Ministério Público arquiva denúncia que apontava irregularidades em remoção de grafites da Vila Olímpica

Promoção de Arquivamento por parte da 1ª Promotoria de Justiça de Maringá foi protocolada no dia 10 de fevereiro. Entendimento do órgão de fiscalização é que a remoção das pinturas não configura “abuso de poder ou intuito de censura à manifestação artística”. Município ainda não informou data para realização de novo festival.

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    O Ministério Público do Paraná (MP-PR) arquivou uma denúncia que apontava irregularidades na remoção dos grafites da Vila Olímpica, promovida pela Prefeitura de Maringá no mês de janeiro. O arquivamento, por parte da 1ª Promotoria de Justiça de Maringá, foi protocolado no dia 10 de fevereiro.

    A denúncia havia sido feita pelo vereador Lemuel Rodrigues (PDT). No documento, o parlamentar citou que a ação ocorreu “sem qualquer comunicação ou explicação prévia aos munícipes, fato que gerou intensa revolta e ampla indignação social”. Na representação, Lemuel acrescentou que a revolta gerada pelo ato “decorre do reconhecimento coletivo de que as referidas obras possuem elevado valor cultural,
    artístico e simbólico para a cidade de Maringá, integrando o patrimônio cultural urbano do Município”.

    No âmbito da denúncia, o MP chegou a solicitar esclarecimentos para a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer e para a Procuradoria Jurídica do município. As duas pastas argumentaram que o espaço estaria sendo preparado para novas pinturas, o que não configuraria irregularidades na remoção dos grafites ali existentes.

    “a decisão de promover a renovação visual do espaço, com nova pintura e posterior disponibilização do local a outros artistas, consubstancia ato administrativo discricionário de natureza material e executória, de caráter operacional, inerente à rotina de manutenção do bem”, escreveu a Procuradoria, em esclarecimento enviado ao Ministério Público.

    No entendimento da própria Promotoria de Justiça, não há elementos suficientes que provem que a remoção das artes foi praticada “com desvio de finalidade, abuso de poder ou intuito de censura à manifestação artística”. O órgão também argumentou que, embora a relevância cultural, as obras não foram tombadas ou reconhecidas como patrimônio municipal. Desta forma, a denúncia foi arquivada sem abertura de inquérito.

    Quando o caso repercutiu, em janeiro, a Prefeitura de Maringá chegou a afirmar que o espaço estaria sendo preparado para um novo festival de grafites. Procurado pela reportagem nesta semana, o Executivo não informou uma data para que o novo projeto saia do papel.

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