Opinião: Maringá melhorou ou piorou em 8 anos?

Maringá
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Por Victor Faria, colaboração especial para o Maringá Post

Comparativo entre o último ano da gestão Roberto Pupin e Ulisses Maia mostra um panorama da cidade nos últimos anos

A pergunta é indigesta. É difícil afirmar o progresso ou regresso de um município, ainda mais com tantas variáveis que não são tangíveis. Ao andar na rua, você, por exemplo, se sente mais seguro ou inseguro? Isso é culpa dos novos tempos ou do gestor público? Além disso, não é possível desconsiderar o fator pandemia, que gerou dificuldade em várias esferas – saúde, educação, economia e muito mais.

Apesar disso, há números que podem ser levados em consideração. A resposta, entretanto, fica a cargo do leitor que pode utilizá-los para nortear de forma técnica alguns aspectos. Assim, utilizaremos o orçamento da cidade para 2016 e para 2024 – último ano da gestão de Roberto Pupin, comparando com o último ano da gestão Ulisses Maia.

Crescimento
Sob a tutela de Ulisses, Maringá cresceu mais do que a inflação. Considerando-se valores absolutos, em 8 anos, o orçamento do município quase dobrou, de R$ 1.394.842.974,00 para R$ 2.758.976.000,00 – um aumento de 97%. Em um período compreendido de inflação de 54,1% (IPCA-15, com referências em agosto de cada ano), o aumento no orçamento da cidade foi de 28%, acima da inflação.

Gastos
A proporcionalidade de gasto com pessoal também cresceu: em 2016 a previsão era de que 45% do orçamento fosse utilizado para pagamento de pessoal. Oito anos mais tarde esse gasto compromete 50% do orçamento da cidade. Empréstimos também estão mais presentes nos orçamentos. A dívida consolidada do município (aquela com vencimento superior a 12 meses) saiu de R$ 143 milhões para R$ 533 milhões.

Sejamos objetivos: o valor à época, hoje corrigido pela inflação, seria de R$ 220 milhões. Isso significa um aumento de 141%, considerando a inflação e de 272%, desconsiderando-a. Assim, o município mais que dobrou a dívida consolidada em 8 anos, mesmo considerando a inflação. Em 2016, a dívida consolidada correspondia a 10,27% do orçamento total, enquanto, em 2024, corresponde a 19,33%.

Secretarias
Se em 2016, durante a campanha, uma das palavras de ordem de Ulisses Maia era austeridade a partir da diminuição de secretarias e da máquina pública, em relação aos Cargos Comissionados – o que durou durante seu primeiro mandato -, em 2024 a realidade é diametralmente oposta. A gestão Maia deve encerrar o ano com 32 secretarias, enquanto a de Pupin tinha 24 secretarias – aumento de 33% no número de secretarias.

Marcas
Foi durante a administração de Ulisses que se viu reformas de espaços públicos de convivência. Praças revitalizadas, uma Parceria Público-Privada para a Iluminação Pública, a entrega do novo Terminal Urbano, reformas no aeroporto e início das obras do Eixo Monumental e Centro Cultural Oscar Niemeyer. O parque das águas (a famosa “prainha”), entretanto, ficou em segundo plano.

Maia também garantiu o Vale-Alimentação para servidores públicos, pagou a ação da trimestralidade que perdurava há anos. Tentou (mas não conseguiu) um acordo com a Sanepar e fez as pazes com a TCCC (Transporte Coletivo Cidade Canção), indenizando a companhia e garantindo subsídios para diminuição da tarifa de ônibus.

Diversos incentivos a servidores foram implementados – uma forma de suprimir a margem fiscal e garantir aos servidores ativos mais remuneração. Outra conduta de Ulisses Maia foi a compra de vagas em creches particulares, ação que foi amplamente elogiada pela comunidade e que diminui drasticamente a fila de crianças por vaga em centros de educação infantil.

Saúde e Educação
Outra comparação que não pode deixar de ser feita: o investimento em saúde e educação. Em 2016, o orçamento para saúde era de R$ 378 milhões. Esse valor, ainda que corrigido – R$ 583 milhões -, é menor do que os R$ 654 milhões previstos para 2024.

Apesar disso, a participação da saúde no orçamento era maior: 27% em 2016, ante 23% em 2024. Na educação, a proporção de investimento em relação ao orçamento se manteve estável em 18%. Em 2016, o município destinou R$ 260 milhões para a pasta (valor que em cifras atualizadas seriam de R$ 401 milhões), enquanto em 2024 o orçamento previsto é de R$ 519 milhões.

Ideb caiu
Para além do investimento, ressalta-se os resultados. Como disse, anteriormente, não podemos desprezar o fator pandemia, mas o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em Maringá estava em 7,1 em 2015.

O número mais recente é de 6,5, em 2021. A nota mais alta alcançada por Ulisses – que dizia que a meta era nota 8 para o índice – foi de 7,2, em 2019. As duas únicas vezes em que Maringá teve redução de nota, a propósito, foram durante a gestão Ulisses Maia: de 7,1 para 7,0 (2015-2017) e de 7,2 para 6,5 (2019-2021). Maia terá mais uma chance, agora em 2024, quando será divulgada a nota do Ideb de 2023.

Com você
Muita coisa mudou em 8 anos. Mais pessoas vivem na cidade, as demandas são diferentes e regem um pouco do que se espera para cada tempo. Maringá segue sendo Maringá. Se ela melhorou ou piorou, meu caro leitor, fica a seu critério decidir! E mais: ela melhorou ou piorou devido ao gestor? Essa resposta cabe a cada um e quem dirá são urnas!

COMPARATIVO ORÇAMENTO 2016 X 2024

Maringá cresceu mais do que a inflação:
Orçamento 2016 – R$ 1.394.842.974,00
Orçamento 2024 – 2.758.976.000,00
Orçamento 2016 corrigido IPCA-15 – R$ 2.149.386.607,97

*Inflação considera 08/2015 a 08/2023 = 54,1%
**Aumento de 28%, em relação ao calculado pela inflação.
*** Aumento de 97% sem correção (quase dobrou em oito anos)

Despesa com pessoal:
2016: 45,79% do orçamento
2024: 50,07% do orçamento

Dívidas:
2016:
> Consolidada: R$ 143.221.153,88
> Flutuante: R$ 254.211.188,37
> Total: ‭R$ 397.432.342,25‬

2024:
> Consolidada: 533.560.813,01
> Flutuante: 446.559.356,20
> Total: R$ 980.120.169,21‬

Dívida Consolidada em 2016 (inflação) = R$ 220.696.978,70
Dívida Flutuante 2016 (inflação) = R$ 391.727.337,10

Aumento dívida consolidada considerando inflação = 141%
Aumento dívida consolidada desconsiderando inflação = 272%
Aumento dívida flutuante considerando inflação = 13%
Aumento dívida flutuante desconsiderando inflação = 75%

Dívida Consolidada em relação ao orçamento total 2016 = 10,27%
Dívida Consolidada em relação ao orçamento total 2024 = 19,33%

Número de secretarias
2016: 24 + Câmara Municipal + Fundo Bombeiros
2022: 32 + Câmara Municipal + Fundo Bombeiros

Orçamento Câmara Municipal de Maringá:
2016: R$ 19.315.601,00
2024: R$ 63.012.594,00
2016 Inflação: R$ 29.764.421,44

Aumento orçamento câmara desconsiderando inflação = 222%
Aumento orçamento câmara considerando inflação = 111%

Consulte aqui o orçamento de Maringá de 2016.

E aqui o orçamento de Maringá de 2024.

 

 


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