Caso do tenente-coronel da PM acusado de abusar sexualmente de mulheres da corporação é debatido em Maringá

10 de setembro de 2021
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O tenente-coronel Fernando Dias Lima, o Doutor Bacana, continua livre e recebendo quase R$ 30 mil por mês de salário Foto: Rede Globo

Entidades tentam levar o Doutor Bacana a um novo julgamento, considerando que uma pessoa que abusa de dezenas de mulheres não pode ser inocentada e ainda continuar recebendo polpudo salário da corporação

A escandalosa absolvição do médico Fernando Dias Lima, tenente-coronel e médico da Polícia Militar acusado de prática criminosa e reiterada de atentado violento ao pudor e assédio sexual dentro do consultório, em batalhões e na Academia da PM, será o tema da mesa redonda que a Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal de Maringá realiza a partir das 9 horas no plenário da Câmara.

A absolvição do médico, conhecido como Doutor Bacana, é considerada um dos eventos mais vergonhosos da história da Justiça Militar do Paraná e um dos mais graves atentados à proteção da mulher, pois apesar de todas as informações e provas apresentadas pelas vítimas, o médico foi inocentado.

São 45 denunciantes e informantes apresentadas pela 1ª Promotoria da Vara de Auditoria Militar à Justiça Militar do Estado do Paraná, entre recrutas, soldados, cabos, sargentos e oficial, além de esposas de policiais militares. Em 24 de junho desse ano, Lima foi inocentado em primeira instância pelo Conselho Especial de Justiça Militar, cuja sentença reconheceu a veracidade dos fatos, mas não responsabilizou o agressor pela ofensa à dignidade das mulheres e o constrangimento de suas famílias.

Hoje ele está afastado da função de médico da PM, porém continua recebendo o salário de quase R$ 30 mil por mês.

Ministério Público do Paraná quer reforma integral da decisão do Conselho Especial de Justiça Militar que, por unanimidade, absolveu o tenente-coronel. Em todo o Estado, entidades estão elaborando carta aberta do Judiciário apoiando o MP.

A mesa redonda da Procuradoria da Mulher é aberta ao público, porém, devido ao protocolo sanitário de controle e prevenção à covid-19, somente 50 pessoas poderão permanecer no auditório da Câmara. A alternativa é acompanhar os debates pelo YouTube da Câmara, neste link.

Com a coordenação da vereadora e procuradora da Mulher da Câmara, Professora Ana Lúcia Rodrigues (PDT), a mesa redonda contará ainda com a participação da coronel Rita Aparecida de Oliveira, representante de associações de policiais militares, do advogado Manoel Angelo Antunes Voitechen, que representa as vítimas de Bacana, da procuradora do Ministério Público do Trabalho Cristiane Maria Sbalqueiro Lopes e da presidente da subseção de Maringá da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ana Cláudia Pirajá Bandeira.

O encontro dará publicidade à adesão de entidades civis de Maringá e região ao movimento em busca de justiça, deflagrado pela Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos Inativos e Pensionistas (AMAI), Associação da Vila Militar (AVM), Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares do Estado do Paraná (ASSOFEPAR), Clube dos Oficiais da PMPR, Associação dos Policiais Militares do Litoral (APML) e Sociedade Beneficente dos Subtenentes e Sargentos (SBSS), com apoio do Ministério Público do Paraná.