10 de setembro, dia de escrever cartas amarelas e ajudar a salvar vidas

9 de setembro de 2021
Cartas Amarelas
Neste projeto, tanto é importante escrever quanto receber cartas Foto: Divulgação

Neste 10 de setembro, que tal escrever uma carta amarela e ajudar a salvar uma vida? Aliás, não precisa ser 10 de setembro, qualquer dia pode-se escrever cartas amarelas e ajudar a salvar vidas ou pelo menos participar de um trabalho para ajudar pessoas a se sentir melhor, pessoas que talvez estejam tristes, talvez em profunda depressão, talvez pensando em um jeito de acabar com essa tristeza profunda.

Mas, as cartas amarelas podem ser úteis também se a pessoa estiver precisando de ajuda. Quem sabe, com profunda tristeza, quem sabe com depressão, quem pensando em um jeito de acabar com essa tristeza profunda, essa falta de jeito de achar seu lugar no mundo.

Fácil. Começa com a entrada no site https://www.cartasamarelas.com.br e lá no topo da página com jeitão de envelope amarelo tem um ícone “Envie sua carta”. Entrou, lá diz tudo o que se deve fazer, um passo a passo, um tutorial: “escreva uma carta bem bonitona de amor, força e esperança pra gente conseguir abraçar quem não está muito bem. Afinal, juntos somos mais fortes”.

Cartas Amarelas

E não precisa se preocupar, pois as cartas amarelas são enviadas anonimamente, não vinculam nome ou dados do remetente, mas com certeza a mensagem de carinho vai chegar a quem precisa.

O objetivo é criar uma grande rede de afeto e mobilizar as pessoas para que aprendam sobre o assunto. Além das palavras de força, o site traz artigos escritos por psicólogos.

Tudo parece muito simples, e é, mas funciona, como mostram as várias mensagens que voltam em forma de agradecimento, com frases tipo “obrigado, por vocês existirem”, “obrigado por me mandar a mensagem no momento em que eu mais precisava” ou ainda “como posso ajudar?”.

 

A meta é a prevenção ao suicídio

Cartas Amarelas é um projeto que hoje reúne cerca de 40 voluntários em todo o Brasil. A maior parte é de psicólogos, mas tem gente de todas as profissões e o único requisito é que esteja disposto a ajudar quem está sofrendo.

Com a pandemia da covid-19, com pessoas permanecendo longos períodos em casa, muitas perdendo emprego, perdendo parentes e amigos, se desesperando diante da falta de solução, o trabalho dos voluntários do Cartas Amarelas tornou-se ainda maior e mais necessário.

Cartas Amarelas
Objetivo do Cartas Amarelas é criar uma grande corrente de apoio / Divulgação

E nem só de cartas vive o Cartas Amarelas. Ele é também físico e muito próximo, pois os voluntários estão sempre prontos para proferir palestras ou simplesmente irem às empresas, escolas ou qualquer tipo de instituição conversar com as pessoas, informar sobre saúde mental, levar acolhimento e apoio às pessoas e falar principalmente sobre suicídio, cuja prevenção é a razão principal do nascimento e da existência do Cartas Amarelas.

Neste Setembro Amarelo, o pessoal do Cartas Amarelas está aproveitando para falar de assuntos que levam à angústia, à depressão e, em casos mais agudos, até ao suicídio. O tema é “Violências contemporâneas”, com conversas sobre a cultura de cancelamento, falta de responsabilidade afetiva, angústias que estão norteando os dias atuais e ataques em redes sociais.

 

Qualquer resultado já vale o projeto

Embora já tenha recebido duas vezes prêmios de âmbito estadual, reconhecendo a importância do trabalho, o Projeto Cartas Amarelas é relativamente novo, nasceu em 2017, na época com um grupo diminuto de voluntários e, como quase tudo é feito na internet, logo chamou a atenção de pessoas de outras cidades e outros Estados, que também se propuseram a ajudar e hoje já são cerca de 40 pessoas no projeto e algumas centenas de outras pessoas colaborando ao escrever cartas – ou receber.

  1. “Queremos que as pessoas escrevam para quem sofre, mas queremos principalmente que a pessoa que está sofrendo, às vezes pensando em tirar a própria vida, também sente para escrever uma carta”, diz o publicitário Guilherme Morais, um dos idealizadores do projeto junto com o administrador Santiago Sipoli e a psicóloga Brenda Elisa, que coordena os demais psicólogos envolvidos no trabalho. Os três são de Maringá e têm parceiros que não conhecem pessoalmente por estarem muito distantes de Maringá.

“Pensamos que a pessoa que sofre precisa fazer uma pausa para escrever uma carta – ou para ler a carta que recebe. Tem que se concentrar no que vai escrever e quando estiver escrevendo ela se desliga do mundo e dos problemas, se livra momentaneamente da angústia e talvez este seja o tempo necessário para que uma vida seja salva”, diz.

Brenda, Guilherme e Santiago – não confundir com a famosa dupla sertaneja – não fazem ideia de quantas pessoas já foram ajudadas pelas Cartas Amarelas, mas consideram que se pelo menos uma vida foi salva, o projeto já cumpriu seu objetivo. E disso eles têm certeza, baseados em uma das mensagens que o projeto recebeu, com os dizeres “Obrigado por vocês existirem. Se estou vivendo setembro de novo é porque encontrei vocês”.