Parceria da OAB com Delegacia da Mulher faz acolhimento psicológico de vítimas de violência

9 de agosto de 2021
acolhimento psicológico
Na foto, delegado Rodolfo Nanes, investigadora Tatiana May Koltu, psicóloga voluntária Caroline Serra e investigadora Rebeca Emanuela da Silva

A Comissão de Enfrentamento à Violência de Gênero da OAB Maringá (Cevige) implementou, nesta semana, um projeto em conjunto com a Delegacia da Mulher para que psicólogas voluntárias possam fazer acolhimento na Delegacia da Mulher. Foi assinado o contrato de permissão administrativa entre a OAB e a Polícia Civil .

A presidente da Comissão, Carolina Cleópatra Codonho da Silva, explica que as psicológicas irão auxiliar as investigadoras da Polícia Civil no acolhimento psicológico às mulheres vítimas de violência doméstica, sexual, entre outros.

A advogada destaca que este é um grande avanço, no entanto, ainda existem muitas dificuldades, como o número insuficiente de psicólogas voluntárias disponíveis. “Hoje o atendimento acontece somente das 9h às 12h, quando o ideal seria contarmos com esse trabalho durante todo o período de funcionamento da delegacia. Estamos em busca desta estrutura, mas ainda não a temos.”

Delegacia sobrecarregada

Outra situação verificada e que se constitui como obstáculo ao atendimento das mulheres vítimas de violência diz respeito ao contingente humano insuficiente na delegacia especializada no atendimento ao público feminino. Há atualmente na unidade 850 inquéritos de violência doméstica em andamento, 1.029 medidas protetivas de urgência, além de outros 500 procedimentos envolvendo adolescente em conflito com a lei, o que sobrecarrega ainda mais a Delegacia da Mulher, que acumula também o atendimento relativos a adolescentes.

“Temos, portanto, uma delegacia especializada, mas sobrecarregada, com dificuldade para atender a uma demanda que só aumenta. Conforme levantamento recente, são atendidos, em média, por dia, em torno de 15 ocorrências. Prosseguindo nesse ritmo, teremos até ao final do ano cerca de 5 mil boletins registrados, número muito superior aos 3.058 anotados no ano passado”, acrescenta a presidente da Comissão.

Diante dessa situação, a OAB Maringá, por meio de sua Diretoria e da Cevige, está empenhada em dar efetividade a projetos como esse de acolhimento psicológico às mulheres vítimas de violência e suporte jurídico, além de cobrar do poder público o cumprimento do papel que lhe cabe, que é fornecer a estrutura necessária para o efetivo cumprimento da legislação.