Mais duas cidades próximas a Maringá entram em sistema de rodízio no fornecimento de água

24 de agosto de 2021
sistema de rodizio
Com a longa estiagem, o lençol freático baixou e poços artesianos secam ou produzem menos água Reprodução

A partir desta quarta-feira, 25, o abastecimento de água em Jandaia do Sul (a 41 quilômetros de Maringá), entrará em sistema de rodízio, no modelo 24 horas com água e 24 horas de suspensão. Na quinta, 26, a população de Jardim Alegre (a 120 quilômetros), também passará a ser abastecida em sistema de rodízio. Atualmente, 14 cidades da Região Metropolitana de Curitiba (incluindo a capital) têm o fornecimento de água durante 36 horas com suspensão de até 36 horas. Pranchita e Santo Antônio do Sudoeste estão em rodízio mais ameno, com suspensão do abastecimento durante oito horas a cada quatro dias. Marialva, que tem a gestão da água e esgoto feita por uma autarquia municipal, está com o sistema parcialmente em rodízio durante a semana.

Outras cidades do estado seguem em alerta no abastecimento. Na região Nordeste, Santo Antônio da Platina, Ibaiti, Quatiguá, Siqueira Campos, Carlópolis e Jacarezinho. No Noroeste, Goioerê. Nas regiões Oeste/Sudoeste/Noroeste, Goioerê, Iretama e Medianeira. Em Cascavel, desde o início do mês, a Sanepar passou a utilizar a captação do Lago Municipal de Cascavel para poder complementar a produção e atender a demanda da cidade.

A implementação do rodízio e o alerta para uso racional da água foram adotados pela Sanepar para mitigar os efeitos da crise hídrica que atinge o Paraná há mais de um ano, uma estiagem sem precedentes pelo menos nos últimos 50 anos. Chuvas abaixo da média têm reduzido a vazão de rios e poços utilizados para abastecimento humano.

O rodízio tem evitado que sistemas de abastecimento entrem em colapso, permitindo que a água seja distribuída de forma regular para toda a população e não prejudique, assim, moradores das regiões mais altas e distantes dos pontos de distribuição.

O diretor de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Julio Gonchorosky, destaca que a condição atual evidencia os graves efeitos da degradação ambiental em todo o planeta. “Além de fazer uso racional da água, se faz necessária a preservação de florestas e mananciais. No caso da Região Metropolitana de Curitiba, por exemplo, é imperiosa a preservação da Serra do Mar, que é quem garante água para abastecimento público na região.”

A seca provoca impactos que vão além do fornecimento de água para abastecimento público. Já são contabilizadas perdas consideráveis na produção agrícola, há um aumento na ocorrência de incêndios em todo o estado e também da incidência de problemas de saúde.

No início de agosto, o governo estadual publicou o quarto decreto de emergência hídrica no Paraná, em sequência, reconhecendo a gravidade da estiagem e que prioriza o uso da água para abastecimento humano e dessedentação animal.

Em julho, houve 1.505 focos de queimadas no Paraná, 125% a mais que no mesmo mês do ano passado, quando 669 ocorrências foram confirmadas. Nos primeiros dias de agosto, as ocorrências mais do que dobraram, passando de 674 registros entre os dias 1º e 8 de agosto, contra 329 no mesmo período de 2020.

O alerta de risco alto de incêndio continua vermelho na maior parte do estado, conforme mapa divulgado no fim de semana pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). “Essa situação severa para a rápida propagação de incêndios ambientais deve-se à combinação de alguns fatores, como ausência de chuvas, umidade do ar mais baixa e temperatura. Esse cenário só muda com a ocorrência de chuvas mais volumosas no estado. Embora esse período seja historicamente mais seco, também temos o agravante de uma crise hídrica que perdura há mais de um ano”, afirma o coordenador de Operação do Simepar, meteorologista Marco Antonio Jusevicius.