Por Wilame Prado
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É difícil sorrir com tudo isso. Matam o cachorro Orelha, líderes deflagram guerras por motivos financeiros e as pessoas perdem qualquer tipo de noção sobre respeito, fidelidade, amor e real significado sobre família.
Difícil sorrir quando eles pisam nas flores que acabaram de florir. Quando matam imigrantes porque ideologias falsas limitam a capacidade do ser humano em simplesmente compartilhar, fica difícil sorrir.
Os bancos decretam falência, do dia para noite. E os correntistas que corram atrás do prejuízo. Criminosos pedem uma segunda chance após o crime cometido, sabendo que há interesses por trás da pauta e que, portanto, pode haver o perdão via impunidade. Não dá para sorrir assim.
Quem é que sorri quando valores religiosos são usados com má-fé para alguém apertar o número do político na urna? É flagrante a inocência de gente de muita fé, mas de muito desespero a ponto de achar que meninos são deuses. O desespero cega, emburrece e leva as pessoas até as últimas consequências.
O sorriso que vinha fácil diante de uma criança feliz e brincando inocentemente se transforma em cara fechada, raiva e choro contido quando se nota que a perversidade pode estar até mesmo nas brincadeiras “inocentes” de outros pequenos na mais tenra idade.
O bullying, infelizmente, já não tem pautado tantas discussões ou repercutido em mídia, mas segue existindo, eu sei. Está no seu prédio, na sua família, na escola dos seus filhos e na mente de crianças protegidas por pais que justificam assim: “é normal, ele é só uma criança”. Pois eu digo: é só uma criança sim, mas que pratica maldades desde pequeno.
A sociedade conectada no Instagram 24 horas por dia exige da gente marmitas congeladas, mounjauro, fins de semana no Porto Rico, casa arrumada, treino na academia e domingo no Parque do Ingá. Só que está difícil sorrir, cara. É bem difícil acompanhar os stories extremamente felizes de todos. A grana acabou e ninguém tem saco mais para tanta falsidade ou atos encenados para insistir em reforçar que a grama do vizinho é bem mais verde.
A taxa recorde de emprego no Brasil não consegue suprir uma verdade nua e crua: pessoas “empregadas” até tem carteira assinada, só que não conseguem mais pagar as contas básicas do cotidiano, tampouco acompanhar a sociedade do consumo cheia de carros, motonetas elétricas, patinetes ridículos, piscinas, bares, churrascos e… sorrisos.
De coração, peço perdão para quem não viu mais o meu sorriso. Porém, ninguém se importa mesmo com isso. Está todo mundo se lixando para o próximo, o lance é bem individualista atualmente. Mas se me permitem uma justificativa: realmente está difícil sorrir, pelo menos de maneira honesta e não idiotizada. E parabenizo você com essa bocarra escancarada cheia de dentes, esperança e selfies. Parabéns, de verdade. Apenas entenda que talvez pensar demais naquilo que vem acontecendo impede o ato de sorrir.
A gente está preocupado, o sorriso foi embora. E surgem cada vez mais aquelas rugas na testa de dúvidas e surpresas totalmente negativas. Embasbacados, seguimos. Sem desrepeitar ninguém, com humildade, trabalhando muito, muito, mas com uma dificuldade imensa de mostrar os dentes. Cada vez mais, é difícil sorrir. Tente pensar um pouco e sorrir menos.







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