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Em meio às muitas mulheres que se destacam na defesa de direitos e no combate às injustiças, a trajetória de Eni Rodrigues de Abreu Godoi chama atenção para um tema que ainda recebe pouca visibilidade: a realidade das pessoas com deficiência e a luta por inclusão social e econômica.
Há mais de 35 anos, Eni Abreu se dedica ao trabalho voluntário e às ações comunitárias em Maringá. Ao longo desse período, participou de diferentes iniciativas de apoio a moradores da cidade.
Em 2014, sua vida passou por uma mudança permanente: ela perdeu a visão após complicações decorrentes de uma cirurgia para retirada de um tumor na cabeça. Apesar das dificuldades que surgiram a partir daquele momento, essa experiência acabou se transformando em um novo propósito: a luta pela causa das pessoas com deficiência (PCDs).
Atualmente, Eni é presidente do Instituto da Pessoa com Deficiência “Aurita Norato de Abreu” (IANA), em Maringá, onde continua realizando um trabalho que já desenvolve há mais de 35 anos: o envolvimento com ações comunitárias e o voluntariado.
“Antes de eu ser uma pessoa com deficiência, eu já era bem ativa em relação à comunidade, em relação a trabalhos voluntários. Então, isso sempre me trouxe uma bagagem positiva muito grande, muito forte”, afirma Eni.

A instituição leva o nome de outra mulher importante na vida de Eni: sua mãe, Aurita Norato de Abreu, que dedicou mais de 40 anos ao trabalho voluntário e se tornou uma referência para a filha.
“Eu quis homenagear a minha mãe, porque tudo que eu faço hoje, trabalho voluntário, eu me inspiro na minha mãe, porque ela foi a minha maior incentivadora de tudo isso”, explica Eni.
Muito além do básico

No IANA, a proposta é criar uma rede de apoio entre pessoas com deficiência. Segundo Eni, ainda é preciso mudar a forma como a sociedade apoia esse público, já que muitas iniciativas acabam se limitando ao assistencialismo.
Entre as principais dificuldades apontadas por ela está a falta de acessibilidade em ambientes privados e também a exclusão no mercado de trabalho.
“Todo mundo acha que a pessoa com deficiência precisa apenas de comida ou de uma cesta básica. Isso também é importante, mas não é só isso que precisamos. Precisamos de oportunidades, de espaços, de qualificação e de emprego. Muitas pessoas querem trabalhar, mas acabam sendo rejeitadas no mercado”, afirma.
Além desses obstáculos estruturais, Eni reforça que uma das demandas mais básicas das pessoas com deficiência ainda é o respeito.
“A falta de respeito com as pessoas com deficiência é muito forte. O que precisamos quebrar é essa barreira para que as pessoas nos vejam como pessoas normais.”
A presidente também explica que o instituto se tornou um espaço importante de convivência, onde pessoas com deficiência encontram apoio umas nas outras. As reuniões acontecem uma vez por mês e costumam reunir entre 30 e 40 participantes.
Mulheres e deficiência
Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, Eni também chama atenção para uma realidade pouco debatida: a vulnerabilidade das mulheres com deficiência. Segundo ela, muitas situações de violência permanecem invisíveis.
“A mulher com deficiência pode passar pelo mesmo sofrimento e desrespeito em relação aos abusos. Mas infelizmente, isso não é tão visível, não é tão declarado”, relata.
Apesar das dificuldades, ela mantém uma visão firme sobre a importância de seguir lutando.
“Eu sou uma mulher que me orgulho de ser mulher […] E nós mulheres, independente da nossa qualificação, se percebemos ou não, o que precisamos é de respeito. E o respeito não vem só do nosso companheiro ou não, o respeito vem no modo geral. Mulher vai ser sempre mulher, independente da postura e da posição que ela se encontra”, conclui.
Para conhecer mais sobre o Instituto da Pessoa com Deficiência “Aurita Norato de Abreu”, acesse o Instagram: @iana.pcd.






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