Muito além da organização de livros: Dia do Bibliotecário destaca papel dos mediadores da informação

Uma das profissões mais antigas da humanidade, a biblioteconomia envolve administração, gestão e cuidado com a informação

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    Nesta quinta-feira (12), é celebrado o Dia do Bibliotecário, uma profissão que vai além da organização de livros e que não se restringe ao espaço da biblioteca. Tem a ver com administração, gestão e, acima de tudo, cuidado com a informação.

    A bibliotecária Romi Matos, formada há mais de 30 anos e atua na Biblioteca Municipal Centro (Bento Munhoz da Rocha Neto), explica como é a rotina e os bastidores de seu trabalho, que é um dos mais antigos da humanidade.

    Romi Matos / Foto: Antonio Ozaí

    Muitas pessoas não sabem, mas a profissão de bibliotecário é regulamentada no Brasil e exige graduação em Biblioteconomia. O curso dura quatro anos e conta com matérias como catalogação, classificação e indexação – disciplinas que ensinam a organizar informações e facilitar a busca pelo conhecimento.

    Segundo Romi, o ponto principal é manter as pessoas bem informadas, com dados seguros. “Eu sou uma mediadora da informação. Então, além de organizar, preciso mostrar quais conteúdos são confiáveis, quais estão disponíveis e onde encontrá-los”, afirma.

    Além disso, Romi esclarece que nem todo bibliotecário precisa trabalhar em uma biblioteca. O profissional também pode atuar em áreas como escritórios de advocacia, empresas de engenharia, agronomia ou tecnologia, sempre com foco na informação.

    “A biblioteconomia, assim como qualquer outra profissão, também se ramifica. […] Hoje em dia, nós temos bibliotecários trabalhando em empresas como o Google ou a Microsoft. Por exemplo, organizar um site que seja um site bem interativo, de buscas que tragam respostas pertinentes para os usuários de qualquer empresa. Então, você pode usar um bibliotecário para tudo isso”.

    Uma profissão antiga, mas com olhar para o futuro

    As primeiras bibliotecas surgiram por volta de 3000 a.C., na Mesopotâmia. Com o tempo, surgiu também a necessidade de organizar e preservar o conhecimento — o que deu origem à função do bibliotecário. “Desde que surgiu a informação, o ser humano tentou organizar registros do que acontecia no mundo”, diz Romi.

    Apesar de ser uma das profissões mais antigas do mundo, ela tem ainda mais relevância na atualidade, com o avanço da tecnologia e o grande volume de informações disponíveis.

    “Com o tanto de informação que nós temos hoje, se elas não estiverem organizadas e em lugares confiáveis, como a gente vai se virar com isso? Como é que a gente pode confiar nas informações?”, questiona Romi. “Então, a função do bibliotecário é futurística também”.

    Um espaço inclusivo

    Biblioteca Municipal Centro (Bento Munhoz da Rocha Neto) / Foto: Romi Matos

    A Biblioteca Munhoz da Rocha, a primeira de Maringá, foi inaugurada em 1963, e hoje a cidade conta com seis bibliotecas públicas.

    Segundo Romi, isso representa um diferencial, já que muitas unidades foram fechadas no Brasil nos últimos anos. Em 2015, o país tinha 6.057 bibliotecas públicas; atualmente, esse número caiu para 5.293, conforme dados do Ministério do Turismo.

    Nesse contexto, Romi reforça a importância de valorizar as bibliotecas públicas, que funcionam como locais gratuitos e abertos à comunidade. Muitas pessoas utilizam o espaço para estudar, trabalhar ou acessar computadores e a internet.

    A biblioteca também se torna um ambiente acolhedor e inclusivo para diferentes públicos, como crianças, adultos, idosos, pessoas com deficiência e até pessoas em situação de rua ou jovens em conflito com a lei que cumprem trabalhos comunitários. Por esse motivo, Romi considera que seu trabalho também tem um caráter social.

    “A biblioteca é ampla para atender várias demandas da comunidade. Então quero dizer que as portas estão abertas para quem quiser visitar”, conclui Romi.

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