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Mais de 1,3 mil novos imigrantes chegaram a Maringá em 2025. O dado foi disponibilizado nessa segunda-feira (5) pela Secretaria Municipal de Juventude, Cidadania e Migrantes, da Prefeitura de Maringá. O número representa um aumento de quase 50% na quantidade de acolhimentos, no comparativo com o mesmo período de 2024.
Ao todo, desembarcaram na Cidade Canção pessoas vindas de 34 nacionalidades. Venezuelanos formam o maior grupo, com 839 acolhidos, seguidos de Haiti, com 164, Cuba, com 138, Colômbia, com 78 e Paraguai, com 68. Apesar da atual crise humanitária envolvendo a invasão dos Estados Unidos na Venezuela, a cidade ainda não recebeu novos pedidos de acolhimento de imigrantes em 2025, de acordo com a Prefeitura.
Embora não exista um único motivo apontado, o mercado de trabalho é visto como um atrativo para os imigrantes em Maringá. Em entrevista ao Maringá Post, a secretária de Juventude, Cidadania e Migrantes de Maringá, Sandra Franchini, explica que muitas empresas procuram o poder público interessados em realizar campanhas de recrutamento de trabalhadores vindos de outros países. O setor de serviços é o mais interessado em pessoas de outras nacionalidades.
“Acreditamos que o mercado de trabalho tenha funcionado como um atrativo. O que recebemos de informações são que esses imigrantes tomam conhecimento sobre Maringá assim que entram no país, fazem uma propaganda boa da cidade, sabem que aqui haverá emprego. As empresas nos procuram, elas querem contratar imigrantes e pedem nossa ajuda no acolhimento, no processo de seleção”, diz a secretária.
Ainda de acordo com Franchini, o segmento de supermercados é um dos mais interessados neste tipo de mão de obra. “O que nós ouvimos dos recrutadores é de que os imigrantes passam uma boa impressão, são vistos como um povo com disposição para trabalhar, sem preguiça. Por isso são tao disputados”, conta.
Via de regra, a maioria dos imigrantes que chegam em Maringá já tem emprego e moradia encaminhados. Aqueles que, por ventura, não tem uma fonte de renda ou lugar para morar, podem fazer o uso dos serviços de acolhimento ofertados pelo município.
“Nós temos uma casa de acolhimento voltada para os imigrantes. Lá, acolhemos famílias inteiras, que podem ficar lá por até 90 dias e, caso necessário, podem até ampliar o prazo em mais dois meses. Normalmente, as famílias que desembarcam em Maringá não ficam muito tempo ali, rapidamente eles encontram emprego, moradia e deixam o serviço de acolhimento”, acrescenta Sandra.
O venezuelano Julio Rivas, 51, migrou com a esposa, quatro filhos e uma neta para Maringá em agosto de 2022. “Ouvi dizer que o Brasil oferecia oportunidades e que o brasileiro era receptivo. Então comecei a pesquisar uma cidade segura e tranquila”, relatou.
A família chegou ao município com receio, mas também com esperança. Durante três meses, ficou acolhida no Crai. “Chegamos sem nada, sem conhecer ninguém, sem falar o idioma, não conhecíamos as leis e não tínhamos trabalho. Nesse momento, a Prefeitura foi a nossa mão amiga. Eu e minha família seremos eternamente gratos a todas as pessoas que nos ajudaram”, afirmou.
Atualmente, Rivas presta serviços na área da construção civil e os dois filhos mais velhos estão empregados. Com as oportunidades encontradas em Maringá, outros familiares também se mudaram para a cidade, fortalecendo a comunidade venezuelana no município.
No mesmo ano, o casal de nigerianos Omooba Adesoji e Elizabeth Boluwatife Aduragbemi também escolheu Maringá para viver. Quando Elizabeth foi aceita no curso de graduação em Enfermagem, eles decidiram se mudar. “Fomos recebidos no Crai com profissionalismo e cuidado genuíno. Embora fôssemos os únicos residentes negros na época, em nenhum momento vivenciamos qualquer forma de discriminação. Pelo contrário, nos sentimos aceitos, respeitados e à vontade durante a estadia de um mês”, afirmou Adesoji. “Somos gratos a todos os funcionários pela atenção dedicada ao nosso conforto e bem-estar”, concluiu.









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