que seu trabalho, dever e obrigação com o povo, mas que era o momento de renunciar.

Durante a declaração à imprensa, ele disse estar orgulhoso de suas conquistas, incluindo a conclusão do Brexit, o avanço do Reino Unido durante a pandemia e a liderança do Ocidente na luta contra a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin.

Johnson também disse que tentou persuadir colegas de partido que seria “excêntrico” mudar de governo durante o seu mandato, mas lamentou não ter tido sucesso nos argumentos.

Johnson anunciou a renúncia, mas permanecerá no cargo de maneira interina até a escolha de um novo primeiro-ministro. O calendário para a escolha de um novo primeiro-ministro será anunciado na próxima semana.

Crise
Boris Johnson renunciou ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido nesta quinta-feira, 7, em meio à grave crise política que levou à demissão de mais de 50 integrantes do governo nas últimas 48 horas. Johnson confirmou o fim do governo em um pronunciamento à imprensa em frente à sede do governo, no número 10 de Downing Street, em Londres.

Os principais veículos de comunicação britânicos já davam como certa a renúncia do premiê na manhã desta quinta. Jornais como The Guardian, The Times, The Independent e The Telegraph, além da rede britânica BBC, amanheceram nesta quinta afirmando que a queda era inevitável.

Mais de 50 pessoas entregaram os cargos desde as saídas do chefe do Tesouro, Rishi Sunak, e do ministro da Saúde, Sajid Javid, que renunciaram na terça-feira, 5, incluindo alguns dos nomeados por Johnson para ocupar os cargos recém-vagos.

O líder do Partido Trabalhista, principal força da oposição britânica, Keir Starmer, avaliou a renúncia do primeiro-ministro como uma “boa notícia”. “A única maneira de o país ter o recomeço que merece é se livrar desse governo conservador”, escreveu Starmer.

Johnson é conhecido por sua capacidade de ignorar escândalos, mas uma série de acusações criminais o levaram à beira do precipício, e alguns de seus colegas parlamentares conservadores agora temem que o líder conhecido por sua afabilidade possa ser um risco nas eleições. Muitos também estão preocupados com a capacidade de um Johnson enfraquecido de governar em um momento de crescente tensão econômica e social.

Meses de descontentamento com o julgamento e a ética de Johnson dentro do Partido Conservador do governo explodiram com as renúncias, que começaram a acontecer poucas horas depois de o primeiro-ministro apresentar novas desculpas ao admitir que cometeu um “erro” por ter nomeado para um cargo parlamentar importante Chris Pincher, um conservador que renunciou na semana passada e reconheceu que apalpou, quando estava embriagado, dois homens, incluindo um deputado, em um clube privado do centro de Londres.

Depois de afirmar o contrário em um primeiro momento, Downing Street reconheceu na terça-feira que o primeiro-ministro havia sido informado em 2019 sobre acusações anteriores contra Pincher, mas havia “esquecido”.

A isso se soma o fato de que, nos últimos meses, Johnson foi multado pela polícia e criticado pelo relatório de uma investigadora que aponta desrespeito às restrições contra a covid-19 impostas a outros, o escândalo que ficou conhecido como “Partygate”. (Com agências internacionais).