Homem trans tem nota máxima na defesa de TCC sobre segregação de corpos dissidentes na escola

A professora Lua Lamberti, primeira travesti a obter o título de  mestra em educação na UEM, foi uma das orientadoras de Domene

11 de maio de 2021
Domene teve a professora Lua Lamberti, travesti com mestrado em Educação, como orientadora, ao lado do professor Maddox Cleberson Gonçalves

O estudante Henrique Rodrigues  Domene é o primeiro transhomem do curso de Pedagogia da Universidade  Estadual de Maringá (UEM) a defender o Trabalho de Conclusão de Curso  (TCC). A defesa aconteceu de forma virtual na semana passada.

Aprovado pela banca examinadora com nota máxima, o estudo chama-se “Subjetividade em Travessia: o Preterimento do Corpo Dissidente no  Território Escolar” e aborda, por meio do transfeminismo, a existência e  sobrevivência de transhomens no campo da Educação, em especial da escola  e da própria Universidade.

Daniel foi orientado pelo professor Maddox Cleberson Gonçalves e pela  professora Lua Lamberti. Docente do Departamento de Teoria e Prática da  Educação (DTP), Maddox diz ter sido prazeroso para ele e o graduando terem  tido o acompanhamento da professora Lua, “primeira travesti a obter o título de  mestra em educação na UEM, agora também doutoranda em Educação”.

Aprovada em processo seletivo, Lua será docente do curso de Artes Cênicas  na instituição. “Essa parceria com uma professora travesti foi crucial para o  desenvolvimento do trabalho, pois ampliou nossos olhares para lacunas muito  específicas sobre a existência das diferenças”, explica o orientador.

Ele destacou o trabalho desenvolvido pelo grupo de pesquisa Nudisex, DTP  e pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPE) da UEM, sob a  responsabilidade da professora Eliane Maio, “que vêm abrindo portas para que  pessoas como Daniel, Lua e outras consigam acessar a universidade e poder  simplesmente conquistar, como qualquer outra pessoa, o seu direito básico de  estudar e trabalhar”. Nudisex é a sigla para o Núcleo de Estudos e Pesquisas  em Diversidade Sexual da UEM.

“Educar as pessoas para as diferenças é um passo difícil que, em tempos  como este, vem sendo tomado e comemorado frente a cada conquista. Daniel  é um grande homem que abre possibilidades para que outros venham para  nossa universidade e sintam-se acolhidos neste espaço”, acrescenta.