Empresa de coleta de lixo em Sarandi fala em “sabotagem” a continuidade dos serviços na cidade; Sindicato contesta

Em comunicado enviado à imprensa, a Costa Oeste, terceirizada responsável pela coleta de resíduos em Sarandi, afirma que escalada de “intimidação” cresceu nos últimos dias e que veículos estão sendo impedidos de deixar a garagem da empresa, mesmo com decisão judicial favorável. Sindicato que representa os trabalhadores diz que fala tenta “desqualificar o legítimo movimento paredista”. Audiência de conciliação está prevista para esta sexta-feira (13).

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    A Costa Oeste, empresa responsável pela coleta de lixo em Sarandi, falou em “sabotagem” a continuidade dos serviços na cidade, que enfrenta uma greve dos trabalhadores da categoria. Uma audiência de conciliação entre a terceirizada e o Sindicato dos Trabalhadores em Veículos Rodoviários de Maringá e região (Sinttromar), que representa a categoria, está prevista para este sexta-feira (13).

    Em um comunicado enviado à imprensa, a empresa contratada pela Prefeitura de Sarandi afirma que a escalada de “intimidação” e bloqueios vem crescendo nos últimos dias. Sem acusar diretamente os trabalhadores, a Costa Oeste afirma que veículos estão sendo impedidos de deixar a garagem, mesmo com uma decisão judicial garantindo que parte dos serviços siga operando.

    A empresa também cita supostas “ameaças” a dirigentes. Segundo a terceirizada, existem registros em vídeo dos bloqueios, que serão “encaminhados para as autoridades” e que não há, no âmbito trabalhista, “salários ou benefícios em atraso, estando todas as obrigações rigorosamente em dia, nos termos da CCT e da lei”.

    O Sinttromar, que representa os trabalhadores, repudiou o comunicado da Costa Oeste. De acordo com o Sindicato, a fala dos dirgentes da empresa visa “desqualificar o legítimo movimento paredista e denegrir a imagem dos trabalhadores e da entidade sindical que os representa”. A entidade de classe também diz que o movimento grevista “vêm cumprindo integralmente a determinação judicial, conforme demonstrado pelo amplo arcabouço jurídico-probatório já juntado aos autos, inclusive com a manutenção de 100% da frota em operação, em estrita observância à decisão proferida”.

    O grupo, que conta com cerca de 40 servidores, havia feito uma paralisação das atividades no fim de janeiro.

    Entre as demandas, estão a falta de EPI (Equipamento de Proteção Individual), uniformes, falta de local para descanso e banheiro, ausência de desjejum, desconto em atestados médicos, falta de funcionários, banco de horas que não podem utilizar, ausência de pagamento de insalubridade para alguns trabalhadores, falta de água potável no local de trabalho e a impossibilidade de conferir os próprios holerites.

    Veja a nota das duas entidades na íntegra:

    NOTA DA COSTA OESTE

    A Costa Oeste Serviços Ltda., responsável pela coleta de resíduos sólidos em Sarandi (PR), informa que o cenário de intimidação, bloqueios e sabotagens que vem impedindo a execução regular do contrato e a continuidade de um serviço público essencial à população se agravou de forma significativa nos últimos dias. Mesmo com a decisão judicial em vigor, a determinação segue sendo descumprida, com bloqueios e impedimentos que inviabilizam a saída dos veículos e a atuação das equipes. O cenário se agravou com a escalada de intimidações e ameaças aos representantes da Empresa, com episódios de violência, coação e impedimentos operacionais que comprometem diretamente a execução do serviço público essencial. A Empresa informa, ainda, que possui registros em vídeo das ameaças e das ações de impedimento, os quais estão sendo devidamente preservados e encaminhados às autoridades competentes para instrução das medidas judiciais e policiais cabíveis. Diante da gravidade do cenário, a Costa Oeste protocolou pedidos urgentes de reforço e intervenção no Poder Judiciário, bem como de apoio operacional junto às forças de segurança. A Empresa reforça que, no âmbito trabalhista e contratual, não há salários ou benefícios em atraso, estando todas as obrigações rigorosamente em dia, nos termos da CCT e da lei.
    Uma nova audiência está marcada para sexta-feira, dia 13, com o objetivo de buscar uma solução negociada e restabelecer a normalidade do serviço. Contudo, o cenário atual é considerado caótico, com risco concreto à segurança dos nossos representantes e à continuidade de um serviço essencial à saúde pública. A Costa Oeste reafirma seu compromisso com a legalidade, com o respeito às instituições e, sobretudo, com a população de Sarandi, que não pode ser penalizada por práticas que extrapolam o legítimo direito de manifestação e avançam para atos de coação, violência e impedimento deliberado da execução de atividade pública essencial.

    NOTA DO SINTTROMAR

    “O SINTTROMAR – Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Maringá – vem a público repudiar integralmente as afirmações lançadas pela empresa Costa Oeste Serviços Ltda. em sua “Nota à Imprensa” datada de 12 de fevereiro de 2026. As alegações de “intimidações, bloqueios e sabotagens” não passam de falácias, utilizadas como estratégia para desqualificar o legítimo movimento paredista e denegrir a imagem dos trabalhadores e da entidade sindical que os representa. Trata-se de narrativa irresponsável, construída em absoluto desrespeito aos empregados e à organização sindical, configurando, inclusive, prática de atos antissindicais, vedados pelo ordenamento jurídico pátrio, notadamente pelo art. 8º da Constituição Federal e pela Lei nº 7.783/1989 (Lei de Greve). A empresa, ao optar por difundir versão distorcida dos fatos, incorre em evidente litigância de má-fé, conduta que, aliás, tem pautado sua postura ao longo de todo o processo negocial e no âmbito do Dissídio Coletivo de Greve nº 0000159-58.2026.5.09.0000, em trâmite perante o Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região. Ao contrário do que tenta fazer crer, o SINTTROMAR e os motoristas por ele representados vêm cumprindo integralmente a determinação judicial, conforme demonstrado pelo amplo arcabouço jurídico-probatório já juntado aos autos, inclusive com a manutenção de 100% da frota em operação, em estrita observância à decisão proferida. Não há qualquer prática de sabotagem ou impedimento promovida pelo sindicato. O que existe é a preservação da boa-fé objetiva no processo negocial, com o regular exercício do direito constitucional de greve, assegurado pelo art. 9º da Constituição Federal. As atividades vêm sendo desenvolvidas normalmente pelos empregados. Em sentido diametralmente oposto ao discurso empresarial, são os superiores locais da empresa que vêm adotando condutas reiteradas de assédio moral contra os trabalhadores, inclusive durante o movimento grevista. Nos dias 07, 10 e 12 de fevereiro, foram constatadas práticas como falsas imputações de condutas ilícitas aos empregados, gravações intimidatórias com caráter de coação e outras medidas destinadas a pressionar e desmobilizar a categoria. Nesse contexto, o sindicato tem se limitado a impedir práticas de coação contra os trabalhadores, que, notoriamente, figuram como a parte mais frágil na relação coletiva em curso. Além disso, é absolutamente inverídica a tentativa de atribuir normalidade às condições laborais. A realidade vivenciada pelos empregados revela condições precárias de trabalho, ausência de fornecimento adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) e graves falhas de manutenção na frota – inclusive relatos de veículos operando sem condições mínimas de segurança, como problemas no sistema de freios –, circunstâncias que colocam em risco não apenas a integridade física dos trabalhadores, mas de toda a coletividade. Some-se a isso a ausência de reajuste salarial há mais de 1 (um) ano e 5 (cinco) meses, o que tem provocado significativa defasagem remuneratória, agravando o quadro de insatisfação da categoria. Causa ainda maior perplexidade a postura de indiferença adotada pela empresa e pela Prefeitura Municipal de Sarandi, que vêm se esquivando de promover avanços concretos nas negociações, mesmo plenamente cientes das reivindicações legítimas e plausíveis apresentadas pelos trabalhadores. Tal conduta revela, em termos inequívocos, grave irresponsabilidade, desrespeito e manifesta desídia tanto com a categoria profissional quanto com a própria população de Sarandi, diretamente impactada pela inércia do Poder Público e da empregadora. O SINTTROMAR reafirma que seu compromisso – histórico e inegociável – é com a defesa dos direitos da categoria representada e com o bem-estar social da população. O sindicato permanece à disposição da Prefeitura e da empresa para retomar tratativas sérias e efetivas que conduzam ao encerramento do movimento paredista e ao pleno restabelecimento das atividades operacionais, desde que respeitados os direitos e a dignidade dos trabalhadores. A luta é legítima. A mobilização é constitucional. E a responsabilidade pela perpetuação do conflito não pode ser atribuída àqueles que apenas reivindicam condições dignas de trabalho e valorização profissional.”

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