História de maringaense que teve fotos íntimas expostas por ex-companheiro vai ganhar série na HBO Max

“Nua na rede: a verdade sobre Rose Leonel” tem estreia marcada para o dia 10 de março. Obra visa contar a perspectiva da vítima, alvo de um dos primeiros casos de de divulgação de imagens íntimas sem consentimento no Brasil. Anos após o crime, Rose transformou a dor da exposição em coragem para ajudar outras vítimas: “Virou minha missão”.

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    O ano era 2006. Após o término de um relacionamento de pouco mais de três anos, a maringaense Rose Leonel foi vítima de exposição de fotos íntimas sem consentimento na internet, divulgadas pelo ex-noivo, que não aceitava o fim da relação. Sem esperar, a vida dela mudaria da noite para o dia ao se tornar uma das primeiras vítimas deste tipo de crime no Brasil.

    Exatos vinte anos depois, a história da colunista ganhará uma série documental. “Nua na rede: a verdade sobre Rose Leonel” é uma produção da HBO Max, que chegará na plataforma de streaming no próximo dia 10 de março. Em cinco episódios, a série contará, da perspectiva da vítima, todos os desdobramentos do caso que repercutiu no país e motivou uma alteração na Lei Maria da Penha, tipificando o crime de vazamento de fotos íntimas.

    A maringaense tinha tudo para virar apenas mais uma estatística. Apenas em 2025, mais de 1,5 milhão de mulheres foram vítimas de exposição da intimidade por ex-companheiros na internet, de acordo com dados da pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”, realizada pelo Datafolha. No entanto, ela decidiu ir além.

    Decidida a não permitir que outras vítimas ficassem desamparadas, Rose dedicou os anos seguintes da vida a lutar por Justiça. Em 2015, a jornalista fundou a ONG Marias da Internet, que oferece suporte jurídico para mulheres que sofreram exposição. Em 2018, mais de uma década depois do crime, o Congresso Nacional aprovou a lei Nº 13.772/18, nacionalmente reconhecida como “Lei Rose Leonel”, que reconhece como crime o registro não autorizado da intimidade sexual, com punição de seis meses a 1 ano de prisão.

    Em entrevista ao Maringá Post, Rose Leonel falou sobre a série e o trabalho desenvolvido com a ONG até os dias atuais. Segundo ela, auxiliar outras mulheres se tornou uma “missão de vida”.

    “Minha missão de vida agora é me dedicar à ONG e ajudar mulheres que sofreram esse tipo de crime, porque esse é um crime que acaba com a nossa vida. Como eu tive a chance de sobreviver a tudo isso e, com a graça de Deus, tive forças para criar a ONG e estar ajudando na criação da lei, então eu me dispus de pronto a trabalhar com eles (documentaristas) e a contar essa história”, disse.

    Além do constrangimento público, a jornalista também sofreu uma série de outras consequências na época do crime, como perder o emprego e a relação com familiares. O ex-noivo foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná apenas em 2011, acusado de calúnia e difamação, uma vez que o crime de exposição ainda não era tipificado. A pena, de 11 meses e 20 dias de reclusão, foi convertida na ocasião em prestação de serviços comunitários e pagamento de indezinação no valor de R$ 1,2 mil.

    Conforme a maringaense, a expectativa é de que a série encoraje outras vítimas a pedirem ajuda.

    “Ele (o ex-companheiro) fez um trabalho muito forte para me denegrir e criar uma personagem que não era eu. Então, agora é a oportunidade de eu contar o que aconteceu de fato. Tenho certeza que essa série vai ajudar e espero que ajude as mulheres que estão precisando, porque esse é um crime que realmente tira a capacidade da mulher de viver, aniquila o seu lado profissional, o seu lado psicológico, a sua autoestima. A mulher quer se esconder, deixa de trabalhar, deixa de estudar, deixa de viver. Então, esperamos com isso ajudar essas mulheres que entendam que existe vida após um crime desse, com essa amplitude, porque para a mulher é extremamente aniquilador. Então, espero que as mulheres entendam que existe como sobreviver a isso

    A produção do documentário durou aproximadamente oito anos, com gravações em Maringá, São Paulo e Brasília. Mais informações sobre o trabalho da ONG Marias da Internet, bem como o contato, podem ser obtidas neste link.

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