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O Festival Obá Xirê celebra sua oitava edição entre os dias 15 e 20 de abril. Neste ano, o tema do festival é “Águas que trazem”, uma alusão ao processo criativo do músico Mateus Aleluia, que respondeu “são as águas que trazem” quando perguntado sobre a inspiração para suas composições. Mateus Aleluia é a grande atração desta edição, se apresentando no Teatro Calil Haddad no dia 18.
O tema também faz referência às águas, princípio de Obá, e ao processo de confluências de corpos e corpas em dissidência. “É na criação de um espaço de (re)existência e na circulação de poéticas contra-normativas que o Obá Xirê continua a crescer, com a gentileza e a bravura dos rios que desbravam novos caminhos”, diz o manifesto publicado no site oficial do evento. O festival celebra as ancestralidades afro-diaspóricas, ao mesmo tempo em que se conecta com a ancestralidade indígena e originária, sendo esta a edição com o maior número de pessoas trans envolvidas.
“Nesta edição, o festival está ainda maior, com convidados/as/es de grande impacto e ampliando ainda mais as articulações com as populações de minorias político-visuais”, explica a curadora, Lua Lamberti. Entre oficinas, palestras, shows e mesas-redondas, a programação conta com nomes como Mateus Aleluia, Carolina Rocha (a Dandara Suburbana), Lua Lamberti, Juuara Armond, Lucas Medeiros, Géssica Nuñez, entre outros.
“Este tema expressa o sentido desta edição, que aposta na convivência e inspiração mútua das diferenças, gerando encantamentos. Muitas culturas, gerações e expressões artísticas, unidas pela resistência ao racismo, sexismo e lgbtfobia, são coroadas pela presença de um dos maiores griôs e artistas do país, Mateus Aleluia. Iyá Onílùú, um dos títulos de Obá, ensina que ela é mãe dos ilús, e essa louvação, assim como todos os tambores deste festejo, só são possíveis por meio dela e das águas da diáspora negra”, explica a idealizadora e coordenadora do projeto, Laís Fialho.
Histórico
O Festival Obá Xirê enaltece as manifestações afro-populares praticadas em nossa região e promove um importante debate sobre a diversidade cultural. O termo que o nomeia faz referência à saudação de Obá, orixá cultuado no Baque Mulher, maracatu idealizado por Mestra Joana em Recife (PE), que tem uma filial em Maringá desde 2016.
A primeira edição do festival ocorreu em 2018 e, desde então, o evento se tornou anual, celebrando, formando e dando visibilidade às propostas do Baque Mulher e da Casa Luanda para a cultura local. Ao longo de suas edições, o festival já promoveu belos shows com atrações de peso nacional, como Juçara Marçal & Kiko Dinucci e Glória Bomfim.
O Obá Xirê foi premiado em primeiro lugar quatro vezes consecutivas no maior prêmio de cultura do município, na categoria Cultura Popular, o Prêmio Aniceto Matti. Além disso, foi contemplado como o projeto com maior recurso de Maringá e região no Edital Paraná Festivais – LPG, da Secretaria de Estado da Cultura, recebendo o “Selo Paraná Festivais”. Esse edital garantiu a realização da oitava edição, prevista para ocorrer em 2025.
Serviço:
8º Festival Obá Xirê: Águas que trazem
De 15 a 20 de abril de 2025
Local: Casa Luanda Associação afro-cultural (Av. Gastão Vidigal, 55) e Teatro Calil Haddad
Entrada gratuita
Programação:
Dia 15/4 – terça-feira
19h – Oficina de Bumba Meu Boi com Mestre Valdeir
Local: Casa Luanda
Dia 16/4 – quarta-feira
19h – Oficina de Capoeira Angola com CM Maré
Local: Casa Luanda
Dia 17/4 – quinta-feira
19h – Oficina Maracatu de Baque Virado com Laís Fialho
Local: Casa Luanda
Dia 18/4 – sexta-feira
19h30 – Encontro das culturas populares locais com Grupo Anjos da Guarda, Grupo Capoeira Angola Dinda e Roda do Encanto
20h30 – Show Mateus Aleluia
Local: Teatro Calil Haddad
Dia 19/4 – sábado
09h – Oficina Orquestra de Pandeiro com Maria Carolina Thomé
14h – Oficina de Danças afro-brasileiras com Alexandra Alencar
19h – Mesa “A jurema é uma ciência fina” – Pensando novas abordagens epistemológicas a partir de velhos saberes e práticas com Lucas Medeiros.
19h – Lançamento do livro “A culpa é do diabo: o que li, vivi e senti nas encruzilhadas do racismo religioso”, de Carolina Rocha (a Dandara Suburbana).
20h – DJ O Ark
20h30 – Baque Mulher Maringá com Baque Mulher Curitiba, sob regência da Mestra Joana Cavalcante
21h – DJ O Ark
Local: Casa Luanda
Dia 20/4 – domingo
09h – Oficina de Maracatu com oficineiros da Nação Encanto do Pina
12h – Ajeum – Feijoada para participantes das oficinas
14h – Festejo de Encerramento com Feira de expositores, Xirezinho (Espaço Infantil), Roda de Conversa Iyás com Mãe Vera da Oxum, Mãe Joana da Oxum e Mediação de Eloá Lamin, Sarau de Poesia com Nivaldo Brito, Marcieli Coelho, Maju Werneck, Géssica Nunes e Bruno Barra, Performance de Joa Assumpção, Roda de Conversa “Transgressão e Arte” com Juuara Armond e Samuka e Mediação de Lua Lamberti, Cortejo de Maracatu de Baque Virado com participantes das oficinas e oficineiros da Nação Encanto do Pina, Roda de Samba dos Amigos
Local: Casa Luanda
Link para as inscrições para as oficinas (sujeito à lotação).
Mais informações: https://www.festivalobaxire.com/ e @festival.obaxire
PROJETO APROVADO PELA SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA – GOVERNO DO PARANÁ, COM RECURSOS DA LEI PAULO GUSTAVO, MINISTÉRIO DA CULTURA – GOVERNO FEDERAL.
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