Tempo estimado de leitura: 4 minutos
Natural de Petrópolis, no Rio de Janeiro, Marcelo Bulgarelli vive em Maringá há quase 30 anos. Jornalista, ele chegou na Cidade Canção em 1997, para trabalhar na afiliada da TV Globo. No meio da mudança, os itens que mais geraram custos e demandaram tempo de organização não foram móveis ou eletrodomésticos, mas sim uma coleção de fitas VHS.
“Isso (a coleção) começou lá em Petrópolis ainda. Era a época do VHS. Eu conheci uma loja lá que o cara revendia as fitas usadas. Aí eu comprei uma, fui comprando outra e comecei a colecionar. Tanto é que na mudança, o que mais encareceu mesmo foi o transporte dessas fitas, que são pesadas (risos)”, relembra.
O tempo passou e as fitas, pouco a pouco, foram saindo das estantes da casa do jornalista. A paixão pelo cinema, no entanto, persistiu e criou espaço para uma nova coleção, agora de DVDs. Em um período marcado pelo streaming e as produções das próprias marcas, Bulgarelli se orgulha de manter um acervo com mais de 3,5 mil DVDs originais.
Com gosto eclético, o acervo reúne produções de vários gêneros. Tendo uma vasta coleção à disposição, ‘Bulga’, como é conhecido entre os amigos, garante que não precisa de assinaturas de plataformas de filmes.
“O meu gosto é bem eclético, mas eu dava sempre preferência aos filmes autorais, né? Os chamados filmes de autor, que são os filmes da Europa, os filmes da Nova Hollywood, que são os diretores independentes que surgiram no final da década de 60 para a década de 70”, cita Marcelo Bulgarelli.
“Não preciso de streaming. Pode soar um pouco arrogante isso, até porque o streaming eu acho legal, mas penso que é mais de conveniência do que qualidade. Você não tem uma qualidade sonora, você não tem qualidade de imagem, não se compara com um blue-ray com uma imagem 4k, que hoje você consegue comprar com uma qualidade muito superior em seis canais, até sete canais de som. Então a experiência é bem outra”, resume o colecionador.
Além da qualidade de imagem e som, Marcelo cita como diferencial o fato de muitos dos itens da coleção serem de filmes que não estão presentes nas plataformas.
“O mais importante de tudo é que o que eu tenho aqui eu não encontro no streaming, sabe? São filmes da Finlândia, filmes mexicanos, filmes de algumas nacionalidades que você não vai encontrar com facilidade nos streamings e, se encontrar, vai encontrar um em uma plataforma, outro em outra plataforma, não numa coisa só. Aqui no Brasil o problema de tudo é que todo mundo parte para conveniência, né? Não quer saber o sistema de qualidade, não se preocupa muito com isso e a pessoa acaba se acostumando com o que tem disponível nas plataformas”, disse.
Para Bulgarelli, os DVDs e a busca pelos cinemas alternativos são uma rica forma de conhecer novas culturas.
“Eu acho muito importante a gente conhecer filmes de outras nacionalidades, principalmente de outras línguas, para a gente conhecer um pouco a cultura de outros países. Eu cito aqui um exemplo de um filme chamado “A Rena Branca”, que é da década de 1950, e é um filme finlandês. Toda a história é em torno de uma rena. A gente descobre ali que a rena, naquela população ali, servia para o alimento, servia para o vestuário e também para o transporte. E é bacana também que, assistindo filmes em outros idiomas, você aprende a se acostumar com uma nova língua”, exemplifica.
Com um mercado cada vez mais restrito, o colecionador segue comprando filmes até os dias atuais. Ele se recusa a vender qualquer item do acervo e afirma já ter recebido convites para apresentar a coleção em exposições.
“Já me chamaram para fazer uma banquinha nessas feiras de vinil. No momento, eu não tenho filmes à venda, mas penso que logo terei de fazer isso, até para ter espaço de guardar novos filmes que comprarei”, finalizou.








Comentários estão fechados.