42° Femucic, em novo formato na pandemia, começa com alto nível

24 de agosto de 2021
42° Femucic
Cícero Gonçalves, Marcos Azevedo e a viola que conta histórias do Brasil profundo

Com a participação mais do que luxuosa do violeiro Cícero Gonçalves e suas cantigas do Vale do Jequitinhonha, o 42° Festival de Música Cidade Canção (42° Femucic), estreiou nesta terça-feira, 24, em alto nível e, a continuar assim nas próximas noites, o novo formato está aprovado. Devido as normas restritivas para se evitar a propagação da covid-19, o festival está sendo realizado na internet, nas redes sociais da prefeitura, e assim pode ser acompanhado de qualquer lugar do Brasil e do mundo.

Esta é a 42ª edição do festival que nasceu como Femusesc, em 1978, no pequeno auditório do Serviço Social do Comércio (Sesc) de Maringá, quase que somente com a participação de jovens de Maringá e uns poucos de cidades da região. No ano passado, devido ao recrudescimento da covid-19, o festival não pôde ser realizado e agora, dentro da programação do Mês da Música de Maringá, o Femucic acontece em vídeos gravados com antecedência. Mas, mesmo com a migração do palco para a internet, o festival mantém a tradição de prestigiar o trabalho autoral, fruto de pesquisa e experimentos, tanto no formato canção quando instrumental.

Nesta edição, os 36 trabalhos que estão sendo apresentados foram selecionados entre mais de 500 inscritos. Os selecionados são de nove Estados, que vão apresentar sua arte até sábado.

Na realidade, o 42° Femucic foi aberto na segunda-feira com um show do cantor Zé Alexandre e a mostra teve início na noite desta terça com as apresentações de Nano Viana & Banda Cinco Nós, bem ao estilo do rock brasileiro atual e um jeito de cantar que lembra muito Cazuza, a paulista Jéssica Stephens e o violeiro, cantor e compositor Cícero Gonçalves, acompanhado ao violão por Marcos Azevedo, seu parceiro de longo tempo.

Femucic
Jéssica Stephens e sua voz rara agrada fácil

Cícero não é nenhum estranho para quem acompanha a música do Brasil profundo. O mineiro de Teófilo Otoni logo nos primeiros acordes revela sua paixão pela sonoridade do Vale do Jequitinhonha. Com uma carreira iniciada no final da década de 1980, o música era violonista clássico quando se apaixonou pela viola e estilos de gente compromissada com a música de raiz, tornando-se uma mistura de Elomar com Tião Carreiro. Quem conferir no vídeo do Femucic desta terça-feira certamente se convencerá que dificilmente se encontra violeiros à altura de Cícero Gonçalves, que, além do refinamento do toque, ainda tem uma voz à altura de suas composições.

O 42° Femucic continua nesta quarta-feira, a partir das 20 horas na página da prefeitura de Maringá no YouTube e outras redes sociais.

Confira como foi a primeira noite