Por Wilame Prado
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Faltam 7 fins de semana para acabar 2025. E você não pode mais desperdiçar o seu tempo livre com coisas fúteis no sábado e no domingo.
Se você é mãe ou pai, aproveite bem todos os momentos ao lado do seu filho. Afinal, são apenas 7 apresentações escolares em toda a infância, momento em que as crianças olharão para a plateia buscando uma troca de olhar entre elas e os pais.
Se acabou de ganhar bebê, entenda bem: são apenas 4 verões com uma fofura recém-nascida, depois disso ela já estará andando e não ficará pedindo colo e aconchego para você.
Se o seu pai tem 70 anos, e ele falecer na idade média atual de morte de homens brasileiros, você terá apenas mais 3 anos com ele. Considerando que o encontra apenas aos fins de semana, “ainda” terá 156 encontros pela frente. Se o ver uma vez por mês, serão apenas 36 encontros. Agora se só consegue vê-lo no fim de ano, lamento dizer: você só verá os olhos do seu pai com vida apenas 3 vezes antes de ele morrer.
É bem cruel a matemática que o povo deu para jogar em nossas caras nas redes sociais e aplicativos de conversa. A mensagem é sempre a mesma: aproveite ao máximo os momentos com quem você ama. Como se a relação humana fosse uma equação com resultado exato. Não é!
E é difícil fugir dessas postagens que insistem em contar quantos dias faltam para o fim do mundo. O algoritmo é cruel. Ele sabe quem você é. Se é pai de bebê ou criança, com certeza já recebeu algum corte de vídeo do simpático paizão Marcos Piangers. E certamente saiu dali com o rosto todo molhado de lágrimas e culpa. Se tem pai idoso, é bem provável que foi bombardeado com vídeos de psicólogos nos lembrando do dever, legal e moral, de cuidar dos nossos pais.
É cruel admitir, mas nem sempre é um grande prazer ir na apresentação escolar de uma criança. Sem falar que marcam sempre no período da tarde, justamente quando era praticamente impossível sair do trabalho.
Esse fim de semana, confesso Gabriel, vivi uma sessão de tortura no cinema: aquele filme de Natal do Patrulha Canina é uma agressão aos olhos e ouvidos. Pouco mais de 1h30min que pareciam não acabar mais vendo uma história boboca, mal escrita e tendenciosa para os fãs dos dog´s patrulheiros. Porém, é preciso criar memórias, como dizem os “especialistas” das relações familiares.
Apenas exemplos concretos e reais de um pai de primeira viagem. Fui sincero, mas talvez seja “cancelado”. A galera insiste em vender solução para tudo. Buscam curtidas, comentários e money na internet tocando o dedo justamente na ferida de cada nicho existente na sociedade.
A nossa rotina já é muito puxada offline. Antes desse tiroteio de mensagens que explicitam exatamente a quantidade de fins de semana que terei ao lado do meu filho pequeno ou da minha mãe idosa, eu já sabia sim que o tempo voa, que precisamos aproveitar ao máximo e que as despedidas mais tristes são aquelas entre quem permaneceu na Terra e quem infelizmente se foi.
Só que, sei lá, não ajuda em nada ficar contabilizando dias, meses, fins de semana, para quem já vê no existencialismo e na urgência da sobrevivência a grande verdade da existência: o passado já foi, o futuro é incerto e só nos resta exatamente este momento. Agora!
Combinar um jantar com a sua amada não é certeza alguma de que aproveitará uma noite romântica ao fim do dia. No meio da tarde, aquele infortúnio fatal. E tchau. Como cantou Raul: “Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio”.







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