Afetividades e violências em redes sociais na abertura da Mostra de Performances

mostra de performance

Neste final de semana começa em Maringá a primeira edição da mostra de performance feminista Malditas, idealizada e coordenada pela artista e professora Ludmila Castanheira, que também assina a curadoria. Neste domingo, 20, às 15 horas no Parque Alfredo Nyffeler, a programação começa com uma ação formativa, a oficina dirigida por Jaqueline Vasconcelos, vinda da Bahia,  sobre “Afetividades e violências diante do machismo em redes sociais”.

Entre os meses de fevereiro e maio, cinco mulheres de regiões diferentes do Brasil virão para a cidade realizar ações formativas e expositivas, num projeto contemplado pelo Prêmio Aniceto Matti, da Secretaria Municipal de Cultura.

mostra de performances
Jaqueline Vasconcelos, da Bahia, comanda neste domingo a Oficina “Afetividades e violências diante do machismo em redes sociais” Foto: Divulgação

As primeiras atividades são com as artistas Jaqueline Vasconcellos, da Bahia, e Luanah Cruz, de São Paulo, de hoje a quinta-feira, 24. Em seguida a mostra recebe as artistas Cássia Nunes, de Goiás,, Maria Léo Araruna, do Distrito Federal, e Betina Batista, do Amapá.

Haverá, também, a participação de artistas locais que ainda serão selecionadas e se apresentarão no mês de junho.

Por que só mulheres?

A escolha por artistas mulheres tem a ver com o desejo da equipe de contribuir, ainda que modestamente, para a reparação histórica dentro do universo artístico em que se convencionou que homens produzam e mulheres assistam. “Auxiliadas por textos como o ensaio de Linda Nochlin ‘Por que não houveram grandes mulheres artistas?’ e ‘A tríplice negação das mulheres de cor artistas’, de Adrian Piper, nos organizamos em torno das noções de que o acesso à apreciação e práticas artísticas tem sido facilitada ou dificultada de acordo com o gênero de quem propõe. Quando, apesar deste contexto, mulheres produzem arte, esta é vista como irrelevante em seus temas e formas”, explica Ludmila.

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Para Ludmila Castanheira, curadora do projeto, !Malditas” é uma questão de reparação Foto: Divulgação

A curadoria foi pensada a partir das vivências da proponente junto a eventos de performance dos quais participou como artista ou organizadora. Segundo ela, as mulheres artistas que vêm a Maringá têm como traço comum o fato de que seus trabalhos desobedecem aos papéis de gênero pré-estabelecidos, segundo os quais mulheres são dóceis, frágeis e subservientes. “Sabemos que, quando ousamos não corroborar com essas expectativas, o rótulo de ‘malditas’ nos sobrevém imediatamente. Disso decorre o nome da mostra. Todas as artistas que virão já foram vistasperformando sua desobediência”, diz. 

Um dos objetivos do projeto é lembrar que existe arte e, especificamente a arte da performance,sendo produzida e consumida fora dos grandes centros urbanos e daquele que é considerado o eixo financeiro do país.

Além de Ludmila, a mostra tambémé produzida pelos performers Fernando Ponce e Leonardo Fabiano.Por seremos três professores,acreditam que arte e a educação caminham juntas e por isso a programação conta com oficinas ministradas por todas as artistas convidadas. Para participar destas atividades não será necessário se inscrever previamente, serão acolhidas todas as pessoas interessadas, com limite de vagas e observação da classificação indicativa.

Programação completa

 

Ações performativas

Dias23 e 24/02 às 20h no Arenas das Artes

Experimento 16: “A Experiência da vida é a resposta”, de Luanah Cruz, SP

Classificação Livre

*  Dia 25/02 às 18h na Praça Raposo Tavares

“Reza por mim para te esquecer”, de Jaqueline Vasconcellos (BA)

Classificação Livre

*  Dia 11/03 às 18h na Praça Raposo Tavares

“Tipografia Cítrica”, com Cássia Nunes (GO)

Classificação Livre

*  Dia 06/04às20h no Arenas das Artes

“Manifesto Trav(Eco)-Ciborgue”, com Maria Léo Araruna (DF)

Classificação: 12 anos

*  Dia 17/05 às 20h, no Arenas das Artes

“Cajado”, com Betina Batista (AP)

Classificação: 16 anos

 

Ações formativas

 

Oficina 1

Oficina “Afetividades e violências diante do machismo em redes sociais”, com Jaqueline Vasconcellos (BA)

Dia 20/02 às 15h no Parque Alfredo Werner Nyffeler (Buracão)

 

Oficina 2

Oficina “A Experiência da vida é a pergunta – corpo, espaço, tempo e a estética da kitnet como possibilidade de existência e produção artística”, com Luanah Cruz (SP).

Dia 21/02 às 19h na feira do Estádio Willie Davids e dia 22/02 às 19h no Arena das Artes

 

Oficina 3

Oficina “Inventário de Gestos”, com Cássia Nunes (GO)

Dias 07, 08 e 09/03 às19h no Arena das Artes

Oficina 4

Oficina “O corpo não é só a carne”, com Maria Léo Araruna (DF)

Dia 01/04 às 15h no Parque Alfredo Werner Nyffeler (Buracão)

Oficina 5

Oficina “Ouvimos silêncios”, com Betina Batista (AP)

Dia 20/05 às 15h no Parque Alfredo Werner Nyffeler (Buracão)

 

 

 

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