Polícia prende secretária de líderes religiosos indiciados por tráfico de pessoas para trabalho escravo em Maringá

13 de agosto de 2021
trabalho escravo
Polícia prendeu os responsáveis pela igreja no mês passado/ Foto - PCPR

Investigadores do Nucria (Núcleo de Proteção a Criança e Adolescente) prenderam na tarde desta quinta-feira, 12, a secretária da igreja das Nações da Poderosa Mão de Deus. Os três líderes religiosos foram presos no fim do mês passado, durante uma operação da Polícia Civil para coibir a prática de aliciamento de crianças e adolescentes com intuito de submetê-las ao trabalho escravo.

A ação de ontem contou com o apoio da 9ª Subdivisão Policial (SDP) de Maringá. Segundo a polícia, a secretaria da igreja era responsável por coordenar e fiscalizar a venda de pizzas por menores de idade em Maringá e região. Ela vai responder pelos crimes de associação criminosa e tráfico de pessoas com a finalidade de submeter a condições análogas à de trabalho escravo.

O caso
Os líderes da igreja são pai, mãe e filho. “Eles utilizavam essas crianças para a venda de pizzas afirmando que a ação seria uma obra divina e que o dinheiro seria doado para crianças com câncer”, explicou a delegada do Nucria (Núcleo de Proteção a Criança e Adolescente) Karen Friedrich responsável pelas investigações e pela operação de sexta.

Segundo a polícia, após o aliciamento, os menores eram submetidos ao trabalho forçado, em jornada excessiva. Os suspeitos ainda obrigavam as crianças a prestar contas relacionadas às vendas, por meio de ameaças e agressões físicas e verbais.

Uma das vítimas, de 13 anos, foi subtraída dos pais para trabalhar como empregada doméstica na casa da família de pastores. Os pais que tentavam contestar os métodos do grupo – de acordo com as investigações – também eram agredidos e ameaçados. A operação apreendeu dinheiro, cheques, documentos, uma pistola, entre outros.

Na igreja onde foram cumpridos os mandados no fim de julho, a Vigilância flagrou grande quantidade de produtos usados na confecção de pizzas armazenadas de forma irregular, fora da temperatura de acondicionamento ideal, sem data de validade e sem procedência.

“Alimentos nessa situação colocam em risco a saúde de quem consome. Não havia condições de higiene adequadas no local”, explica a fiscal da Vigilância Sanitária, Samantha Cristina Bego. Todos os produtos foram apreendidos e serão descartados. A igreja receberá um auto de infração.