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A Prefeitura de Maringá gasta, por ano, quase R$ 18 milhões apenas para enterrar lixo orgânico. O dado foi levantado pelo Instituto Ambiental de Maringá (IAM) e apresentado nessa terça-feira (13), durante a solenidade de lançamento do programa ‘Lixo Zero’, iniciativa do município que visa substituir os aterros sanitários por soluções inovadores para a destinação de resíduos.
O evento contou com a presença do secretário de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedes), Rafael Greca, que considerou que as iniciativas adotadas em Maringá podem ser replicadas em outras regiões do Paraná.
Conforme o IAM, cada cidadão gera, em média, 800g de lixo por dia, com a cidade totalizando cerca de 350 toneladas de resíduos diariamente. Atualmente, todo o resíduo gerado é enterrado no aterro sanitário da cidade, que é compartilhado com outros 34 municípios. O custo, por tonelada, para esta destinação é de cerca de R$ 174.
O edital do Lixo Zero visa convidar empresas da área ambiental para apresentarem soluções para o descarte destes insumos. Na modalidade ‘Técnica e Preço’, a licitação vai ranquear as ideias consideradas mais atraentes pela Prefeitura, tomando os dados de geração diária de lixo e custo de execução dos serviços como parâmetro. Na prática, empresas que provarem gastar menos de R$ 174 por tonelada para a destinação dos resíduos serão melhores ranqueadas.
O edital também ‘premiará’ as interessadas que apresentarem soluções a serem trabalhadas com quantidades menores de resíduos diariamente, que não ultrapassem a faixa de 25 e 50 toneladas. A iniciativa visa ser um espelho para cidades menores, que produzem menos lixo, como já havia apontado anteriormente o prefeito Silvio Barros (PP).
Ao Maringá Post, o chefe do Executivo afirmou que algumas empresas já apresentaram soluções para a Prefeitura e se comprometeram a participar do edital. Geração de energia e criação de biocombustíveis seriam alguns dos caminhos ventilados para que a cidade deixe de enterrar lixo.
“O lixo pode ser transformado em energia, pode ser transformado em combustível, ele pode virar biodiesel, é um composto que pode ser usado para caldeiras industriais, enfim, o lixo pode ser transformado para entrar na cadeia da economia circular, um insumo para continuar sendo interessante, produtivo. Nós já fomos visitados por várias empresas que trouxeram soluções tecnológicas e que deverão entrar nesse edital. O bacana disso é que Maringá vai ser uma cidade onde prefeitos de outras regiões do Brasil poderão vir e conhecer mais de uma solução para as cidades deles”, afirmou.
Para o secretário de Desenvolvimento Sustentável do Paraná, Rafael Greca, as soluções encontradas neste edital podem ser um caminho para o Estado. Ex-prefeito de Curitiba, ele citou o exemplo da capital, que gasta mais de R$ 70 milhões por ano apenas em aterros sanitários.
“A questão do lixo 5.0 é uma questão de protagonismo de Maringá, pelas próprias características profissionais do Silvio, em inovação absoluta. A ideia é irmos além de tudo o que Curitiba já fez, inclusive com os ecopontos, com a reciclagem, com o lixo que não vai para o lixo, com as composteiras públicas. A nossa ideia é livrar as cidades do enterro do lixo. O defunto em Curitiba custa R$ 6 milhões por mês. Esse dinheiro poderia ser usado em outras ações ambientais, em outras ações ecológicas. É uma linha que nós estamos procurando também”, disse o secretário.







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