Em Maringá, mais de 450 profissionais da educação pediram afastamento por problemas de saúde mental em 2025

Dados foram disponibilizados pela própria Prefeitura, em resposta a um requerimento formulado pela vereadora Professora Ana Lúcia (PDT). Ao todo, foram 911 atestados apresentaods pelos profissionais. Transtornos depressivos e “ansiedade generalizada” estão entre os diagnósticos mais citados.

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    Mais de 450 profissionais da educação da rede municipal pediram afastamento das atividades profissionais por problemas de ordem mental em Maringá em 2025. O dado foi disponibilizado pela própria Prefeitura de Maringá, em resposta a um requerimento protocolado pela vereadora Professora Ana Lúcia (PDT), na Câmara Municipal.

    O requerimento foi feito no dia 8 de de setembro de 2025. O ofício, assinado pelo Executivo e com os dados foi enviado à Câmara em outubro do ano passado. O Maringá Post teve acesso nesta sexta-feira (16). De acordo com o documento, foram 453 “afastados por motivos relacionados à saúde mental” no ano passado. O número, relativo apenas ao primeiro semestre do ano anterior, engloba professores, educadores e também servidores de funções administrativas, como diretores e coordenadores. O município não disponibilizou dados sobre o segundo semestre.

    Conforme o ofício Nº 5402/2025, os colaboradores apresentaram 911 atestados e, somados, se ausentaram do trabalho por 6.304 dias.

    Atualmente, a rede municipal de ensino de Maringá conta com aproximadamente 6 mil profissionais, dos quais 3 mil são professores, segundo dados do próprio município. Ana Lúcia, autora do requerimento que solicitou os dados de 2025, já havia levantado anteriormente informações sobre afastamentos de professores entre 2022 e 2024, também por questões relacionadas com a saúde mental.

    O requerimento 1236/2024, aprovado pela Câmara em outubro de 2024, questionou o Executivo sobre “o número de atestados de saúde mental na educação, nos últimos anos, declinando a quantidade de atestados por ano de 2022 a 2024”.

    A resposta da Prefeitura veio em novembro daquele ano. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (Seduc), foram 180 afastamentos entre 2022 e 2024. Em números específicos, foram 40 afastamentos em 2022, 61 em 2023 e 79 em 2024. “Trantorno depressivo”, “Transtorno afetivo bipolar”, “Ansiedade generalizada” e “Transtorno de pânico” foram os diagnósticos mais comuns apresentados pelos profissionais, de acordo com a relação da quantidade de atestados presente na resposta do Executivo à vereadora.

    Em entrevista ao Maringá Post, a vereadora classificou a situação como muito grave e lembrou que o agravamento das questões mentais não atinge apenas profissionais da educação.

    “Quando olhamos para a série histórica, percebemos que esse problema vem crescendo ano após ano, com destaque para diagnósticos como ansiedade e transtornos depressivos, além do aumento significativo de afastamentos longos, acima de 30 dias. Esse cenário não atinge apenas a educação, os profissionais da saúde também estão adoecendo principalmente pela sobrecarga, pela pressão constante, pela ausência de políticas permanentes de cuidado e apoio psicológico no ambiente de trabalho. Janeiro Branco não pode ser apenas um mês de campanhas simbólicas. Saúde mental é política pública e precisa estar no centro das decisões, com investimento, apoio psicossocial, valorização dos servidores e condições de trabalho mais humanas”, destacou Professora Ana Lúcia.

    O Maringá Post procurou a Prefeitura de Maringá para comentar o assunto. O Executivo se manifestou por meio de nota. Leia na íntegra:

    A Prefeitura de Maringá reforça que desenvolve e executa políticas públicas voltadas à promoção da saúde mental dos profissionais da educação. Para este ano, a Secretaria de Educação implantará o programa de desenvolvimento de habilidades socioemocionais ‘Fluir das Emoções’. A iniciativa reunirá encontros sobre conceitos da Psicologia, com foco no autoconhecimento, resgate de bem-estar e fortalecimento da saúde emocional dos profissionais.

    A Secretaria de Gestão de Pessoas (Segep), por meio da Diretoria de Saúde Ocupacional e da Escola de Governo, lançou em 2025 o projeto “Cuidar de Quem Ensina”, direcionado a gestores educacionais e estruturado em módulos que abordam temas como saúde mental e comunicação não violenta. O Núcleo de Justiça Restaurativa complementa essas ações com iniciativas de acolhimento, incentivo ao diálogo e apoio à resolução de conflitos.

    Além disso, o município mantém o programa ‘Um Outro Olhar’, que oferece atendimento com escuta qualificada e acompanhamento por equipe multiprofissional, formada por assistente social, psicólogos e terapeutas ocupacionais. O programa prevê visitas aos ambientes de trabalho, orientações relacionadas às atividades laborais conforme a condição de saúde, ações coletivas de educação em saúde e encaminhamento para tratamentos específicos, sempre que necessário.

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