Entidades cobram justiça e investigação da execução de travesti e mulher no Requião

31 de maio de 2021
Entidades cobram justiça para morte de mulher e de travesti
As entidades da sociedade civil querem querem justiça para os assassinatos de Thainara e Janine

A execução de Janine Naomi Ferreira, de 20 anos, e da travesti Thainara Moraes, de 18, na madrugada de domingo próximo ao Conjunto Requião, em Maringá, provocou a reação de um grupo de entidades maringaenses ligadas aos direitos da mulher.

 

Duplo assassinato

O duplo assassinato ainda não foi esclarecido pela polícia, mas de acordo com a vizinhança, dois homens abordaram Janine na rua, próximo à casa em que morava, e a arrastou para dentro da casa, onde a executaram com vários tiros.

Thainara estaria em um quarto e ao sair também foi alvejada com vários tiros. As duas morreram no local e os atiradores fugiram em uma motocicleta.

Janine e Thainara tinham alugado a casa na sexta-feira. No local estavam também dois rapazes, que afirmaram ter ouvido os tiros, mas que não viram os atiradores.

 

Seriedade e justiça

A reação das entidades que defendem os direitos da mulher começou com o Fórum Maringaense de Mulheres, que pede às autoridades que esse caso tenha uma investigação profunda e que os responsáveis sejam punidos conforme a justiça.

O Fórum foi seguido pelo Conselho Municipal da Mulher de Maringá, Comissão de Enfrentamento à Violência de Gênero da subseção de Maringá da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Resistrans Direitos da População de Transgêneros e Travestis, Maria do Ingá, Associação Maringaense de Lésbicas, Gays e Travestis e Transexuais, Movimento Mais Mulheres no Poder, Núcleo de Estudos e Pesquisas em Diversidade Sexual, Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, Observatório das Metrópoles e a Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Maringá.

Na condição de órgãos da sociedade civil organizada e reafirmando seus respectivos compromissos com a defesa do Estado Democrático de Direito e com a consecução de uma sociedade livre, justa, inclusiva e democrática, as entidades manifestam indignação e pedem Justiça.

Segundo elas, há atualmente uma crescente onda de mortes de mulheres, sobretudo no que tange a mulheres transgêneros e travestis.

“Desde 2015, o legislador trata homicídios praticados contra o “sexo feminino” como crime qualificado por feminicídio, levando a exasperação da pena para 12 a 30 anos de reclusão. Porém, a aplicação dessa qualificadora ainda gera muita discussão nos tribunais e grande parte da jurisprudência tem entendido que o feminicídio só ocorre quando o crime se dá no ambiente doméstico ou decorrente dela ou de relação afetiva, ou ainda por motivação de gênero”, diz a presidente do Fórum Maringaense de Mulheres, professora Tânia Tait.