Será que existe superávit na gestão pública?

Tem sido muito comum ouvir gestores públicos prestarem contas e usarem um termo da área econômica: fechamos o período com superávit financeiro. O que isso significa? 

Por Adriano Prado Marquioto, analista político

Na prática, isso parece sugerir que existe dinheiro em caixa: as contas foram pagas e sobrou grana.

Alguns motivos levam os órgãos governamentais a acusar o superávit financeiro no final do exercício, tais como: políticas administrativa e financeira eficientes, boa capacidade de arrecadação das receitas, cobrança de tributos com valor elevado, não computação de todos os custos dos serviços, obtenção de recursos financeiros adicionais anteriormente não previstos, valores oriundos de aplicações no mercado financeiro, postergação de compromissos vencidos, não realização de despesas fixadas no orçamento, entre outras ocorrências.

Por outro lado, não é raro presenciarmos contribuintes reclamando da baixa eficiência dos serviços públicos, sobretudo na área da saúde. Reivindicações por obras estruturais essenciais para uma melhor qualidade de vida como saneamento, asfaltamento, iluminação pública, mobilidade urbana, habitação também são recorrentes. Não menos importantes e também recorrentes são as solicitações de maior oferta de atividades culturais, esportivas, recreativas e de inclusão social.

Assim, temos de um lado gestores eufóricos por apresentar dinheiro em caixa, do outro, o povo que sempre precisa e merece mais atenção por parte dos mesmos gestores.

Portanto, por mais que a notícia apresentada no início deste texto seja positiva, com um olhar um pouco mais criterioso, percebe-se que ter dinheiro em caixa e demandas a serem executadas configuram um desequilíbrio entre a boa capacidade de arrecadar e o atendimento eficiente das demandas da população.

E, por fim, se algum dia chegarmos à realidade utópica do pleno atendimento do povo em todas as suas necessidades, será a hora dos gestores atuarem na redução dos tributos aliviando a carga tributária do lombo dos contribuintes – mas isso é apenas um sonho.

Foto: Agência Brasil

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